COMO DIZER “EU TE AMO”
Todos nós passamos por dias turbulentos — seja no trabalho, no trânsito, ou até com problemas financeiros — e isso normalmente nos leva à irritação e a respostas ásperas, mesmo com aqueles que amamos.
Exemplo do livro: o pai chega em casa depois de um dia como esses que relatei, e a filha está fazendo o trabalho da escola na garagem. Há caixas, papéis, isopor por todo lado. O pai, de pronto, já chega dando bronca e é áspero com ela, pedindo que guarde e limpe tudo. A filha, Amy, vai até o pai, lhe dá um abraço e diz:
— O senhor deve ter tido um dia muito difícil, papai… e precisa de um abraço.
Alguém já passou por algo assim?
Às vezes, fazemos coisas que não gostamos, enxergamos coisas que não gostamos, criticamos coisas que não gostamos nos nossos filhos adolescentes… mas, precisamos ensinar, disciplinar, corrigir e amá-los…
Jesus nos ensina a amar, independentemente da idade deles…
Eu não gosto dessa expressão “aborrecente”. Nossos filhos estão enfrentando mudanças constantes — nas amizades, na escola, em seu corpo — e nem eles mesmos sabem, ou percebem, que às vezes estão irritantes.
João 13:34
Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros.
Jesus aqui não está dizendo para amar os filhos que se comportam, que são obedientes, ou o cônjuge que é manso e calmo. Ele está dizendo para amar.
Pense: Jesus, o SENHOR, YHVH, criador de todas as coisas, deixa a sua glória e se rebaixa ao ponto de se encarnar como homem — em um corpo finito, sujeito às limitações humanas — para se identificar conosco e assim pagar a nossa dívida de morte para com Deus.
E Ele fez isso estando nós em pecado, em rebeldia contra Ele.
Filipenses 2:6-8
Pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz.
Você consegue entender um amor assim?
E Jesus complementa:
João 13:35
Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros.
O amor é a marca que nos identifica como discípulos de Jesus Cristo.
Assim como Deus nos amou e entregou Seu Filho, assim como Cristo ama Seu Pai e foi obediente até a morte de cruz, o desejo santo da Trindade é que esse amor esteja em nós — que seja vivenciado, demonstrado e exercitado.
Isso começa no lar: com o cônjuge, e depois com os filhos.
Se os filhos não veem amor nos pais, como poderemos requerer deles amor?
OS DOIS LADOS DO AMOR
O amor tem dois lados: dar e receber.
Dar amor é o lado da ação.
Receber amor é o lado do sentimento.
Precisamos de equilíbrio nesses dois lados. Pois, se dermos amor sem sentimento, fica algo frio e sem vida.
Por outro lado, se houver sentimento sem ação, falta demonstração.
Exemplo:
Talvez o maior desejo emocional de todos nós seja sentir que somos amados.
Deus nos criou racionais e emocionais. Ele nos capacitou a amar e a demonstrar amor.
Aqui surge a pergunta:
Como posso demonstrar amor de modo que a pessoa a quem estou amando sinta isso de verdade?
Exemplo:
Nós, pais, amamos nossos filhos, mas muitas vezes não sabemos como demonstrar isso claramente.
Dar presentes ou compensar os filhos por algo não é uma demonstração verdadeira de amor — isso pode ser uma troca… ou apenas um afeto superficial.
Precisamos aprender a dizer “eu te amo” de maneira que eles realmente saibam disso no íntimo do coração.
Se nossos filhos tiverem essa carência emocional, podem buscá-la em outros e serem enganados ou magoados.
O AMOR PODE SER EXPRESSO COMO LINGUAGEM EMOCIONAL
Exemplo:
Creio que ninguém aqui fale mandarim.
Se você estivesse na China e as pessoas se reunissem para ouvir alguém, muito provavelmente você não entenderia nada.
Mas, de repente, alguém fala inglês — e você tem familiaridade com esse idioma — então pode se dirigir a essa pessoa e perguntar o que está acontecendo.
O que isso quer dizer?
Às vezes, nossa demonstração de amor não está sendo entendida pela outra pessoa.
Neste caso, precisamos procurar falar a mesma “língua” dela — achar uma forma para que nossa maneira de dizer “eu te amo” seja compreendida.
Caso contrário, haverá um distanciamento emocional: “ninguém me entende” — e o perigo é o isolamento.
Exemplo pessoal:
Casei com 23 anos, saí de casa com 20.
Apanhei muito: de vara, cinta, fio de ferro, chicote de seis tiras…
Mas, pela linguagem corporal do meu pai em suprir as necessidades do lar, eu sabia que ele me amava.
Tanto eu como meu irmão nunca odiamos nosso pai. Teve dias que eu apanhava três vezes — mas merecidamente.
Nunca fui revoltado, nunca me rebelei. As birras eram curadas com correções merecidas. Mas eu sabia que ele me amava…
ALGUMAS LINGUAGENS DO AMOR
1 – LINGUAGEM DE AMOR: PALAVRAS DE ENCORAJAMENTO
Em 1 Coríntios 8:1b, Paulo encoraja os santos em Corinto dizendo:
O saber ensoberbece, mas o amor edifica.
Pense: quais palavras de encorajamento você tem falado aos seus filhos?
• “Valeu, filhão! Seu quarto está bem arrumado, continue assim…”
• “Oi, meu amor, ficou muito bom esse desenho que você fez!”
• “Gostei de ver você se enturmando com os outros adolescentes na igreja. Se quiser convidar alguns para vir aqui em casa, pode fazer isso!”
• “Você está muito bem com essa roupa, gostei!”
O CONTRÁRIO DISSO É:
• “Que bagunça esse quarto! Estou cansado(a) de dizer para você arrumar. Você não tem jeito. Como vai ser sua casa no futuro?”
• “Que letra desgraçada de feia! Toma jeito, seu moleque! Escreve direito!”
• “Olha esse cabelo! Parece que você não lava há uma semana…”
• “Que roupa é essa? Você está ridículo(a)!”
Ah… isso é exagero? Será?
2 – LINGUAGEM DE AMOR: AÇÕES DE SERVIÇO
📖 1 João 3.18 – Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas de fato e de verdade.
Vamos dar alguns exemplos dessas ações de serviço:
Primeiro, para com o cônjuge:
• Lavar o carro, calibrar os pneus, abastecer, conferir o óleo…
• Lavar a louça, “um dia” fazer um pão ou um bolo com os filhos para a esposa? (Às vezes eu faço isso com a Talita… preparamos bolinho de chuva, pão ou bolo e deixamos a mesa toda arrumada para quando a Rubia chega. É notável a alegria dela ao ver que preparamos algo diferente para ela.)
A esposa para o marido:
• Que tal colocar as coisas num lugar onde a gente encontre? rsrs…
• Fala aí, homens… quais outros exemplos vocês dariam?
Para nossos filhos:
1. Preparar uma refeição ou lanche especial quando estão desanimados
Um prato favorito depois de um dia ruim na escola pode ser mais eficaz do que mil palavras.
2. Acordá-los com gentileza e uma palavra bíblica em vez de bronca
Mostra cuidado com o coração, não só com a rotina.
3. Ajudá-los a organizar o quarto ou o material da escola
Não é fazer tudo por eles, mas mostrar: “Estou com você, vamos dar um jeito nisso juntos.”
4. Ajudá-los a servirem outras pessoas
Ir junto com eles servir em um projeto cristão, mostrar como é gratificante servir ao próximo em nome de Jesus.
Ex. Pessoal. A Talita falou assim: Fui convidada para toca nos primários, você toca comigo? Claro meu amor…que benção…
Ao servir nossos filhos, ensinamos pelo exemplo o que significa ser semelhante a Cristo.
3 – LINGUAGEM DE AMOR: DAR PRESENTES
Imagine a alegria do seu filho ou filha ao ver você chegando em casa com um presente, mesmo que simples.
Por exemplo: você foi ao mercado ou à floricultura e trouxe algo específico, pensando nele ou nela.
O mesmo serve para o marido e para a esposa.
📖 Efésios 5.25 – Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela,
Agora, atenção: não tente comprar o carinho e o afeto dos seus filhos com presentes.
O presente, por mais simples que seja, pode ser uma linguagem de amor, desde que feito com a motivação correta.
4 – LINGUAGEM DE AMOR: TEMPO DE QUALIDADE
Se você é nascido do alto, é filho de Deus. E, pela Palavra, sabemos que Deus nos ouve por meio de Cristo. Ele está atento aos seus filhos:
📖 Salmos 34.15 – Os olhos do SENHOR repousam sobre os justos, e os seus ouvidos estão abertos ao seu clamor.
Se Deus, nosso Pai, que criou o universo, tem tempo para ouvir os Seus filhos, por que dizemos que não temos tempo para nossos filhos?
E quando temos, por que não é um tempo de qualidade?
Essa qualidade aqui se refere a realmente prestar atenção no que nossos filhos ou nosso cônjuge estão dizendo. Muitas vezes eu falho nisso… e elas me corrigem… e tem que ser assim mesmo.
É o olhar, o interesse, a participação nas necessidades, o cuidado em sanar dúvidas, ouvir questionamentos… nossos filhos estão descobrindo o mundo e sendo bombardeados por todos os lados.
E também, tempo para a Palavra!
Uma meditação diária, uma conversa sobre o estudo de domingo… perguntar o que eles entenderam, o que marcou, o que falou com eles… isso é tempo de qualidade!
📖 Hebreus 2.1 – Convém-nos atentar com mais diligência para as coisas que já temos ouvido, para que em tempo algum nos desviemos delas.
📖 Romanos 10.17 – A fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela Palavra de Deus.
– Ah, mas eu só tenho 10 minutos! Pois bem, 10 minutos com qualidade são preciosos! E com o tempo, podem virar 15, depois 20… vale a pena tentar!
5 – LINGUAGEM DE AMOR: TOQUE FÍSICO E PROXIMIDADE
📖 Marcos 10.13-14 – Então, lhe trouxeram algumas crianças para que as tocasse, mas os discípulos os repreendiam. Jesus, porém, vendo isto, indignou-se e disse-lhes: Deixai vir a mim os pequeninos, não os embaraceis, porque dos tais é o reino de Deus.
Jesus, com todos os Seus compromissos – ensinar os discípulos, responder aos fariseus, curar multidões – ainda assim tinha tempo para tocar, abraçar e abençoar as crianças.
No casamento, o ato sexual não é a única forma de dizer “eu te amo”. Homem e mulher precisam de carinho, afeto, gestos, abraços, um beijo, um tempo juntos… às vezes, só o estar perto já comunica amor.
E os filhos também precisam desse toque.
Exemplo pessoal:
Tenho uma filha. Desde pequena, eu abraço e beijo todos os dias.
As vezes dou um abraço apertado e digo no ouvido: “Eu te amo.”
Ela precisa desse carinho do pai. E as mães também devem fazer isso.
Se nossos filhos não tiverem esse contato dentro de casa, quando um estranho os abraçar, talvez estejam tão carentes que se deixarão levar pela emoção…
Testemunho:
Eu mesmo senti falta disso. Não lembro de abraçar meu pai quando criança.
Mas lembro que, já casado, dei um abraço nele. Foi bom, foi curador.
