Devocionais

Devocionais para seu dia.

CRUCIFICADO COM CRISTO – A. W. Tozer

crucificado

CRUCIFICADO COM CRISTO – Adan Wilson Tozer – Tradução: Dorival Zemuner

Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim.
(Gálatas 2:20).

Este texto mostra plenamente que Paulo estava tratando da questão do seu próprio envolvimento pessoal no sentido de buscar e encontrar os desígnios altos de Deus, bem como a disposição para a experiência e a vitória cristã. Ele não tinha qualquer timidez quanto às implicações de sua própria personalidade estar envolvida nas reivindicações de Jesus Cristo.

Paulo, não somente testifica claramente, estou crucificado com Cristo, mas nos versos próximos ele usa as palavras, eu, de mim mesmo e de mim.
Creio que Paulo sabia que há um tempo e lugar legítimos para o uso da palavra Eu. Espiritualmente falando algumas pessoas parecem querer manter, tanto quanto possível, uma espécie de anonimato. No que diz respeito a essas pessoas, alguém dá o primeiro passo. Isto frequentemente vem, também, na nossa forma de oração. Alguns cristãos são tão genéricos, vagos e descompromissados em suas petições que o próprio Deus fica impossibilitado para responder. Refiro-me ao homem que reclina a cabeça e ora: Senhor, abençoe os missionários e a todos para os quais orarmos, Amém.

Paulo estava dizendo: eu não estou envergonhado de usar o meu próprio exemplo. Estou crucificado com Cristo. Desejo ser reconhecido.
Somente o cristianismo reconhece porque uma pessoa sem Deus e sem qualquer percepção espiritual se envolve em graves problemas com o seu próprio ego. Quando ele diz eu, está falando sobre a sua a individualidade plena, e se ele realmente não sabe quem ele é ou o que está fazendo da sua existência, ele está sitiado em sua personalidade com toda sorte de questões, problemas e incertezas.

Atualmente a maioria das religiões, em sua psicologia superficial, tenta tratar o problema do ego na base da disputa entre uma posição e outra, mas cristianismo trata o problema do ego tendo como finalidade descartá-lo.

A bíblia ensina que todo homem não regenerado vai continuar lutando com os problemas do seu ego natural e egocêntrico. A sua natureza humana remonta a Adão. Mas, a Bíblia também ensina com alegria e bênção que todo indivíduo pode nascer de novo, tornando-se um novo homem.
Quando Paulo diz neste texto: Eu estou crucificado, ele está falando: meu ego natural foi crucificado; por isso ele pode continuar dizer: mas eu vivo, porque fui transformado em uma nova pessoa – Eu vivo em Cristo e Cristo vive em mim.

(Adan Wilson Tozer – 1897-1963)

Tradução: D.Zemuner

CRISTO É O PADRÃO – A. W. Tozer

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CRISTO É O PADRÃO

Portanto, todos nós, dos quais o véu foi removido, podemos ver e refletir a glória do Senhor, e o Senhor, que é o Espírito, nos transforma gradativamente à sua imagem gloriosa, deixando-nos cada vez mais parecidos com ele (2Coríntios 3: 18).

