O QUE ERAM OS SACRIIFÍCIOS? – C.H. MACKINTOSH – Tradução: Dorival Zemuner
“Aconteceu que no fim de uns tempos trouxe Caim do fruto da terra uma oferta ao Senhor. Abel, por sua vez, trouxe das primícias do seu rebanho e da gordura deste. Agradou-se o Senhor de Abel e de sua oferta; ao passo que de Caim e de sua oferta não se agradou. Irou-se, pois, sobremaneira, Caim, e descaiu-lhe o semblante” (Gn 4: 3-5).
Esta passagem apresenta-nos claramente a diferença: Caim ofereceu ao Senhor o fruto da terra amaldiçoada, e isso também sem sangue para remover a maldição; apresentou um sacrifício incruento simplesmente porque não tinha fé. Tivesse ele possuído esse princípio divino, e teria compreendido, mesmo nessa época primeva, que “sem derramamento de sangue não há remissão” (Hb 9:22).
Esta é uma grande verdade. A pena do pecado é a morte. Caim era pecador e, como tal, a morte estava entre si e o Senhor. Porém na sua oferta não havia reconhecimento algum deste fato. Não havia a apresentação de uma vida sacrificada para cumprir as reivindicações da santidade divina ou corresponder à sua verdadeira condição como pecador. Caim tratou o Senhor como se Ele fosse inteiramente igual a si, que pudesse aceitar o fruto manchado de pecado da terra amaldiçoada.
Tudo isto e muito mais se acha incluído no sacrifício incruento de Caim. Mostrou absoluta ignorância com referência às exigências divinas, no tocante ao seu próprio caráter e condição como pecador perdido e culpado e quanto ao estado verdadeiro do terreno cujo fruto presumiu oferecer. Sem dúvida, a razão podia dizer, “que sacrifício mais aceitável podia um homem oferecer do que aquele que ele tinha produzido pelo labor das suas mãos e o suor do seu roso?” A razão e a mente do homem podem pensar dessa maneira; mas Deus pensa de uma maneira diferente; e a fé pode estar sempre certa de concordar com os pensamentos de Deus. Deus ensina, e a fé crê, que deve haver uma vida sacrificada, de contrário não pode haver aproximação de Deus.
Desta forma, quando encaramos o ministério do Senhor Jesus, vemos, imediatamente, que, se Ele não tivesse morrido na cruz, todo o Seu trabalho teria sido inteiramente inútil quanto ao estabelecimento do nosso parentesco com Deus. Na verdade, “Ele andou fazendo o bem” toda a Sua vida; mas foi a Sua morte que rasgou o véu (Mt 27:51). Nada senão a Sua morte o podia fazer. Se Ele tivesse continuado, até este momento, “fazendo o bem” o véu teria permanecido inteiro, para impedir a aproximação de adoradores do “lugar santíssimo”.
Por isso podemos ver o terreno falso em que Caim se encontrava como ofertante e adorador. Um pecador não perdoado vindo à presença do Senhor, para apresentar um sacrifício incruento, só podia ser tido como culpado do maior grau de presunção. É verdade que ele tinha trabalhado para produzir a sua oferta; mas que quer isso dizer?
Poderia o esforço de um pecador remover a mancha e maldição do pecado? Poderia satisfazer as exigências de um Deus infinitamente santo? Poderia preparar um lugar adequado de aceitação do pecador? Poderia pôr de lado a pena que era devida ao pecado? Poderia tirar o aguilhão da morte ou a sua vitória? Poderia conseguir alguma ou todas estas coisas? Impossível. “Sem derramamento de sangue não há remissão”.
O sacrifício incruento de Caim, à semelhança de todo o sacrifício incruento, não só era inútil como abominável, na apreciação divina. Não só mostrou completa ignorância da sua condição, como também do caráter divino. “Deus não é servido por mãos de homens, como que necessitando de alguma coisa”. E todavia, Caim pensou que podia aproximar-se de Deus desta forma. E todo o mero religioso pensa o mesmo. Caim tem tido muitos milhões de seguidores através dos séculos. O culto de Caim tem abundado em todo o mundo. É o culto de toda a alma não convertida, e é mantido por todo o sistema falso de religião abaixo do céu.
Fonte: Estudos sobre o livro de Gênesis.
C.H. MACKINTOSH (1820-1896).