E quando me tornei pai, entendi que não poderia negar isso à Talita.
Nossas infâncias são marcadas por lembranças. Como pais cristãos, que memórias queremos deixar nos nossos filhos?
Outro exemplo:
Quando o marido ou a esposa estão fazendo algo, e o outro decide ajudar ou apenas ficar por perto… isso também é linguagem do amor.
O mesmo vale para os filhos.
Fazer algo juntos, dividir tarefas, momentos… isso aproxima.
QUAL LINGUAGEM DE AMOR VOCÊ TEM COMUNICADO AOS SEUS FILHOS E AO SEU CÔNJUGE?
Pelo menos uma dessas deve ser frequentes em nossas vidas.
Aprenda a dizer “eu te amo” e aprenda a usar todas essas linguagens.
Vamos relembrar?
• PALAVRAS DE ENCORAJAMENTO
• AÇÕES DE SERVIÇO
• DAR PRESENTES
• TEMPO DE QUALIDADE
• TOQUE FÍSICO E PROXIMIDADE
É importante que cada um faça uma avaliação pessoal de como demonstra amor para com seu cônjuge e também para com os filhos.
Às vezes a linguagem não está sendo entendida pelo outro, tem ruído no meio…
Obs.: Dependendo do tempo de estudo, parar aqui e convidar os pais para testemunhos sobre o assunto…
COMO PODEMOS IDENTIFICAR ESSA LINGUAGEM NA PALAVRA DE DEUS
1. PALAVRAS DE ENCORAJAMENTO
Jesus constantemente usava palavras que curavam, libertavam e encorajavam os corações aflitos. Ele não apenas falava verdades, mas transmitia vida com suas palavras.
📖 João 16:33
Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz em mim. No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo.
📖 Mateus 11:28-30
Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve.
✨ Em cada frase, Cristo está dizendo: “Eu te amo, confie em mim, você não está só.”
Ele encoraja, consola, e fortalece com suas palavras de amor eterno.
2. AÇÕES DE SERVIÇO
Jesus não apenas falou do amor — Ele serviu. O Rei do universo lavou os pés dos discípulos e deu a própria vida por nós.
📖 João 13:5, 14
Depois, deitou água na bacia e passou a lavar os pés aos discípulos e a enxugar-lhos com a toalha com que estava cingido.
Ora, se eu, sendo o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros.
📖 Marcos 10:45
Pois o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.
✨ A cada ato, Cristo nos diz: “Eu te amo, e estou aqui para te servir com humildade e graça.”
3. DAR PRESENTES
Deus é o maior presenteador. Ele deu seu Filho, e em Cristo, recebemos presentes eternos: salvação, paz, vida, o Espírito Santo…
📖 João 3:16
Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
📖 Efésios 2:8
Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus;
✨ Em cada dom, Cristo está dizendo: “Eu te amo, receba isso de mim com alegria.”
4. TEMPO DE QUALIDADE
Jesus sempre dedicou tempo intencional com as pessoas: Ele ouvia, caminhava junto, chorava com os que choram, explicava as Escrituras, orava com e por seus discípulos.
📖 Lucas 10:39
Tinha ela uma irmã, chamada Maria, e esta quedava-se assentada aos pés do Senhor a ouvir-lhe os ensinamentos.
📖 Apocalipse 3:20
Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo.
✨ Com cada momento dedicado, Jesus diz: “Eu te amo e quero estar com você.”
5. TOQUE FÍSICO E PROXIMIDADE
Cristo tocava os intocáveis. Curava leprosos com o toque, abraçava crianças, e até permitia que uma mulher o tocasse com fé para ser curada.
📖 Mateus 8:3
E Jesus, estendendo a mão, tocou-lhe, dizendo: Quero, fica limpo! E imediatamente ele ficou limpo da sua lepra.
📖 Marcos 8:23
Jesus, tomando o cego pela mão, levou-o para fora da aldeia e, aplicando-lhe saliva aos olhos e impondo-lhe as mãos, perguntou-lhe: Vês alguma coisa? Marcos 8:23
✨ Em cada toque, Cristo está dizendo: “Eu te amo, estou perto, e nada pode me impedir de te alcançar.”
Conclusão
Jesus não apenas falou sobre o amor — Ele viveu esse amor de maneira completa, usando cada uma dessas linguagens:
• Ele falou com encorajamento,
• Serviu com humildade,
• Deu presentes eternos,
• Passou tempo de qualidade com os que amava,
• E tocou com compaixão e proximidade.
💬 Cristo te diz “Eu te amo” de todas as formas possíveis — e Ele continua dizendo isso hoje.
Se quiser, posso montar esse conteúdo também no formato de um roteiro ou devocional para compartilhar com sua comunidade ou no canal. Deseja isso?
Marcos Peixoto – 14/04/2025
O BATISMO QUE SALVA
Fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida. Romanos 6.4.
A vida cristã começa com um chamado radical: morrer. Então, disse Jesus a seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me. Mateus 16.24. Esse tomar a cruz é o chamado para a morte, pois todo aquele que levava a cruz até o local da execução, já era considerado um morto. Só recebe a nova vida aquele que também ressuscitou com Cristo. Mas, cuidado, é comum confundir o batismo nas águas, que é um testemunho público do que Cristo fez em nossas vidas, com o batismo na morte, que é a revelação da obra de Cristo na cruz.
A dívida foi paga, portanto, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus. Ele foi o nosso substituto, não somente isso – que já é muito -, mas nos atraiu em Seu corpo na Cruz do Calvário e nos levou a morrer juntamente com Ele. Assim, fomos unidos a Cristo, tanto na morte, como no sepultamento e na ressurreição. Agora essa união com Cristo nos conduz a uma vida em santidade até a glorificação.
Quando o apóstolo Paulo diz: Fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo, está falando da união do pecador no corpo de Cristo. Esse homem do pecado, contrário a Deus, desobediente, escravo do pecado tinha um destino certo: a separação eterna de Deus. Davi reconheceu esse fato: Eu nasci na iniquidade, e em pecado me concebeu minha mãe. Salmos 51.5.
Todo aquele que foi atraído, incluído, unido a Cristo na cruz, consequentemente, morreu com Ele. Aquele que está morto não tem mais direitos, pedidos a serem realizados nem mesmo do que se orgulhar […] longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim, e eu, para o mundo. Gálatas 6.14.
O batismo na morte com Cristo não é uma escolha do homem natural. Deus é quem escolhe e o leva a Cristo. Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora. João 6.37. Também não é um batismo opcional; ele é a porta de entrada para a Nova Vida. Muitos querem os benefícios da ressurreição sem a realidade do batismo na morte com Cristo. Mas sem a morte e sepultamento do velho homem, não há ressurreição para a vida eterna com Deus. Tendo sido sepultados, juntamente com ele, no batismo, no qual igualmente fostes ressuscitados mediante a fé no poder de Deus que o ressuscitou dentre os mortos. Colossenses 2.12.
O batismo que salva é a nossa união com Cristo, não apenas representativa, mas é uma verdade e uma experiência individual e intransferível para cada cristão. Uma vez unidos a Cristo, recebemos uma nova identidade. Essa união não é meramente legal, mas real, visto que agora nós, os que cremos, estamos em Cristo. Sua morte foi a nossa morte, seu sepultamento foi o nosso sepultamento, porque estávamos n’Ele, e sua ressurreição também foi a nossa ressurreição.
Estar em Cristo é a Nova Vida. Aquele que, pela vontade do Pai, foi unido a Cristo, passou da morte para a vida, ou seja, os poderes da morte e a escravidão do pecado não podem mais exercer domínio sobre ele. Isso significa que o pecado não mais é senhor daquele que está em Cristo. O apóstolo Paulo é claro quando diz: Porque o pecado não terá domínio sobre vós; pois não estais debaixo da lei, e sim da graça. Romanos 6.14.
O homem natural está em uma condição de morto espiritual, sendo assim, ele não tem olhos para ver, ouvidos para ouvir e o menor prazer na lei do Senhor. Por isso, é desobediente e não busca a Deus. É nessa situação que Cristo veio até nós: e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, – pela graça sois salvos, e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus; Efésios 2.5-6.
A cruz é o caminho da morte, ela nos confronta com a verdade: o “eu” não pode ser reformado; ele precisa morrer. O novo nascimento não é um projeto de melhoria pessoal, mas uma transformação radical que começa com a morte do velho homem. Agora justificado, esse novo homem tem prazer na lei do Senhor. Jesus declarou: Quem ama a sua vida perde-a; mas aquele que odeia a sua vida neste mundo preservá-la-á para a vida eterna. João 12.25. O chamado é objetivo: perder a vida natural na cruz e receber uma nova vida na ressurreição com Cristo.
O Batismo que salva só foi possível, porque Cristo, o Verbo de Deus, veio a este mundo para identificar-se com a humanidade. O animal sacrificado no antigo pacto apontava para a cruz, mas não era suficiente para quitar a dívida. Mas quando João Batista viu Jesus João 1:29. […] Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo! De uma só vez, Ele levou sobre si todo pecado dos que lhe foram dados, e, de uma vez por todas, pagou toda a dívida. Pois o amor de Cristo nos constrange, julgando nós isto: um morreu por todos; logo, todos morreram. 2 Coríntios 5.14.
Charles Spurgeon declarou em seu Sermão 503 – Morte e Vida em Cristo: “Se não morrermos com Cristo, não viveremos com Ele”. O evangelho exige uma morte completa do eu, para que a vida de Cristo floresça em nós; […] para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida. Romanos 6.14.
Não existe ressurreição sem a morte. De nada vale o batismo nas águas sem o batismo na morte. Não existe batismo no Espírito Santo sem o batismo na morte com Cristo. Esse é o caminho. Ele é estreito, o caminho é a morte com Cristo, para ganhar a verdadeira vida.
Ninguém pode negar a si mesmo sem estar morto e sepultado. Isso só é possível quando Cristo vive em nós: logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim. Gálatas 2.20. Agora sim, quando Cristo é minha vida, sou capacitado pelo Espírito Santo a andar em novidade de vida, sendo santificado, buscando a glória de Deus e reconhecendo Jesus Cristo como Senhor em todas as áreas da vida.
Andar em novidade de vida envolve: a) Abandono do pecado – Fazei, pois, morrer a vossa natureza terrena: prostituição, impureza, paixão lasciva, desejo maligno e a avareza, que é idolatria; Colossenses 3.5; b) Renunciar à confiança em si mesmo – Assim diz o SENHOR: Maldito o homem que confia no homem, faz da carne mortal o seu braço e aparta o seu coração do SENHOR! Jeremias 17.5; c) Entregar e confiar os sonhos e projetos ao governo de Jesus Cristo – Confie ao Senhor tudo que você faz, e seus planos serão bem-sucedidos. Provérbios 16.3 (NVT).
Essa mortificação é diária. Paulo afirmou: levando sempre no corpo o morrer de Jesus, para que também a sua vida se manifeste em nosso corpo. 2 Coríntios 4.10. As misericórdias do Senhor se renovam a cada manhã, e todos os que foram unidos a Cristo são chamados a colocarem seus desejos no altar, tomar a cruz e seguir a Jesus. Isso significa submeter a minha vontade à vontade de Cristo.