A mensagem de Cristo apropria-se de um homem com a finalidade de alterá-lo, moldá-lo em outra imagem, e fazer dele algo completamente diferente do que ele havia sido antes. Não imitem o comportamento e os costumes deste mundo, mas deixem que Deus os transforme por meio de uma mudança em seu modo de pensar, a fim de que experimentem a boa, agradável e perfeita vontade de Deus para vocês (Romanos 12:2). Esta é a injunção posta sobre os homens crentes pelo apóstolo.
Agora, outorgada aos homens a condição de serem mudados e que o poder de Deus no Evangelho pode fazê-lo, as questões naturalmente importantes são: Em que imagem eles devem ser mudados? O que ou quem é o modelo para eles?
Para essas perguntas já foram dadas muitas respostas. A filosofia religiosa anticristã, muito popular atualmente, responde que existe uma “norma” em algum lugar da natureza humana da qual nos afastamos em maior ou menor grau e à qual devemos ser restaurados. A religião ajuda para que essa restauração seja alcançada. Ela opera “ajustando” a alma inquiridora, primeiramente à si mesmo e depois à sociedade. Tudo depende desse trabalho de ajuste. A natureza humana, de acordo com essa teoria, é basicamente correta e boa, mas está fora de foco pelas forças do mundo nas quais é obrigado a viver. Ela foi distorcida pelo ambiente, pelo mau ensino e por várias influências nocivas, começando no momento do seu nascimento ou mesmo antes.
Todo o fardo desse pensamento religioso é restaurar o homem à imagem de si mesmo. Tudo o que ele precisa é ser transformado novamente em sua própria imagem, tornar-se uma “pessoa real”, livre das influências distorcidas do preconceito, do medo e da superstição. No início ele estava certo, tal como seus antepassados, e seu maior objetivo no presente é ser restaurado tal como uma pintura danificada, de tal modo que a habilidade do Mestre possa novamente ser vista depois de removidas a terra e as sujeiras da vida.
Tudo isso parece muito acolhedor, mas o problema é que a ideia subjacente é completamente falsa, e todas as esperanças e sonhos religiosos que surgem dela são sem fundamento.
A mensagem do Novo Testamento é completamente oposta a tudo isso. As Pessoas não nascem retas, ainda que pequenos ajustes possam ser feitos. Elas estão perdidas; perdidas interiormente; perdidas moral e espiritualmente. Esse tem sido o persistente testemunho cristão desde o principio, e a história humana tem mostrado que o mesmo é correto. Não há nada em nós que possa servir de modelo para o novo homem. Conformidade a nós mesmos, mesmo ao que temos de melhor, pode nos levar apenas à tragédia final. O coração humano é mais enganoso do que qualquer coisa e é extremamente corrupto; quem sabe, de fato, o quanto é mau? Ele precisa de ajuda externa a si mesmo, ajuda que vem de cima, para escapar da atração gravitacional de sua própria natureza pecaminosa. A tudo isso o Evangelho supre em medidas completas e suficientes,
O Evangelho não apenas supre poder transformador para remodelar o coração humano, dispõe também um modelo segundo o qual a nova vida deve ser moldada, e esse modelo é o próprio Cristo. Ele é Deus agindo como Deus nas humildes vestiduras da carne. Entretanto, Ele também é homem, então, Ele torna-se o modelo perfeito segundo o qual a natureza humana a natureza humana redimida deve ser moldada.
Os primórdios dessa transformação, que é mudar a natureza do homem crente, da imagem do pecado para a imagem de Deus, são encontrados na conversão, quando o homem é feito participante da natureza divina. Pela regeneração e santificação, pela fé e oração, pelo sofrimento e disciplina, pela Palavra e pelo Espírito, a obra continua até que o sonho de Deus seja realizado no coração cristão. Tudo o que Deus faz em Seus filhos resgatados tem no longo prazo a restauração final da imagem divina na natureza humana. Tudo parece encaminhar para a consumação.
Neste ínterim o próprio cristão trabalha juntamente com Deus na realização da grande mudança. Paulo nos diz como:
Portanto, todos nós, dos quais o véu foi removido, podemos ver e refletir a glória do Senhor, e o Senhor, que é o Espírito, nos transforma gradativamente à sua imagem gloriosa, deixando-nos cada vez mais parecidos com ele (2Corintios 3:18)

(Christ is The Pattern)
A.W.Tozer – 1897-1963.
Tradução: D. Zemuner

O QUE ERAM OS SACRIIFÍCIOS? – C.H. MACKINTOSH

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O QUE ERAM OS SACRIIFÍCIOS? – C.H. MACKINTOSH – Tradução: Dorival Zemuner

“Aconteceu que no fim de uns tempos trouxe Caim do fruto da terra uma oferta ao Senhor. Abel, por sua vez, trouxe das primícias do seu rebanho e da gordura deste. Agradou-se o Senhor de Abel e de sua oferta; ao passo que de Caim e de sua oferta não se agradou. Irou-se, pois, sobremaneira, Caim, e descaiu-lhe o semblante” (Gn 4: 3-5).

Esta passagem apresenta-nos claramente a diferença: Caim ofereceu ao Senhor o fruto da terra amaldiçoada, e isso também sem sangue para remover a maldição; apresentou um sacrifício incruento simplesmente porque não tinha fé. Tivesse ele possuído esse princípio divino, e teria compreendido, mesmo nessa época primeva, que “sem derramamento de sangue não há remissão” (Hb 9:22).

Esta é uma grande verdade. A pena do pecado é a morte. Caim era pecador e, como tal, a morte estava entre si e o Senhor. Porém na sua oferta não havia reconhecimento algum deste fato. Não havia a apresentação de uma vida sacrificada para cumprir as reivindicações da santidade divina ou corresponder à sua verdadeira condição como pecador. Caim tratou o Senhor como se Ele fosse inteiramente igual a si, que pudesse aceitar o fruto manchado de pecado da terra amaldiçoada.

