CRISTO É O PADRÃO – A. W. Tozer

A. W. Tozer – Tradução: D. Zemuner

CRISTO É O PADRÃO

Portanto, todos nós, dos quais o véu foi removido, podemos ver e refletir a glória do Senhor, e o Senhor, que é o Espírito, nos transforma gradativamente à sua imagem gloriosa, deixando-nos cada vez mais parecidos com ele (2Coríntios 3: 18).

A mensagem de Cristo apropria-se de um homem com a finalidade de alterá-lo, moldá-lo em outra imagem, e fazer dele algo completamente diferente do que ele havia sido antes. Não imitem o comportamento e os costumes deste mundo, mas deixem que Deus os transforme por meio de uma mudança em seu modo de pensar, a fim de que experimentem a boa, agradável e perfeita vontade de Deus para vocês (Romanos 12:2). Esta é a injunção posta sobre os homens crentes pelo apóstolo.
Agora, outorgada aos homens a condição de serem mudados e que o poder de Deus no Evangelho pode fazê-lo, as questões naturalmente importantes são: Em que imagem eles devem ser mudados? O que ou quem é o modelo para eles?
Para essas perguntas já foram dadas muitas respostas. A filosofia religiosa anticristã, muito popular atualmente, responde que existe uma “norma” em algum lugar da natureza humana da qual nos afastamos em maior ou menor grau e à qual devemos ser restaurados. A religião ajuda para que essa restauração seja alcançada. Ela opera “ajustando” a alma inquiridora, primeiramente à si mesmo e depois à sociedade. Tudo depende desse trabalho de ajuste. A natureza humana, de acordo com essa teoria, é basicamente correta e boa, mas está fora de foco pelas forças do mundo nas quais é obrigado a viver. Ela foi distorcida pelo ambiente, pelo mau ensino e por várias influências nocivas, começando no momento do seu nascimento ou mesmo antes.
Todo o fardo desse pensamento religioso é restaurar o homem à imagem de si mesmo. Tudo o que ele precisa é ser transformado novamente em sua própria imagem, tornar-se uma “pessoa real”, livre das influências distorcidas do preconceito, do medo e da superstição. No início ele estava certo, tal como seus antepassados, e seu maior objetivo no presente é ser restaurado tal como uma pintura danificada, de tal modo que a habilidade do Mestre possa novamente ser vista depois de removidas a terra e as sujeiras da vida.
Tudo isso parece muito acolhedor, mas o problema é que a ideia subjacente é completamente falsa, e todas as esperanças e sonhos religiosos que surgem dela são sem fundamento.
A mensagem do Novo Testamento é completamente oposta a tudo isso. As Pessoas não nascem retas, ainda que pequenos ajustes possam ser feitos. Elas estão perdidas; perdidas interiormente; perdidas moral e espiritualmente. Esse tem sido o persistente testemunho cristão desde o principio, e a história humana tem mostrado que o mesmo é correto. Não há nada em nós que possa servir de modelo para o novo homem. Conformidade a nós mesmos, mesmo ao que temos de melhor, pode nos levar apenas à tragédia final. O coração humano é mais enganoso do que qualquer coisa e é extremamente corrupto; quem sabe, de fato, o quanto é mau? Ele precisa de ajuda externa a si mesmo, ajuda que vem de cima, para escapar da atração gravitacional de sua própria natureza pecaminosa. A tudo isso o Evangelho supre em medidas completas e suficientes,
O Evangelho não apenas supre poder transformador para remodelar o coração humano, dispõe também um modelo segundo o qual a nova vida deve ser moldada, e esse modelo é o próprio Cristo. Ele é Deus agindo como Deus nas humildes vestiduras da carne. Entretanto, Ele também é homem, então, Ele torna-se o modelo perfeito segundo o qual a natureza humana a natureza humana redimida deve ser moldada.
Os primórdios dessa transformação, que é mudar a natureza do homem crente, da imagem do pecado para a imagem de Deus, são encontrados na conversão, quando o homem é feito participante da natureza divina. Pela regeneração e santificação, pela fé e oração, pelo sofrimento e disciplina, pela Palavra e pelo Espírito, a obra continua até que o sonho de Deus seja realizado no coração cristão. Tudo o que Deus faz em Seus filhos resgatados tem no longo prazo a restauração final da imagem divina na natureza humana. Tudo parece encaminhar para a consumação.
Neste ínterim o próprio cristão trabalha juntamente com Deus na realização da grande mudança. Paulo nos diz como:
Portanto, todos nós, dos quais o véu foi removido, podemos ver e refletir a glória do Senhor, e o Senhor, que é o Espírito, nos transforma gradativamente à sua imagem gloriosa, deixando-nos cada vez mais parecidos com ele (2Corintios 3:18)

(Christ is The Pattern)
A.W.Tozer – 1897-1963.
Tradução: D. Zemuner