Portanto, estar unido a Cristo impede que vivamos no pecado. Sim, estamos sujeitos ao pecado, devido à habitação em um corpo carnal, com uma natureza terrena, mas não há prazer em viver no pecado, para os que estão unidos a Cristo.
O chamado de Jesus é claro: não há vida verdadeira sem a morte do eu. A cruz é dolorosa, mas, na ressurreição, está o início de uma nova vida, uma vida de liberdade da escravidão do pecado. Todo aquele que não for batizado com o batismo que salva, na morte com Cristo, não pode andar em novidade de vida.
O batismo que salva não é um convite para sermos “um pouco melhores”; é o anúncio do fim de uma vida de escravidão, e o início de uma nova vida. “A cruz não foi o fim da nossa história, ela é o início da nossa vitória”. Aquele que está unido a Cristo tem vida espiritual e agora está sendo aperfeiçoado em conformidade com o caráter de Cristo. […] Assim como oferecestes os vossos membros para a escravidão da impureza e da maldade para a maldade, assim oferecei, agora, os vossos membros para servirem à justiça para a santificação. Romanos 6:19. Essa obra da santificação é uma ação contínua e progressiva e tão grandiosa que não cabe em nossas mentes finitas.
O batismo que salva, isto é, o batismo na morte juntamente com Cristo, não se limita apenas aos atos pecaminosos, mas erradica a raiz produtora de pecado. Entretanto é importante destacar mais uma vez que, por ainda habitarmos em um corpo carnal, temos uma natureza terrena que está sendo desconstruída. É uma luta diária, constante, pois mesmo o pecado não tendo mais domínio sobre os filhos de Deus, Satanás continua a lançar seus dardos inflamados para causar aflições, dores, dúvidas e incertezas.
Como é possível viver desse modo, nessa constante luta espiritual? Paulo apresenta a solução: Assim também vós considerai-vos mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus. Romanos 6.11. Só enfrenta essa luta espiritual quem está unido a Cristo, mas pela graça, Ele nos deixou o Espírito Santo para interceder por nós, para nos ensinar e nos conduzir nessa caminhada de mortificação da natureza terrena: Portanto, se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus. Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra; porque morrestes, e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus. Colossenses 3:1-3
Mediante todos esses fatos, os que receberam a Nova Vida necessitam:
1) Viver pela fé em Cristo, confiando em tudo que Ele já fez e faz em e por nós (Gl 5.16-18);
2) Viver em novidade de vida, pois recebemos uma nova identidade. Somos filhos amados do Pai. (Rm 8.14-17);
3) Pedir arrependimento genuíno todos os dias, e que Cristo seja glorificado em tudo (Mc 1.15);
4) Ler, meditar, orar e buscar a comunhão com os santos (Hb 10.25);
5) Não alimentar a carne, evitando ambientes, hábitos e pensamentos que fortalecem a natureza terrena (Ef. 4.22-24). Amém!
Eu citei pelo menos 10 vezes essa frase: o batismo que salva.
Minha oração que você que nos ouviu ou vai assistir pela internet, não seja engando por falsos mestres com suas mentiras.
Oração:
Marcos Peixoto – Estudo dia 19/10/2025.
NADA ME FALTARÁ
O SENHOR é o meu pastor; nada me faltará. Salmos 23.1
Muitas pessoas, inclusive cristãos, acreditam que esse texto fala, simples e exclusivamente, de coisas materiais, como bênçãos, prosperidade, saúde, vitórias, porém o salmista conhecia pessoalmente O SENHOR e, então, afirma: nada me faltará.
Davi era um homem experiente. Até chegar a ser rei e, mesmo durante seus 40 anos de reinado, passou por inúmeras provações, perseguições, traições, decepções e derrotas. Foi perseguido por Saul e depois por seu próprio filho Absalão. Ainda assim, ele guardou essa confissão em seu coração com alegria e certeza. Se pararmos por alguns instantes e meditarmos na profundidade dessa afirmação, podemos imaginar Davi dizendo em alto e bom som: O SENHOR é o meu pastor, nada me faltará.
Que alegria, que confiança, que certeza, que intimidade Davi tinha com o SENHOR para fazer essa confissão. SENHOR com letra maiúscula, está falando de Javé, aquele que existe que não tem princípio nem fim, o criador de todas as coisas, O Nome impronunciável. Ele é o Alfa e o Ômega, está no princípio, no meio e no final da bíblia. Esse SENHOR é o próprio Jesus Cristo. Se estivermos unidos a Ele, temos pleno contentamento, satisfação e assim poderemos dizer como Davi: O SENHOR é o meu pastor, de nada terei falta (NVI).
Davi, como pastor de ovelhas dedicado e cuidadoso, sabia que Deus é zeloso para com seus filhos, seu rebanho. Porque desde a antiguidade não se ouviu, nem com ouvidos se percebeu, nem com os olhos se viu Deus além de ti, que trabalha para aquele que nele espera. Isaías 64.4.
Assim como as ovelhas de Davi estavam plenamente satisfeitas com seu dono, Davi também reconhecia que, por ser um filho de Deus, poderia alegrar-se, confiar, entregar-se, descansar e agradecer (Salmos 37). Por isso, ele declara: O SENHOR é o meu pastor, e nada me faltará.
Mesmo diante das inúmeras privações, Davi não retrata nesse texto, falta de bens materiais, carência emocional ou qualquer outro sentimento com base em valores deste mundo. O salmista fala de algo superior. Mesmo enfrentando escassez, traições e perseguições de pessoas que amava, ele tinha plena convicção de que não lhe faltava nada, pois possuía um tesouro: a certeza de que era amado pelo SENHOR.
Mas cuidado! Achar que a frase “nada me faltará” funciona como um mantra que elimina dificuldades é um erro. No dia a dia, enfrentamos momentos de seca espiritual, sentimo-nos vazios e, às vezes, até achamos que Deus está distante. Passamos por dores, doenças e cansaços, e Davi expressa sua dor no Salmo 6: “Até quando?” e “Estou cansado de gemer”. Mesmo em meio ao “caos”, Davi sabia (e os filhos sabem), que o Seu Pastor é socorro bem presente nas tribulações Salmo 46.1b.
Paulo, também, nos ensina que a vida cristã envolve altos e baixos, pois ele mesmo aprendeu na prática: Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez; tudo posso naquele que me fortalece. Filipenses 4.12-13.
Isso nos ensina que, mesmo nas dificuldades, podemos confiar que Deus nos dá força para seguir em frente e que Ele é o nosso sustento, por isso nada me faltará. Da mesma forma, é importante para nós, cristãos, mantermos uma visão equilibrada da vida cristã. O próprio Jesus afirmou que: No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo. João 16.33b.
Falsos mestres e suas teologias malignas ensinam que, se alguém frequentar a “sua igreja”, obedecer à “sua doutrina” e “entregar tudo que tem”, será abençoado, eles prometem riquezas, curas, libertação e ausência de problemas, mas essas afirmações são mentirosas e diabólicas. Jesus adverte severamente esses mestres: Vós sois do diabo, que é vosso pai, e quereis satisfazer-lhe os desejos. Ele foi homicida desde o princípio e jamais se firmou na verdade, porque nele não há verdade. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira. João 8.44.
Também existem aqueles que se bastam, acreditando não precisar de Deus por possuírem bens materiais. Esquecem-se do principal: as riquezas espirituais, que estão contidas somente na pessoa de Cristo, em quem todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos. Colossenses 2.3. Jesus adverte-os: Mas Deus lhe disse: Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? Lucas 12.20.
Há ainda os que se consideram ricos espiritualmente, mas colocam o Evangelho à margem de suas vidas, ouvindo e fazendo pregações humanistas. Também são advertidos: Assim, porque és morno e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca; pois dizes: Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu. Apocalipse 3.16-17.
Por esses motivos, necessitamos de uma análise do alto em nossas vidas. Encontramos, nas Escrituras, exemplos de homens santos que amavam a Deus e eram amados por Ele,
mas sofreram provações. Eles nos inspiram a olhar firmemente para Jesus, confiar, entregar, descansar e agradecer, mesmo em meio a tribulações: Em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco. 1 Tessalonicenses 5.18. Quando agimos assim, demonstramos para nós mesmos e para os que nos cercam que: O SENHOR é o meu pastor; nada me faltará.
A grande diferença está em pertencer ao pastor certo, pois existe o Bom Pastor e o mercenário. Por isso mesmo, Jesus afirmou: Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem a mim, João 10.14. Aqueles que pertencem ao Bom Pastor sabem que são cuidados. Em oposição, estão aqueles que pertencem ao mercenário.
Esse impostor deixa faltar o básico para seu rebanho. Eles não têm pastagem verde, mas uma relva seca. Seus abrigos são vulneráveis ao ataque de predadores. Sua água é suja, contaminada e cheia de parasitas. Suas ovelhas têm carência em todas as áreas, semelhantemente estão aqueles que não estão unidos a Cristo, não pertencem ao Bom Pastor e, por consequência, estão mortos espiritualmente.
O fim dessas ovelhas, desses homens, é a doença, a fraqueza e um quadro de tristeza e sofrimento, pois não possuem esperança e não têm condição alguma de saírem de tal situação. Mas, as ovelhas do Bom Pastor não têm essa preocupação, pois confiam no que Jesus disse: Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas. João 10.11. Jesus disse essas palavras há um “rebanho perdido”, mas eles não ouviram sua voz e continuaram a seguir o impostor. As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. João 10.27.
A satisfação e o contentamento são marcas do verdadeiro cristão. Entretanto, muitos têm andado cabisbaixos e tristes, com tantas aflições. Não devemos nos esquecer das palavras de Jesus: E eis que estou convosco todos os dias até a consumação do século. Mateus 28:20b. Ler, meditar na Palavra, ter uma vida de oração e comunhão com os santos ajudam nesses momentos de angústia. Somos membros do mesmo corpo (rebanho), temos uma identidade em Cristo: somos filhos de Deus comprados pelo sangue precioso de Jesus, portanto somos amados do Pai.
Nessa caminhada cristã, estamos sendo moldados ao caráter de Cristo, não podemos tirar nossos olhos do Senhor e confiar nas coisas materiais: status, poder, amizades, ou proximidade e reconhecimento de pessoas importantes. Isso nos leva à inquietude, à insatisfação, à insegurança e a ambição. Irmãos, não esqueçam o que realmente importa: algo simples, mas com uma profundidade e riqueza imensuráveis, e que traz grande contentamento: O SENHOR é o meu pastor; nada me faltará.
Assim como Davi dedicava tempo, atenção, carinho e estava interessado no bem-estar do seu rebanho para estivessem sempre fortes e saudáveis, ele sabia que o Senhor não pouparia “esforços” em favor dos seus. Se fosse preciso, Ele daria sua vida por elas. E esse entendimento de Davi foi confirmado por Cristo: Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão. João 10.28.
Foi justamente isso que Cristo fez na cruz em nosso favor. Éramos ovelhas perdidas, carentes, doentes e fracas. O mercenário, o mau pastor, não cuida do seu rebanho, não tem qualquer amor pelas ovelhas, permitindo que elas sejam devastadas por todo tipo de pestes e predadores. Mas o Bom Pastor, Jesus Cristo, vem ao encontro de todas aquelas ovelhas que o Pai lhe deu. Ele não poupou sua própria vida para resgatá-las das mãos do impostor, a ponto de se entregar por elas, sofrer o dano, a dor, a humilhação e receber sobre si toda a maldição que estava colocada sobre o pobre rebanho.