Tudo isto e muito mais se acha incluído no sacrifício incruento de Caim. Mostrou absoluta ignorância com referência às exigências divinas, no tocante ao seu próprio caráter e condição como pecador perdido e culpado e quanto ao estado verdadeiro do terreno cujo fruto presumiu oferecer. Sem dúvida, a razão podia dizer, “que sacrifício mais aceitável podia um homem oferecer do que aquele que ele tinha produzido pelo labor das suas mãos e o suor do seu roso?” A razão e a mente do homem podem pensar dessa maneira; mas Deus pensa de uma maneira diferente; e a fé pode estar sempre certa de concordar com os pensamentos de Deus. Deus ensina, e a fé crê, que deve haver uma vida sacrificada, de contrário não pode haver aproximação de Deus.

Desta forma, quando encaramos o ministério do Senhor Jesus, vemos, imediatamente, que, se Ele não tivesse morrido na cruz, todo o Seu trabalho teria sido inteiramente inútil quanto ao estabelecimento do nosso parentesco com Deus. Na verdade, “Ele andou fazendo o bem” toda a Sua vida; mas foi a Sua morte que rasgou o véu (Mt 27:51). Nada senão a Sua morte o podia fazer. Se Ele tivesse continuado, até este momento, “fazendo o bem” o véu teria permanecido inteiro, para impedir a aproximação de adoradores do “lugar santíssimo”.

Por isso podemos ver o terreno falso em que Caim se encontrava como ofertante e adorador. Um pecador não perdoado vindo à presença do Senhor, para apresentar um sacrifício incruento, só podia ser tido como culpado do maior grau de presunção. É verdade que ele tinha trabalhado para produzir a sua oferta; mas que quer isso dizer?
Poderia o esforço de um pecador remover a mancha e maldição do pecado? Poderia satisfazer as exigências de um Deus infinitamente santo? Poderia preparar um lugar adequado de aceitação do pecador? Poderia pôr de lado a pena que era devida ao pecado? Poderia tirar o aguilhão da morte ou a sua vitória? Poderia conseguir alguma ou todas estas coisas? Impossível. “Sem derramamento de sangue não há remissão”.

O sacrifício incruento de Caim, à semelhança de todo o sacrifício incruento, não só era inútil como abominável, na apreciação divina. Não só mostrou completa ignorância da sua condição, como também do caráter divino. “Deus não é servido por mãos de homens, como que necessitando de alguma coisa”. E todavia, Caim pensou que podia aproximar-se de Deus desta forma. E todo o mero religioso pensa o mesmo. Caim tem tido muitos milhões de seguidores através dos séculos. O culto de Caim tem abundado em todo o mundo. É o culto de toda a alma não convertida, e é mantido por todo o sistema falso de religião abaixo do céu.

Fonte: Estudos sobre o livro de Gênesis.

C.H. MACKINTOSH (1820-1896).

APOCALIPSE – Willian Grahan Scroggie

Apocalipse

APOCALIPSE – Willian Grahan Scroggie – 1877 – 1958 – Tradução: Dorival Zemuner

1) Este Livro é uma inspiração para os fiéis do presente.
Em um mundo tão cheio de pecado, sofrimento, tristeza, incertezas e cruéis ambições; existe algum ponto de apoio ou ancoragem para a mente e o coração, para a fé e a esperança dos cristãos? Se não, então somos os mais miseráveis de todas as pessoas. Mas esta não é a nossa situação, pois Cristo é central e crucial em toda a história.
Isso é mostrado no Apocalipse por Suas relações com a igreja, com a Ordem Celestial, com o Mundo Apóstata, com o Reino Milenar e com todas as eras futuras. E porque é assim, Cristo é suficiente e satisfatório. Ele é o mesmo: ontem, e hoje, e para sempre. Ele é o Profeta de Deus para nós; o Sacerdote de nós para Deus; e o Rei de todos os mundos; Jesus, o Cristo e o Senhor.
Por causa disso, o crente pode dizer:
Tu, ó Cristo, és tudo o que quero,
Mais do que tudo em Ti eu encontro.