Foi nessas condições que Cristo, O Bom Pastor, se entregou para pagar o preço do resgate por suas ovelhas. E foi um alto preço: seu sangue puro e sem pecado foi derramado em favor de muitos. Ninguém a tira de mim; pelo contrário, eu espontaneamente a dou. Tenho autoridade para a entregar e também para reavê-la. Este mandato recebi de meu Pai. João 10.18.
Cristo Jesus foi à cruz voluntariamente. Sua morte não foi solitária. Ele nos atraiu em sua morte e, assim como Ele foi ressuscitado pelo Pai, também nos deu a Sua própria vida. Ora, o Deus da paz, que tornou a trazer dentre os mortos a Jesus, nosso Senhor, o grande Pastor das ovelhas, pelo sangue da eterna aliança, Hebreus 13.20.
Essa tão grande salvação é um milagre, e cada um de nós necessita desse milagre, o Novo Nascimento, que só pode vir do alto. Não posso julgar sua vida simplesmente por um olhar externo, mas alertá-lo sobre a necessidade de estar unido a Cristo. O que digo a você é: clame ao Senhor. Peça revelação dessa maravilhosa obra realizada na cruz. Peça revelação de quem você é, em quem você está e onde você passará a eternidade.
Aqueles que estão em Cristo terão, sim, aflições e dores nesta vida. Sofrerão traições e perdas e serão perseguidos por causa de Cristo. Mas eles possuem uma certeza, uma esperança inabalável e podem confessar em alto e bom som: O SENHOR é o meu pastor; de nada terei falta.
Marcos Peixoto – (02/03/2025)
JESUS ESTÁ VOLTANDO E AGORA?
Graça e paz, meus irmãos.
É uma alegria muito grande estar com vocês nesta noite.
Quero meditar com vocês sobre um tema que desperta esperança, mas também responsabilidade:
Vamos ler inicialmente Mateus 24.29-31.
Logo em seguida à tribulação daqueles dias, o sol escurecerá, a lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do firmamento, e os poderes dos céus serão abalados. Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem; todos os povos da terra se lamentarão e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e muita glória. E ele enviará os seus anjos, com grande clangor de trombeta, os quais reunirão os seus escolhidos, dos quatro ventos, de uma a outra extremidade dos céus.
(Mateus 24.29-31 – ARA)
Oração
O tema da volta de Cristo é um assunto relacionado à escatologia, ou seja, ao estudo das últimas coisas.
Aprendi que, quando estudamos escatologia, devemos ter humildade, porque existem pontos em que cristãos fiéis possuem interpretações diferentes.
Podemos dizer que alguns temas são escritos “a lápis”, porque precisamos reconhecer os limites da nossa compreensão diante da grandeza da revelação de Deus.
Como disse o Dr. Russell Shedd:
“A escatologia não tem o objetivo de responder às minhas curiosidades, mas de despertar a minha responsabilidade.”
Por isso, nesta noite não entrarei em discussões sobre pré, meso ou pós-tribulação.
Também não entrarei em detalhes sobre as diferentes interpretações a respeito do milênio.
Creio na revelação progressiva das Escrituras e que o Espírito Santo nos conduz ao entendimento daquilo que Deus revelou.
Gosto muito do texto de Filipenses 3.16:
“Todavia, andemos de acordo com o que já alcançamos.”
Portanto, quero que você pense em três perguntas nesta noite:
1 – Você realmente crê que Jesus vai voltar?
2 – Quando Ele voltar, como encontrará você e eu?
3 – Até a sua volta, o que devemos fazer?
Essas três perguntas estão diretamente ligadas ao tema que preparei:
JESUS ESTÁ VOLTANDO E AGORA?
A promessa da volta de Cristo
O próprio Jesus falou sobre sua volta, conhecida no grego como parousia, que significa presença, chegada ou vinda.
Encontramos esse ensino nos três Evangelhos:
• Mateus 24;
• Marcos 13;
• Lucas 21.
Na ocasião, Jesus estava ensinando no Monte das Oliveiras.
Vamos tomar como base o Evangelho de Mateus, capítulo 24.
Mateus 24.1-2:
Tendo Jesus saído do templo, ia-se retirando, quando se aproximaram dele os seus discípulos para lhe mostrar as construções do templo. Ele, porém, lhes disse: Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada.
Ao ouvir essas palavras, os discípulos fizeram duas perguntas:
1 – Quando acontecerão essas coisas?
2 – Qual será o sinal da tua vinda e da consumação do século?
Jesus, como Mestre perfeito, responde essas perguntas apresentando quatro verdades importantes:
1 – Jesus apresenta uma descrição dos acontecimentos que antecederão sua volta.
2 – Jesus exorta seus discípulos e também a nós a vigiar, aguardar e perseverar.
3 – Jesus faz uma advertência sobre o juízo que virá sobre a terra e seus habitantes.
4 – Jesus fortalece seus discípulos com a promessa da recompensa por ocasião da sua volta.
O início do ensino de Jesus
O ensino de Jesus começa a partir da declaração sobre:
1 – A destruição do templo
Essa profecia teve um cumprimento histórico quando Jerusalém foi destruída no ano 70 d.C. pelo general romano Tito.
A destruição do templo marcou um momento importante na história e, dentro da interpretação escatológica, muitos entendem esse acontecimento como parte do início do período chamado por Jesus de “princípio das dores”.
Muitos outros acontecimentos vieram depois disso, e ainda vivemos nesse período aguardando o cumprimento pleno das palavras de Cristo.
Por isso, precisamos prestar muita atenção à descrição que Jesus faz sobre os acontecimentos futuros.
A pergunta dos discípulos
Eles queriam saber:
• Quando ocorrerão essas coisas?
• Quais serão os sinais desses acontecimentos?
1 – Jesus faz uma descrição dos acontecimentos
Mateus 24.4-8:
Jesus começa alertando sobre:
Falsos Cristos
Ao longo da história muitos apareceram tentando ocupar o lugar que pertence somente a Cristo.
Guerras e rumores de guerras
Nação contra nação e reino contra reino
Fomes e terremotos em vários lugares
Jesus, porém, deixa claro:
“Vede que não vos assusteis, porque é necessário assim acontecer, mas ainda não é o fim.”
(Mateus 24.6)
Não devemos ser dominados pelo medo diante desses acontecimentos, porque tudo está debaixo da soberania de Deus.
Tudo acontece dentro do kairós de Deus, o tempo determinado pelo Senhor.
Um ponto importante
Algumas pessoas dizem:
“Mas guerras sempre existiram. Desde a antiguidade existem conflitos.”
E isso é verdade.
A história humana sempre foi marcada por guerras, disputas e conflitos.
Mas precisamos observar aquilo que Jesus ensinou: não apenas a existência desses acontecimentos, mas também sua intensidade, frequência e o cenário mundial que eles produzem.
Vamos continuar. Nesta parte vamos trabalhar os sinais apresentados por Jesus em Mateus 24 e a aplicação pastoral para os jovens. Mantive seu tom de alerta, mas ajustando para que o foco principal permaneça no ensino de Cristo: não apenas observar os acontecimentos, mas viver preparado diante de Deus.
Os sinais que antecedem a volta de Cristo
Jesus continua sua resposta aos discípulos mostrando que esses acontecimentos fariam parte de um período de preparação para aquilo que viria.
Precisamos entender que Jesus não apresentou esses sinais para satisfazer nossa curiosidade sobre datas ou momentos específicos, mas para despertar em nós vigilância, perseverança e fidelidade.
Como Ele mesmo disse:
“Vede que não vos assusteis, porque é necessário assim acontecer; mas ainda não é o fim.”
(Mateus 24.6)
Os acontecimentos do mundo não estão fora do controle de Deus.
Mesmo em meio às guerras, crises, sofrimentos e instabilidades, Deus continua governando a história.
Guerras e conflitos entre as nações
Jesus disse:
“Porquanto se levantará nação contra nação, reino contra reino…”
(Mateus 24.7)
Ao longo da história, sempre existiram guerras e conflitos.
O Antigo Testamento está repleto de relatos de guerras entre povos e nações.
Também sabemos que, no século XX, o mundo enfrentou duas grandes guerras mundiais, além de diversos outros conflitos:
• Guerra do Vietnã;
• Guerra da Coreia;
• Guerra Fria;
• conflitos no Oriente Médio;
• guerras civis em diferentes países;
• conflitos na África e na Ásia.
E ainda hoje vemos guerras e ameaças entre nações.
O conflito entre Rússia e Ucrânia, por exemplo, trouxe novamente ao mundo o temor de uma instabilidade global maior, envolvendo questões econômicas, energéticas e políticas.
Também observamos tensões entre grandes potências mundiais e conflitos em diferentes regiões.
Mas precisamos lembrar:
Jesus não disse que cada guerra seria automaticamente o sinal do fim.
Ele disse que essas coisas seriam o princípio das dores.
Ou seja, esses acontecimentos apontam para uma realidade maior: a humanidade caminha para o cumprimento dos propósitos de Deus.
Fome e sofrimento no mundo
Jesus também afirmou:
“…e haverá fomes…”
(Mateus 24.7)
A fome sempre esteve presente na história humana.
Milhões de pessoas ainda sofrem com pobreza extrema, falta de recursos básicos e crises alimentares.
Além do sofrimento humano, crises em uma determinada região podem afetar pessoas em outras partes do mundo.
Um problema econômico, uma guerra ou uma instabilidade política em uma nação pode produzir consequências globais.
Mas Jesus novamente nos lembra:
Isso ainda é o princípio das dores.
Terremotos em vários lugares
Jesus também disse:
“…e terremotos em vários lugares.”
(Mateus 24.7)
Todos os anos milhares de tremores acontecem em diferentes regiões do planeta. Muitos deles são pequenos e nem são percebidos pelas pessoas.
Outros, porém, causam grandes destruições.
Nos últimos anos vimos terremotos de grande impacto, como o ocorrido na Turquia e Síria, além de outros terremotos históricos registrados em diferentes partes do mundo.
Alguns podem dizer:
“Mas terremotos sempre aconteceram. Hoje apenas temos mais tecnologia para medir.”
E existe verdade nisso. A tecnologia realmente nos permite identificar eventos que antes não eram registrados.
Porém, a questão principal não é apenas observar um terremoto isolado, mas perceber que Jesus nos chamou a estar atentos aos sinais e a permanecer preparados.
O problema não é a informação que recebemos.
O problema é quando o coração humano vê todos esses acontecimentos e continua indiferente à voz de Deus.
Como Pedro escreveu:
“Nos últimos dias, virão escarnecedores com os seus escárnios, andando segundo as próprias paixões e dizendo: Onde está a promessa da sua vinda?”
(2 Pedro 3.3-4)
Perseguição, apostasia e esfriamento do amor
Jesus continua dizendo:
“Então, sereis atribulados, e vos matarão. Sereis odiados de todas as nações, por causa do meu nome.”
(Mateus 24.9)
E também:
“Levantar-se-ão muitos falsos profetas e enganarão a muitos. E, por se multiplicar a iniquidade, o amor se esfriará de quase todos.”
(Mateus 24.11-12)
Jesus fala de algo ainda mais profundo do que crises externas.
Ele fala de uma crise espiritual.
A humanidade não enfrentará apenas problemas políticos, econômicos ou sociais, mas também um aumento da rejeição contra Deus e contra sua Palavra.
Cada vez mais vemos:
• falta de temor ao Senhor;
• relativização da verdade bíblica;
• pessoas tratando o pecado como algo normal;
• rejeição dos princípios estabelecidos por Deus;
• zombaria daqueles que desejam permanecer fiéis a Cristo.
Muitos dizem:
“A Bíblia é um livro ultrapassado.”
“Os valores cristãos precisam ser atualizados.”
“Jesus estava errado em alguns aspectos.”
Mas a Palavra de Deus permanece eterna.
O problema nunca será a Palavra precisar se adaptar ao homem.
O problema é o homem precisar se submeter à Palavra de Deus.
O que Jesus espera de nós diante disso?
A pergunta não deve ser apenas:
“Será que Jesus está voltando?”
A pergunta mais importante é:
“Eu estou preparado para encontrá-lo?”
Porque os sinais não foram dados para alimentar especulações, mas para conduzir o povo de Deus a uma vida de vigilância.
Por isso Jesus continua dizendo:
“Aquele, porém, que perseverar até o fim, esse será salvo.”
(Mateus 24.13)
Perseverar até o fim
Perseverar significa:
• permanecer;
• continuar firme;
• não abandonar a fé;
• não fugir diante das dificuldades;
• permanecer confiando em Cristo.
Meus queridos jovens, eu sei que os dias são difíceis.
As ofertas do pecado são constantes.
As tentações estão cada vez mais próximas.
Existe uma pressão enorme para que vocês abandonem os valores de Cristo e sigam o padrão deste mundo.
Mas essa luta não é apenas dos jovens.
A batalha espiritual envolve todos os discípulos de Jesus.
A investida de Satanás é contra Cristo e contra todos aqueles que pertencem a Ele.
Por isso precisamos permanecer firmes na Palavra, vivendo e anunciando o verdadeiro Evangelho: a morte e ressurreição de Cristo.
Paulo nos orienta:
“Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo.”
(Efésios 6.11)
E:
“Estai, pois, firmes, cingindo-vos com a verdade e vestindo-vos da couraça da justiça.”
(Efésios 6.14)
Vamos continuar. Agora entramos em uma parte muito importante do estudo: o juízo de Deus e a necessidade de estar preparado para a volta de Cristo.
Aqui fiz alguns cuidados especiais:
• mantive sua ênfase na realidade do juízo;
• preservei a urgência do chamado ao arrependimento;
• ajustei algumas afirmações escatológicas para ficarem mais firmadas no texto bíblico, sem afirmar como certeza aquilo que pertence ao campo interpretativo.
3 – Jesus faz uma advertência sobre o juízo que virá sobre a terra e seus moradores
Depois de ensinar sobre os sinais e sobre a necessidade de perseverar, Jesus apresenta uma realidade que muitas vezes é esquecida: a sua volta não será apenas um momento de esperança para os salvos, mas também um momento de juízo para aqueles que rejeitaram a Deus.
A volta de Cristo revelará o verdadeiro estado espiritual de cada pessoa.
Jesus ensina isso em Mateus 25, na parábola das ovelhas e dos cabritos.
Vamos ler Mateus 25.31-34:
“Quando vier o Filho do Homem na sua majestade e todos os anjos com ele, então, se assentará no trono da sua glória; e todas as nações serão reunidas em sua presença, e ele separará uns dos outros, como o pastor separa dos cabritos as ovelhas; e porá as ovelhas à sua direita, mas os cabritos, à esquerda; então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo.”
Essa passagem mostra que haverá uma separação definitiva.
Não haverá uma terceira categoria.
Não haverá neutralidade diante de Cristo.
A humanidade será revelada diante do Rei.
A grande questão não será nossa aparência religiosa, nossa posição social, nosso conhecimento bíblico ou nossas realizações humanas.
A pergunta será:
Pertencemos verdadeiramente a Cristo?
Porque o destino final será completamente diferente.
Jesus conclui:
“E irão estes para o castigo eterno, porém os justos, para a vida eterna.”
(Mateus 25.46)
A eternidade é uma realidade.
O céu é uma realidade.
O juízo também é uma realidade.
Por isso a mensagem da volta de Cristo nunca pode ser apenas uma mensagem de curiosidade sobre acontecimentos futuros, mas deve ser um chamado para arrependimento e fé verdadeira.
Tempos difíceis
Jesus também falou sobre um período de grande sofrimento:
“Porque nesse tempo haverá grande tribulação, como desde o princípio do mundo até agora não tem havido e nem haverá jamais.”
(Mateus 24.21)
E continua:
“Não tivessem aqueles dias sido abreviados, ninguém seria salvo; mas, por causa dos escolhidos, tais dias serão abreviados.”
(Mateus 24.22)
Esse texto nos mostra duas verdades importantes:
Primeiro, que haverá momentos de grande aflição.
Segundo, que Deus continua soberano mesmo nos períodos mais difíceis.
A tribulação não estará fora do controle do Senhor.
Até mesmo os acontecimentos que parecem caóticos aos olhos humanos continuam debaixo da autoridade de Deus.
O alerta do apóstolo Paulo
Paulo também escreveu aos irmãos de Tessalônica alertando sobre acontecimentos que precederiam a manifestação do Senhor.
2 Tessalonicenses 2.3-6:
“Ninguém, de nenhum modo, vos engane, porque isto não acontecerá sem que primeiro venha a apostasia e seja revelado o homem da iniquidade, o filho da perdição, o qual se opõe e se levanta contra tudo que se chama Deus ou é objeto de culto, a ponto de assentar-se no santuário de Deus, ostentando-se como se fosse o próprio Deus. Não vos recordais de que, ainda convosco, eu costumava dizer-vos estas coisas? E, agora, sabeis o que o detém, para que ele seja revelado somente em ocasião própria.”
A Bíblia nos alerta que haverá oposição intensa contra Deus e contra sua verdade.
Ao longo da história, muitos tentaram identificar pessoas específicas como sendo o anticristo.
Mas precisamos ter cuidado.
A Escritura nos chama mais para vigilância espiritual do que para especulações.
O ponto principal não é descobrir um nome, uma pessoa ou uma data.
O ponto principal é permanecer fiel a Cristo.
A necessidade de guardar a Palavra
Jesus nos advertiu sobre o engano.
Por isso precisamos ser como os bereanos:
“Ora, estes de Bereia eram mais nobres que os de Tessalônica; pois receberam a palavra com toda a avidez, examinando as Escrituras todos os dias para ver se as coisas eram, de fato, assim.”
(Atos 17.11)
Precisamos conhecer a Palavra.
Precisamos comparar tudo com as Escrituras.
Precisamos tomar cuidado com o engano espiritual.
Nem tudo aquilo que carrega o nome de cristão realmente representa Cristo.
Voltando ao nosso tema:
JESUS ESTÁ VOLTANDO E AGORA?
A pergunta continua sendo:
Como será a volta de Cristo?
Jesus responde em Mateus 24.27:
“Porque, assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até no ocidente, assim há de ser a vinda do Filho do Homem.”
A volta de Cristo será:
• visível;
• gloriosa;
• inesperada;
• incontestável.
Ninguém precisará anunciar que Cristo voltou.
Assim como um relâmpago ilumina todo o céu, a manifestação do Filho do Homem será percebida por todos.
A esperança dos discípulos
Quero ler agora Lucas 21.25-28:
“Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas; sobre a terra, angústia entre as nações em perplexidade por causa do bramido do mar e das ondas; haverá homens que desmaiarão de terror e pela expectativa das coisas que sobrevirão ao mundo; pois os poderes dos céus serão abalados. Então, se verá o Filho do Homem vindo numa nuvem, com poder e grande glória. Ora, ao começarem estas coisas a suceder, exultai e erguei a vossa cabeça; porque a vossa redenção se aproxima.”
Observe a diferença:
O mundo olha para esses acontecimentos com medo.
O discípulo de Cristo olha com esperança.
Por quê?
Porque a promessa não é apenas que os acontecimentos finais virão.
A promessa é que Cristo virá.
Por isso Jesus diz:
“Exultai e erguei a vossa cabeça, porque a vossa redenção se aproxima.”
Essa é a esperança do cristão.
Vamos continuar. Agora entramos na parte mais pastoral do estudo: a resposta que a volta de Cristo exige de nós hoje.
Aqui está o momento em que a mensagem deixa de olhar apenas para os acontecimentos futuros e confronta o coração: se Jesus está voltando, como devemos viver agora?
Mantive sua estrutura das três perguntas e fortalecei a aplicação para os jovens.
RESPONDENDO ÀS NOSSAS TRÊS PERGUNTAS
Depois de observarmos aquilo que Jesus ensinou sobre sua volta, precisamos voltar às três perguntas que fiz no início:
1 – Você realmente crê que Jesus vai voltar?
A primeira pergunta não é apenas se acreditamos intelectualmente na segunda vinda de Cristo.
A pergunta é:
Essa verdade governa a maneira como estamos vivendo?
A volta de Jesus é uma promessa clara das Escrituras.
Ele mesmo disse:
“Voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, estejais vós também.”
(João 14.3)
Se Deus abriu nossos olhos para essa verdade, se fomos alcançados pela graça e recebemos essa esperança, então devemos permanecer firmes.
Mas se alguém ainda tem dúvidas, se ainda não compreende plenamente essas verdades, a resposta não deve ser simplesmente ignorar.
A resposta deve ser buscar ao Senhor.
Clame por misericórdia.
Peça que Deus revele a grandeza da obra de Cristo realizada na cruz.
Peça um coração regenerado, uma fé verdadeira e uma compreensão cada vez maior do Evangelho.
2 – Quando Ele voltar, como encontrará você e eu?
Essa é uma pergunta que precisa nos confrontar.
Quando Cristo voltar, Ele encontrará pessoas apenas ocupadas com as coisas desta vida ou encontrará discípulos esperando por Ele?
Ele encontrará uma geração apaixonada pelo mundo ou uma geração que ama a Cristo?
A Bíblia nos chama a viver:
Em santidade diante de Deus.
Sendo transformados diariamente à imagem de Cristo.
Caminhando em arrependimento.
Buscando obedecer à Palavra.
Produzindo frutos que evidenciam uma vida regenerada.
Mas precisamos também fazer uma advertência.
Se alguém tem vivido uma vida distante de Deus, uma vida sem arrependimento, sem temor e sem compromisso com Cristo, essa pessoa precisa examinar seu coração.
A solução não é apenas tentar melhorar o comportamento.
A necessidade é muito mais profunda.
É necessário o novo nascimento.
É necessário que Deus revele a obra de Cristo na cruz.
É necessário passar da morte para a vida.
Como Jesus disse:
“Importa-vos nascer de novo.”
(João 3.7)
3 – Até a sua volta, o que devemos fazer?