2)Este livro é a revelação de toda a história.
Sempre presentes neste mundo estão o certo e o errado, a verdade e o erro, a luz e as trevas, a santidade e o pecado, a justiça e a iniquidade, o céu e o inferno, Cristo e Satanás; e estes estão em incessante conflito um com o outro. Muitas vezes parece que as forças do mal são triunfantes, e que a bondade não compensa. Babilônia, a besta, o falso profeta e o Diabo parecem dominar o mundo. É quando essa visão está nos deprimindo que devemos ler novamente o Apocalipse, e ver que a Babilônia cai para a destruição; que a besta e o Falso Profeta são lançados no lago de fogo, e que Satanás é lançado no abismo. Não a injustiça, o erro, as trevas, o pecado, a iniquidade, o inferno e Satanás triunfam – por fim, mas o certo, a verdade, a luz, a santidade, a justiça, o céu e Cristo.
A cabeça que na terra foi coroada de espinhos será coroada com muitos diademas. ‘Os reinos deste mundo, em breve, se tornarão o Reino de nosso Senhor e de Seu Cristo, e Ele reinará para todo o sempre.
A visão final não é de Atenas e seu intelecto, nem de Babilônia e seu luxo, nem de Roma e seu poder, nem de Paris e sua moda, nem de Nova York e seu comércio, nem de Londres e seu esplendor, mas é da Nova Jerusalém que representa o Caráter. Prostitutas, bestas, pseudoprofetas, demônios, gafanhotos, rãs e serpentes são varridos, e o Cordeiro outrora morto está no trono do universo, finalmente e para sempre triunfante.
Este, então, é o Epílogo do desenrolar do Drama da Redenção. A História, que começou num Jardim, termina numa Cidade, e entre as duas ergue-se uma Cruz; uma Cruz pela qual a tragédia do Jardim se transformou em triunfo da Cidade.
Fonte:
The Unfolding Drama of Redemption.
(Willian Grahan Scroggie – 1877 – 1958)
Tradução: D.Zemuner

A IGREJA DESUNIDA -Lothar Gassmann

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A IGREJA DESUNIDA -Lothar Gassmann – Tradução Dorival Zemuner

A base da nossa unidade está em pertencer a Cristo, como cabeça de um só corpo, sua igreja, que ele angariou mediante a sua morte na cruz e cujos membros foram batizados em seu nome.

“Acaso Cristo está dividido?” (1Coríntios 1.13a)

O cristianismo de hoje apresenta um quadro bastante desagregado. O corpo de Cristo parece estar dilacerado. Denominações, igrejas independentes e seitas reivindicam representar a verdadeira igreja, ou pelo menos de estarem mais próximas ao ideal do Novo Testamento. Na verdade, essa desagregação tem sua base já na época da igreja primitiva. Basta observar as concepções diferenciadas dos apóstolos em certas questões, como missões entre os gentios, da comunhão em refeições entre cristãos judeus e gentios (ver Gálatas 2), das tendências legalistas (Gálatas 4.8–5.26) ou liberais (1Coríntios) e casos semelhantes que já estavam presentes na igreja cristã primitiva. Também nas primeiras igrejas surgiram partidarismos com vínculos aos diferentes fundadores das mesmas – e certamente também quanto à sua posição teológica –, o que é um fenômeno conhecido na posterior história eclesiástica e confessional.

Assim, o apóstolo escreveu aos coríntios: “Meus irmãos, fui informado por alguns da casa de Cloe de que há divisões entre vocês. Com isso quero dizer que algum de vocês afirma: ‘Eu sou de Paulo’; ou ‘Eu sou de Apolo’; ou ‘Eu sou de Pedro’; ou ainda ‘Eu sou de Cristo’” (1Co 1.11-12). Nessa situação, Paulo exorta insistentemente os destinatários à unidade: “Irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo suplico a todos vocês que concordem uns com os outros no que falam, para que não haja divisões entre vocês; antes, que todos estejam unidos num só pensamento e num só parecer” (v. 10). Como argumento para solicitar a unidade, o apóstolo pergunta: “Acaso Cristo está dividido? Foi Paulo crucificado em favor de vocês? Foram vocês batizados em nome de Paulo?” (v. 13). Assim, a base da unidade está em pertencer a Cristo, como cabeça de um só corpo, sua igreja, que ele angariou mediante a sua morte na cruz e cujos membros foram batizados em seu nome. Não há outra base para a verdadeira unidade bíblica. Oremos:
Obrigado(a), Senhor, que por meio da tua morte na cruz do Gólgota estabeleceste a base para a verdadeira unidade salvadora. Somos gratos por podermos viver a partir dela. Guarda-nos das falsas tendências de isolamento no cristianismo atual, mas também de desnecessárias divisões que excedem à tua Palavra. Amém!