Enquanto aguardamos a volta de Cristo, não fomos chamados para viver de braços cruzados.
Fomos chamados para uma missão.
Devemos ser:
• testemunhas;
• anunciadores do Evangelho;
• servos fiéis;
• luz no meio das trevas.
A nossa vida precisa anunciar Cristo.
As pessoas precisam perceber a obra de Jesus em nós:
• no nosso falar;
• no nosso comportamento;
• nos nossos relacionamentos;
• nas nossas escolhas;
• na maneira como enfrentamos as dificuldades.
A maior pregação que muitos verão será uma vida transformada pelo Evangelho.
O chamado do atalaia
No Antigo Testamento, o atalaia tinha uma responsabilidade muito séria.
Ele ficava em um lugar elevado observando se algum perigo se aproximava.
Quando percebia a ameaça, deveria tocar a trombeta e avisar o povo.
Se o atalaia avisasse e o povo não desse atenção, ele estava livre da responsabilidade.
Mas se ele visse o perigo e permanecesse em silêncio, seria responsabilizado.
Da mesma forma, nós fomos chamados a anunciar a verdade de Deus.
Não podemos guardar o Evangelho apenas para nós.
Precisamos proclamar a mensagem de salvação.
Como Deus disse ao profeta:
Ezequiel 33.7-9:
“A ti, pois, ó filho do homem, te constituí por atalaia sobre a casa de Israel; tu, pois, ouvirás a palavra da minha boca e lhes darás aviso da minha parte. Quando eu disser ao perverso: Ó perverso, certamente morrerás; e tu não falares, para avisar o perverso do seu caminho, morrerá ele na sua iniquidade, mas o seu sangue da tua mão o requererei. Mas, se falares para avisar o perverso do seu caminho, para que dele se converta, e ele não se converter do seu caminho, morrerá ele na sua iniquidade, mas tu livraste a tua alma.”
PARA NÓS QUE FOMOS ALCANÇADOS PELA GRAÇA
Para aquele que pertence a Cristo, a volta de Jesus não deve produzir terror.
Ela deve produzir esperança.
A volta de Cristo é:
1 – Nosso consolo nas tristezas
1 Tessalonicenses 4.17-18:
“Depois, nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre com o Senhor. Consolai-vos, pois, uns aos outros com estas palavras.”
A esperança da volta de Cristo consola aqueles que sofrem.
A separação causada pela morte não terá a palavra final.
Cristo vencerá definitivamente a morte.
2 – Nosso descanso e alegria nas perseguições
2 Tessalonicenses 1.7:
“E a vós outros, que sois atribulados, alívio juntamente conosco, quando do céu se manifestar o Senhor Jesus com os anjos do seu poder.”
O sofrimento presente não se compara à glória que será revelada.
Deus conhece as lágrimas dos seus filhos e promete justiça perfeita.
3 – Nosso estímulo para uma vida de santificação
1 João 3.3:
“E a si mesmo se purifica todo o que nele tem esta esperança, assim como ele é puro.”
(ARA)
A esperança da volta de Cristo não nos leva à acomodação.
Ela nos leva à santidade.
Quem espera Cristo deseja parecer-se com Cristo.
4 – Nossa confissão de esperança
Hebreus 10.23:
“Guardemos firme a confissão da esperança, sem vacilar, pois quem fez a promessa é fiel.”
(NVT)
Nossa esperança não está baseada nas circunstâncias do mundo.
Está baseada na fidelidade daquele que prometeu.
5 – Nossa segurança e força nas tribulações
Tiago 5.7-8:
“Por isso, irmãos, sejam pacientes enquanto esperam a volta do Senhor. Vejam como os lavradores esperam pacientemente as chuvas do outono e da primavera. Com grande expectativa, aguardam o amadurecimento de sua preciosa colheita. Sejam também pacientes. Fortaleçam-se em seu coração, pois a vinda do Senhor está próxima.”
(NVT)
6 – Nossa força e firmeza
1 Pedro 1.13:
“Portanto, preparem sua mente para a ação e exercitem o autocontrole. Depositem toda a sua esperança na graça que receberão quando Jesus Cristo for revelado.”
(NVT)
JESUS ESTÁ VOLTANDO E AGORA?
Depois de tudo aquilo que ouvimos, a pergunta permanece:
Se Jesus está voltando, como devemos viver hoje?
A volta de Cristo não deve ser apenas uma informação sobre o futuro.
Ela precisa transformar o presente.
Quem realmente espera Cristo voltar não vive de qualquer maneira.
A esperança da volta do Senhor produz vigilância, santidade, perseverança e testemunho.
1 – Guardar a Palavra no coração
Em primeiro lugar, precisamos guardar a Palavra de Deus no coração e tê-la presente em nossa mente, porque ela nos sustenta e nos dá esperança.
Vivemos em um mundo cheio de vozes.
Muitas opiniões disputam nossa atenção.
Muitas ideias tentam substituir a verdade de Deus.
Por isso precisamos conhecer profundamente as Escrituras.
O salmista declarou:
“Guardo no coração as tuas palavras, para não pecar contra ti.”
(Salmos 119.11)
A Palavra de Deus nos protege contra o pecado, contra o engano e contra os falsos ensinamentos.
Também precisamos lembrar aquilo que Deus já fez.
“Quero trazer à memória o que me pode dar esperança.”
(Lamentações 3.21)
Quando guardamos as promessas de Deus, encontramos forças para permanecer firmes.
2 – Estar atentos aos sinais e permanecer vigilantes
Jesus nos ensinou:
“Portanto, vigiai, porque não sabeis em que dia vem o vosso Senhor.”
(Mateus 24.42)
A vigilância bíblica não significa viver tentando descobrir datas ou fazendo previsões.
Significa viver preparado todos os dias.
É uma vida de comunhão com Deus, arrependimento, oração e obediência.
Jesus também disse:
“Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca.”
(Mateus 26.41)
Precisamos reconhecer nossa fragilidade e depender diariamente da graça de Deus.
Jesus também advertiu a igreja de Éfeso:
“Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e volta à prática das primeiras obras; e, se não, venho a ti e moverei do seu lugar o teu candeeiro, caso não te arrependas.”
(Apocalipse 2.5)
Uma igreja pode continuar tendo aparência religiosa e, ao mesmo tempo, perder aquilo que é essencial: o amor por Cristo.
Por isso precisamos examinar constantemente nosso coração.
A pergunta não é apenas:
“Eu estou frequentando uma igreja?”
Mas:
“Eu continuo amando Cristo? Minha vida demonstra que pertenço a Ele?”
3 – Necessitamos perseverar firmes na fé em Cristo
A espera pela volta de Jesus não é uma espera passiva.
É uma caminhada de fidelidade.
Somos chamados a permanecer firmes nas promessas de Cristo.
Paulo escreveu:
“Perseverai na oração, vigiando com ações de graças.”
(Colossenses 4.2)
E Jesus nos lembra:
“Ora, ao começarem estas coisas a suceder, exultai e erguei a vossa cabeça; porque a vossa redenção se aproxima.”
(Lucas 21.28)
Observe algo maravilhoso:
O mesmo acontecimento que causa desespero para muitos causa esperança para os filhos de Deus.
Porque nossa esperança não está no mundo melhorar.
Nossa esperança está em Cristo voltar.
4 – Os salvos, os regenerados, os que nasceram de novo são testemunhas vivas de Cristo
Aqueles que foram alcançados pela graça receberam uma missão.
Não fomos salvos apenas para escapar do juízo.
Fomos salvos para anunciar a grandeza daquele que nos salvou.
Deus declarou:
“Vós sois as minhas testemunhas, diz o SENHOR, o meu servo a quem escolhi; para que o saibais, e me creiais, e entendais que sou eu mesmo, e que antes de mim deus nenhum se formou, e depois de mim nenhum haverá.”
(Isaías 43.10)
Nossa vida deve apontar para Cristo.
As pessoas precisam enxergar o Evangelho não apenas nas nossas palavras, mas também nas nossas atitude
Meus queridos irmãos
A volta de Jesus está próxima.
Não sabemos o dia nem a hora.
Mas sabemos que Ele virá.
Por isso precisamos nos apegar às coisas que realmente têm valor eterno.
Sim, devemos trabalhar.
Devemos estudar.
Devemos construir uma família.
Devemos cumprir nossas responsabilidades nesta vida.
Tudo isso faz parte da nossa caminhada.
Mas jamais podemos viver como se esta terra fosse nosso destino final.
Precisamos estar preparados para que, se o Senhor voltar hoje ou se Ele nos chamar hoje, estejamos firmados na Rocha que é Cristo.
Que o Senhor conserve a vida de cada um de vocês como testemunhas fiéis da obra de Cristo até a sua volta.
25/02/23
NOSSA UNIÃO COM CRISTO – EFÉSIOS 2.1–10
Texto base (ARA)
1 Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados,
2 nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência;
3 entre os quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais.
4 Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou,
5 e, estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo — pela graça sois salvos —
6 e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus;
7 para mostrar, nos séculos vindouros, a suprema riqueza da sua graça, em bondade para conosco, em Cristo Jesus.
8 Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus;
9 não de obras, para que ninguém se glorie.
10 Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas.
PARTE 1
Creio que uma das doutrinas mais importantes das Escrituras é a da nossa união com Cristo, ou da nossa inclusão em sua morte e ressurreição.
Sem essa realidade, nenhuma das demais doutrinas pode ser corretamente compreendida, porque tudo o que Deus concedeu ao seu povo foi dado em Cristo Jesus. Não existe salvação, justificação, adoção, santificação ou glorificação fora dele. Tudo o que Deus tem para nós está na pessoa de seu Filho.
É justamente essa verdade que o apóstolo Paulo destaca neste texto de Efésios.
Antes de mostrar quem somos hoje em Cristo, Paulo faz questão de lembrar quem éramos sem Cristo.
Qual era a nossa condição?
O versículo 1 nos diz:
“Estando vós mortos nos vossos delitos e pecados.”
Delito é o desvio da verdade.
Pecado é errar o alvo estabelecido por Deus.
Essa era a nossa condição: estávamos mortos para Deus, condenados à morte eterna, separados da comunhão com Ele e incapazes de produzir qualquer vida espiritual em nós mesmos.
É importante entendermos que Paulo não descreve pessoas espiritualmente enfermas, mas espiritualmente mortas. Um morto não reage, não busca a Deus por iniciativa própria e não possui capacidade de gerar vida em si mesmo. Era exatamente essa a nossa situação antes da ação soberana da graça de Deus.
Cada um de nós possuía uma história diferente. Alguns viveram uma vida marcada por pecados mais visíveis; outros, por pecados menos aparentes aos olhos das pessoas. No entanto, diante de Deus, todos estavam igualmente mortos em seus delitos e pecados.
Nos versículos 2 e 3, Paulo descreve como vivíamos antes da conversão:
“Nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência; entre os quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais.”
Esse é o diagnóstico divino de todo aquele que ainda não possui a vida de Cristo.
1 – Dominado pelo mundo;
2 – Dominado por Satanás;
3 – Dominado pela carne;
4 – Filho da ira;
5 – Sem esperança;
6 – Sem Deus.
Essa era a nossa condição e continua sendo a condição de todo aquele que ainda não nasceu de novo, que ainda não foi unido a Cristo pela graça de Deus.
Não importa se alguém nasceu em uma família estruturada, recebeu excelente educação, possui boa condição financeira ou frequenta uma igreja desde pequeno. Nenhuma dessas coisas pode qualificar uma pessoa para estar diante de Deus.
Todas essas vantagens podem esconder o pecado aos olhos dos homens, mas jamais diante de Deus.
Por isso, quando Deus nos vivificou, concedendo-nos vida juntamente com Cristo e nos dando fé para crer no Evangelho, tudo aquilo em que antes poderíamos confiar perdeu completamente o seu valor diante dele. Toda confiança na carne tornou-se inútil, pois somente Cristo é suficiente para a nossa salvação.
PARTE 2
Até este ponto, Paulo apresentou o nosso diagnóstico: mortos em delitos e pecados, escravos do mundo, da carne e de Satanás, e, por natureza, filhos da ira.
Mas então surge uma das expressões mais gloriosas de toda a Escritura:
“Mas Deus…”
Quando tudo parecia perdido, quando não havia qualquer esperança em nós mesmos, Deus entrou em cena. A salvação não começou com uma decisão humana, mas com a iniciativa soberana do próprio Deus.
Os versículos 4 e 5 dizem:
“Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e, estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo — pela graça sois salvos.”
Observe que Paulo não diz que Deus encontrou pessoas buscando por Ele. Também não diz que viu algum mérito em nós. Pelo contrário, ele reforça novamente que ainda estávamos mortos quando Deus nos deu vida juntamente com Cristo.
Foi Deus quem tomou a iniciativa.
Foi Deus quem amou.
Foi Deus quem vivificou.
Foi Deus quem salvou.
Tudo começou nele, e tudo foi realizado por meio de Cristo.
Quais os benefícios da nossa união com Cristo?
Ao sermos unidos a Cristo, recebemos tudo aquilo que Ele conquistou por nós.
1 – Fomos vivificados.
Estávamos mortos espiritualmente, mas Deus nos deu vida juntamente com Cristo.
2 – Fomos salvos da condenação eterna.
A ira de Deus, que justamente pesava sobre nós, foi satisfeita na cruz de Cristo.
3 – Fomos assentados com Cristo nos lugares celestiais.
Nossa posição diante de Deus mudou completamente. Não precisamos conquistar a salvação por meio de esforços ou méritos pessoais, porque, em Cristo, já fomos aceitos pelo Pai.
4 – Recebemos uma nova vida, que produz boas obras.
As boas obras não são a causa da salvação, mas o resultado inevitável de uma vida transformada pela graça.
5 – Fomos aproximados de Deus.
Antes éramos inimigos; agora, em Cristo, fomos reconciliados com o Pai.
6 – Passamos a fazer parte da família de Deus.
Já não somos estrangeiros nem forasteiros, mas filhos e herdeiros juntamente com Cristo.
7 – Estamos firmados sobre a Rocha.
Nosso fundamento não está em nossas obras, emoções ou desempenho espiritual, mas em Cristo, a Rocha eterna.
8 – Vivemos debaixo da promessa do Senhor.
“De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei.”
Essa segurança não está baseada na nossa fidelidade, mas na fidelidade daquele que prometeu.
Deus é infinitamente rico
Quando Paulo afirma que Deus é rico em misericórdia, ele não está dizendo que esse é o único atributo abundante em Deus. As Escrituras mostram a infinita riqueza da sua graça em diversos aspectos.
Deus é rico em:
1 – Longanimidade (Rm 2.4);
2 – Glória (Rm 9.23);
3 – Graça (Ef 1.7);
4 – Misericórdia (Ef 2.4);
5 – Herança (Ef 1.18);
6 – As insondáveis riquezas de Cristo (Ef 3.8).
Além disso, vemos essas riquezas sendo derramadas sobre o seu povo:
• Rico em misericórdia para o pecador (Ef 2.4);
• Graça abundante para o maior dos devedores (1Tm 1.14-15);
• Compaixão para com o arrependido (Lc 15.20);
• Perdão completo para aquele que confessa os seus pecados (1Jo 1.9).
“Mas Deus…”
Essa pequena expressão muda completamente a história da humanidade.
Mas Deus nos amou de tal maneira que deu o seu Filho unigênito (Jo 3.16).
Mas Deus, sendo justo, lançou sobre Cristo a culpa do seu povo, para que nele fôssemos feitos justiça de Deus (2Co 5.21; Is 53.6).
Mas Deus, sendo misericordioso, aceitou plenamente o sacrifício único e perfeito de Cristo na cruz.
Mas Deus nos concedeu o privilégio de sermos feitos seus filhos, por meio de Cristo (Jo 1.12).
Percebem como essa expressão é extraordinária?
E poderíamos continuar:
Mas Cristo, sendo obediente até a morte, cumpriu perfeitamente a vontade do Pai.
Mas Cristo não permaneceu na sepultura. O Pai o ressuscitou dentre os mortos, e, por sua ressurreição, recebemos uma nova vida.
Mas Cristo nos amou de tal maneira que enviou o Espírito Santo para habitar em nós, consolar-nos, ensinar-nos, lembrar-nos de suas palavras e convencer o mundo do pecado, da justiça e do juízo.
PARTE 3
Os versículos 6 e 7 nos dizem:
“E, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus; para mostrar, nos séculos vindouros, a suprema riqueza da sua graça, em bondade para conosco, em Cristo Jesus.”
Como aconteceu a nossa união com Cristo?
Estávamos mortos em nossos delitos e pecados, incapazes de nos aproximar de Deus. Então, por sua graça, Deus nos deu vida juntamente com Cristo.
Nossa união com Cristo aconteceu pela ação soberana de Deus. Fomos incluídos na obra realizada por seu Filho. Sua morte tornou-se a nossa morte; sua ressurreição tornou-se a nossa ressurreição; e sua vida tornou-se a nossa vida.
Esse é o coração do Evangelho.
O Evangelho não anuncia apenas que Cristo morreu e ressuscitou. Ele anuncia que, pela graça de Deus, fomos unidos a Cristo, de modo que participamos dos benefícios de sua morte, de sua ressurreição e de sua vida.
Por isso, toda a nossa esperança está nele. Não vivemos para tentar conquistar aquilo que Cristo já conquistou por nós. Vivemos porque fomos unidos àquele que venceu o pecado, a morte e o inferno.
Essa união nos garante uma posição completamente nova diante de Deus.
O que recebemos por estarmos unidos a Cristo?
1 – Fomos crucificados com Cristo.
“Sabendo isto: que foi crucificado com ele o nosso velho homem…” (Rm 6.6)
“Estou crucificado com Cristo…” (Gl 2.19-20)
Nosso velho homem foi crucificado com Cristo. A condenação que pesava sobre nós foi levada por Ele na cruz.
2 – Fomos sepultados com Cristo.
“Fomos, pois, sepultados com ele…” (Rm 6.4)
O sepultamento aponta para o fim definitivo da velha vida. Deus não reformou o velho homem; em Cristo, Ele declarou o fim da nossa antiga condição.
3 – Fomos vivificados com Cristo.
“…nos deu vida juntamente com Cristo…” (Ef 2.5)
A vida espiritual não nasceu em nós por esforço próprio. Ela foi concedida por Deus quando nos uniu ao seu Filho.
4 – Fomos ressuscitados com Cristo.
“…juntamente com ele nos ressuscitou…” (Ef 2.6)
Assim como Cristo venceu a morte, também recebemos uma nova vida. Já não pertencemos ao domínio da morte, mas ao reino do Filho amado.
5 – Somos coerdeiros com Cristo.
“Se somos filhos, somos também herdeiros…” (Rm 8.17)
Tudo aquilo que pertence ao Filho nos é concedido pela graça, porque fomos feitos participantes da família de Deus.
6 – Seremos glorificados com Cristo.
“…se com ele sofremos, para que também com ele sejamos glorificados.” (Rm 8.17)
Nossa glorificação ainda será plenamente revelada, mas sua certeza está garantida porque estamos unidos àquele que já foi glorificado pelo Pai.
Percebam que tudo isso está ligado à nossa união com Cristo.
Não existe uma única bênção espiritual que seja concedida fora dele.
Não fomos unidos apenas aos ensinos de Cristo.
Não fomos unidos apenas ao exemplo de Cristo.
Fomos unidos à própria pessoa de Cristo.
É por isso que Paulo repete tantas vezes a expressão:
“Em Cristo.”
Toda a vida cristã acontece em Cristo.
Toda a nossa aceitação acontece em Cristo.
Toda a nossa esperança está em Cristo.
Toda a nossa segurança está em Cristo.
Toda a nossa herança está em Cristo.
Fora dele, permanecemos mortos em nossos pecados.
Nele, recebemos tudo aquilo que Deus preparou para os seus filhos.
E qual é a nossa posição diante de Deus?
As Escrituras respondem com clareza:
“…para sermos santos e irrepreensíveis perante ele…” (Efésios 1.4).
Deus nos vê em Cristo.
Isso significa que nossa aceitação diante dele não está fundamentada em nosso desempenho espiritual, mas na perfeita justiça de Cristo que nos foi imputada.
Essa verdade não produz acomodação, mas gratidão.
Quem foi unido a Cristo passa a viver de maneira diferente, não para conquistar o favor de Deus, mas porque já foi alcançado por esse favor.
Essa nova vida torna-se visível em todas as áreas da existência.
Na família.
No trabalho.
No trânsito.
Nos negócios.
Na igreja.
No serviço cristão.
Em qualquer lugar, a união com Cristo produz um novo modo de viver.
Nossa vida passa a refletir o caráter daquele que habita em nós.
Assim, as pessoas não enxergam apenas mudanças externas, mas percebem a bondade, a graça e o amor de Deus sendo manifestados na vida daqueles que pertencem a Cristo.
PARTE 4
Nossa união com Cristo não é por mérito humano
Paulo conclui esse trecho mostrando que nossa união com Cristo não aconteceu por causa das nossas obras ou de qualquer mérito encontrado em nós.
Os versículos 8 a 10 dizem:
“Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie. Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas.”
Esse texto destrói completamente qualquer tentativa humana de atribuir a si mesmo algum motivo de glória diante de Deus.
A salvação é pela graça.
A fé é o meio pelo qual recebemos essa salvação.
E até mesmo essa fé não nasce da capacidade humana, mas é dom concedido por Deus.
Não existe espaço para orgulho espiritual.
Não existe espaço para dizer: “Eu fui salvo porque fui melhor que os outros.”
Não existe espaço para dizer: “Eu alcancei Deus porque busquei mais.”
A única resposta correta diante da salvação é a adoração e a gratidão, porque tudo vem dele.
Como Paulo declara:
“Para que ninguém se glorie.”
A graça em nossa vida
A graça não é apenas o ponto inicial da vida cristã. Ela é o fundamento de toda a caminhada com Cristo.
Somos herdeiros da graça da vida (1Pe 3.7);
O Senhor é o doador da graça (Jo 1.16);
Pela graça fomos salvos (Ef 2.8);
Debaixo da graça temos vitória sobre o pecado (Rm 6.14);
Pela graça somos aquilo que somos (1Co 15.10);
Pela graça somos fortalecidos (2Tm 2.1);
Na graça podemos crescer (2Pe 3.18);
Pela graça nosso coração é confirmado (Hb 13.9);
Nosso falar deve ser sempre temperado com graça (Lc 4.22; Cl 4.6).