Lothar Gassmann

QUEM ENSINA? A BÍBLIA OU O ESPÍRITO? A. W. Tozer

quem ensina

QUEM ENSINA? A BÍBLIA OU O ESPÍRITO? Adam Wilson Tozer – Tradução: A. Zemuner

Não cesso de dar graças por vós, fazendo menção de vós nas minhas orações, para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos conceda espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento Dele. Iluminados os olhos do vosso coração, para saberdes qual é a esperança do seu chamamento, qual a riqueza da glória da sua herança nos santos (Efésios 1: 16-17-18).

A maioria de nós está familiarizada com igrejas que ensinam a Bíblia a seus filhos desde os anos mais tenros, dando-lhes longas instruções sobre o catecismo. Recebem ainda mais ensinos nas classes pastorais, mas nunca produzem neles um cristianismo vivo, nem tampouco uma piedade viril. Seus membros não mostram evidência de terem passado da morte para a vida. Nenhum dos sinais de salvação, tão claramente indicados nas Escrituras, é encontrado entre eles.
Suas vidas são corretas e razoavelmente morais, mas totalmente mecânicas e completamente desprovidas de brilho. Eles usam sua fé como pessoas de luto que usam braçadeiras negras para mostrar seu amor e respeito pelos que partiram.

Essas pessoas não podem ser descartadas como hipócritas. Muitas delas são pateticamente sérias no que fazem. Elas são simplesmente cegas. Por falto do Espírito vital, elas são forçadas a conviver com a casca exterior da fé, enquanto todo o tempo o seu coração está faminto por realidade espiritual, e elas não sabem o que está errado com elas.
Essa diferença entre a religião do credo e a religião do Espírito é bem apresentada Por São Tomaz em uma pequena e afetuosa oração ao seu Senhor:
Os filhos de Israel em tempos passados disseram a Moisés: “Fala-nos tu, e te ouviremos; porém não fale Deus conosco, para que não morramos” (Ex 20:19).
Entendeu Eli que era o Senhor quem chamava Samuel. Então, veio o Senhor, e ali esteve, e chamou como das outras vezes: Samuel, Samuel! Este respondeu: Fala, porque o teu servo ouve (1 Samuel 3: 8-9-10).

Não permita que Moises ou outro profeta fale a mim, a não ser o Senhor mesmo. Ó Senhor Deus que inspira e ilumina todos os profetas, o Senhor sozinho, sem eles, pode instruir-me, mas eles sem o Senhor não podem fazer nada. Eles podem pronunciar palavras, mas não podem dar o Espírito. Eles podem pronunciar belas palavras, mas se o Senhor ficar em silêncio seus corações não recebem Sua flama. Eles ensinam a letra, mas o Senhor abre os entendimentos; Eles podem falar de mistérios, mas somente o Senhor abre os corações. Eles clamam em alta voz com palavras, mas somente o Senhor revela os significados aos ouvidos.

Para melhor entender. A mesma coisa já foi dita por muitos, mas de diferentes maneiras. Mas, a maneira mais familiar de explicar seria esta: As Escrituras, para serem entendidas, devem ser lidas com o mesmo Espírito que originalmente as inspirou. Ninguém pode negar este fato, mas até mesmo esta afirmação passará por alto dos que a escutem, a menos que o Espírito Santo alimente os corações.

A acusação que frequentemente é feita contra nós pelos liberais, de que somos bibliolátras, provavelmente não é verdade no mesmo sentido que o fazem os nossos detratores. Mas, a franqueza e a autoanálise nos forçarão a admitir, muitas vezes, a existência de verdades em suas acusações. Entre as pessoas religiosas, de ortodoxia inquestionável, às vezes pode ser visto uma monótona dependência da letra do texto, sem a menor compreensão do seu espírito.

A verdade, que é essencialmente espiritual, deve ser constantemente mantida em nossas mentes se, de fato, quisermos conhecer a verdade. Jesus Cristo é a Verdade, como ardentemente cremos, e Ele não pode ser confinado em meras palavras. O que é espiritual não pode ser expresso por meio de tinta, teclado e papel. O melhor que um livro pode fazer é nos dar a letra. Se alguma vez recebemos mais do que isso, deve ser creditado à revelação do Espírito Santo.
A grande necessidade atual entre as pessoas espiritualmente faminta é dupla:
Conhecer as Escrituras, sem as quais nenhuma verdade salvadora será concedida por nosso Senhor e, ser iluminado pelo Espírito, sem o qual as Escrituras não serão compreendidas.

Fonte: FROM THE GRAVE – A Journey From Death to New Life.
(Aiden Wilson Tozer – 1897-1963).