A vida cristã começa pela graça, permanece pela graça e será completada pela graça.
Algumas verdades que precisamos sempre lembrar
Sei que muitos de vocês já conhecem essas verdades, mas é necessário que constantemente voltemos às bases da nossa fé em Cristo Jesus.
Precisamos lembrar:
1 – Somos salvos pela graça.
Não fomos alcançados por merecimento, mas pela misericórdia de Deus.
2 – Somos salvos mediante a fé.
A fé é o instrumento pelo qual recebemos aquilo que Deus realizou em Cristo.
3 – A fé é dom de Deus.
O próprio Cristo é o autor e consumador da nossa fé.
“Olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus…” (Hb 12.2)
4 – Nenhuma obra nossa, por mais altruísta que seja, pode conquistar a salvação.
Nossas obras jamais poderiam pagar uma dívida que somente Cristo poderia quitar.
5 – Ninguém pode se gloriar pelo fato da salvação.
Toda glória pertence a Deus, porque a salvação é um presente da sua graça.
6 – Agora somos novas criaturas.
Já não somos governados pelo velho homem, mas podemos declarar:
“Logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim…” (Gl 2.20)
7 – As boas obras fazem parte da vida daquele que nasceu do alto.
Elas não são a causa da salvação, mas evidenciam a transformação realizada por Deus.
8 – Essas boas obras foram preparadas pelo próprio Deus.
Não caminhamos por um caminho criado por nós mesmos. Deus preparou as obras nas quais devemos andar.
Conclusão
Quero terminar com mais dois textos.
Romanos 6.11:
“Assim também vós considerai-vos mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus.”
Essa é a realidade daquele que foi unido a Cristo.
Antes estávamos mortos em nossos delitos e pecados.
Agora estamos vivos para Deus.
Antes pertencíamos ao domínio do pecado.
Agora pertencemos a Cristo.
Antes caminhávamos segundo o curso deste mundo.
Agora caminhamos nas boas obras que Deus preparou para nós.
A grande pergunta que fica para cada um de nós é:
Nossa vida demonstra que fomos unidos a Cristo?
Porque a verdadeira união com Cristo não é apenas uma doutrina que afirmamos com nossos lábios; ela é uma realidade espiritual que transforma completamente a maneira como vivemos.
Quem está em Cristo recebeu uma nova identidade, uma nova posição diante de Deus e uma nova esperança para a eternidade.
E toda essa obra começou com uma única expressão:
“Mas Deus…”
20/06/2024 – Marcos Peixoto
O QUE OCUPA O CORAÇÃO DE NOSSOS FILHOS?
Este estudo é baseado no capítulo 11 — Deuses Falsos, do livro Desafio aos Pais, de Paul Tripp.
Decidi dar a esta apresentação o seguinte título:
O QUE OCUPA O CORAÇÃO DE NOSSOS FILHOS?
O autor utiliza o conceito de “formar um adorador”. Particularmente, creio que não existe a possibilidade de formar um verdadeiro adorador sem a regeneração. Portanto, o principal objetivo deste capítulo é refletir sobre a salvação de nossos filhos.
A partir desse ponto, precisamos compreender aquilo que governa o coração de nossos filhos.
E isso vale para cada um de nós.
Se sou filho de Deus, isso significa que fui regenerado, recebi a vida de Cristo. Já não vivo eu, mas Cristo vive em mim, e sei que o caráter de Cristo está sendo formado em minha vida.
Sendo essa uma realidade na minha vida e na sua como pais, vamos agora olhar para o coração de nossos filhos.
Filipenses 3:12-16
“Não que eu o tenha já recebido ou tenha já obtido a perfeição; mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus. Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus. Todos, pois, que somos perfeitos, tenhamos este sentimento; e, se, porventura, pensais doutro modo, também isto Deus vos esclarecerá. Todavia, andemos de acordo com o que já alcançamos.”
A primeira pergunta que precisamos fazer é:
1 – Ele ou ela é realmente uma nova criatura? Foi regenerado(a)?
Temos apenas duas respostas diante de nós.
Se a resposta for sim, o coração dele será ensinável.
Vamos, sim, enfrentar alguns conflitos, mas, sendo filho de Deus, o Espírito Santo tratará com ele nas questões do arrependimento, do perdão, do entendimento, do bom senso e do domínio próprio. Entretanto, tudo isso ainda está sendo formado em seu coração e em sua mente, e isso precisa ficar claro.
O caráter de Cristo está sendo formado no coração deles, assim como está sendo formado em nosso coração e em nossa mente.
2 – Se nossos filhos ainda não passaram por essa mudança de natureza, precisamos agir de maneira a apresentar-lhes o Evangelho de Cristo e viver esse Evangelho em nossos atos, em nossas palavras, na maneira como tratamos os assuntos com eles e até mesmo na correção. Tudo isso precisa ser administrado com amor, misericórdia, justiça e perdão.
O autor faz três perguntas aos pais:
1. Por que meus filhos agem da forma como agem?
2. Como acontece a mudança no coração e na vida de nossos filhos?
3. Como posso ser um instrumento de mudança no coração e na vida dos meus filhos?
Essas perguntas têm relação direta com a natureza deles.
Ou eles continuam com a natureza pecadora, ou foram regenerados e receberam uma natureza espiritual.
Se nossos filhos querem governar, não obedecem, são rebeldes e persistem nos mesmos erros, é um forte indício de que sua natureza ainda é pecadora.
Por outro lado, se, quando repreendidos, reconhecem seus erros, ainda que seja necessário explicar várias vezes e de maneiras diferentes para que consigam enxergar, e demonstram arrependimento, sem ressentimentos, isso evidencia que estão sendo conduzidos por Deus no processo da salvação.
A semente do pecado
Todo ser humano nasce com o desejo implícito de ser Deus.
“…como Deus sereis…”
Por isso, a natureza pecadora tem dificuldade em reconhecer seus erros, aceitar autoridade, admitir que não sabe tudo e reconhecer que precisa dos outros. Essa é a semente do pecado plantada no Jardim do Éden.
Às vezes, afastamos nossos filhos de atividades que julgamos importantes para eles. Entretanto, não podemos nos esquecer de que os adultos da relação somos nós.
Exemplos:
• A menina gosta de se maquiar, tirar selfies e vestir-se conforme a moda.
• Os meninos só querem saber de videogame e celular.
Precisamos entender que a geração deles é diferente da nossa e buscar um ponto de equilíbrio, para não provocarmos sua ira nem afastá-los cada vez mais.
O que a Bíblia ensina sobre os filhos
Pais, não irriteis os vossos filhos, para que não fiquem desanimados.
Colossenses 3:21
Beijai o Filho para que se não irrite, e não pereçais no caminho; porque dentro em pouco se lhe inflamará a ira. Bem-aventurados todos os que nele se refugiam.
Salmos 2:12
O que ouvimos e aprendemos, o que nos contaram nossos pais, não o encobriremos a seus filhos; contaremos à vindoura geração os louvores do SENHOR, o seu poder e as maravilhas que fez…
Salmos 78:3-7
Ensina a criança no caminho em que deve andar e, ainda quando for velho, não se desviará dele.
Provérbios 22:6
Amarás, pois, o SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força…
Deuteronômio 6:5-9
Exemplo pessoal
Não me lembro de meu pai ser carinhoso comigo.
Lembro-me de muitas e muitas surras.
Abraçar, beijar e dizer que me amava… nunca.
Ele era pernambucano, criado em uma família desestruturada, sem amor e sem Deus. Como uma pessoa nessa condição poderia demonstrar amor?
A maneira dele era não deixar faltar nada em casa, comprar alguns brinquedos, bicicleta, roupas… Essa era a forma como demonstrava amor.
Fui pai aos 42 anos e já precisei pedir perdão à Talita e à Rúbia várias vezes. Depois que confessei, em uma quarta-feira, minha irritação diante da igreja, isso melhorou muito. Muitas pessoas, inclusive, comentaram comigo sobre essa mudança.
O que está em nosso coração é o que sairá por nossa boca e será refletido em nossas atitudes.
Há amor, paz, perdão, misericórdia, bondade, longanimidade e domínio próprio? Se sim, isso é fruto do Espírito. Se não, é porque ainda precisamos da vida de Cristo operando em nós.
O que os outros pensam de mim?
PREOCUPAR-SE COM O QUE OS OUTROS PENSAM É UM PROBLEMA
Necessitamos estar atentos aos sinais e às falas de nossos filhos.
Se eles sempre comentam:
“Fulano pensa assim…”
“Ciclano disse isso…”
“Beltrano age dessa maneira…”
isso pode ser um sinal de que estão sendo excessivamente influenciados pela opinião dos outros. Seu caráter ainda é instável, frágil e precisa ser trabalhado.
O coração deles deseja agradar aos outros, e não a Deus.
O que fazer?
Ensinar-lhes a Palavra de Deus.
Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.
Mateus 6:33
Um irmão costumava dizer:
“Quem está sentado na arquibancada da sua vida? Deus ou os homens?”
Se é Deus, a Ele seja toda a glória. Se são os homens, então a glória está sendo dada a eles.
Identidade
Esse tema já foi trabalhado com eles várias vezes, mas precisamos reforçar continuamente esses ensinamentos bíblicos sobre quem eles são, pois isso refletirá diretamente em seu caráter e em seu coração.
Eles são filhos amados do Pai, comprados pelo precioso sangue de Cristo, e agora o caráter de Cristo está sendo formado neles. Isso precisa estar muito claro em seus corações.
QUEM OCUPA O CORAÇÃO DELES?
SONHOS • AMIGOS • TRABALHO • NAMORADO(A) • MEDO DO FUTURO • JESUS CRISTO
Nossos filhos precisam aprender, por meio da Palavra, quem está no controle de suas vidas.
Pode ser:
1. Eles mesmos.
2. O pecado que os governa (essas duas opções, na prática, são a mesma coisa).
3. O Senhor.
“Seja a paz de Cristo o árbitro em vosso coração, à qual, também, fostes chamados em um só corpo; e sede agradecidos.”
Colossenses 3:15
Existe paz, de modo geral, no coração de nossos filhos?
Existe sede pela Palavra?
Existe gratidão?
Não temos como saber isso com absoluta certeza. Entretanto, podemos ensinar os princípios bíblicos e observar, por meio de conversas, atitudes, comportamentos, relacionamento com a família e com outras pessoas, além dos interesses que demonstram, para onde o coração deles está apontando.
O QUE OCUPA O CORAÇÃO DOS NOSSOS FILHOS?
“Amarás, pois, o SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força.”
Deuteronômio 6:5
Outras referências:
• Deuteronômio 11:16
• Deuteronômio 30:6
• 1 Samuel 12:21
• Salmos 4:2
• Salmos 115:4-8
• Isaías 42:8
• Isaías 44:6
• Ezequiel 14:4
• 1 Coríntios 10:14
• 1 João 2:15
• 1 João 2:17
Essas são apenas algumas passagens, entre tantas outras, que tratam desse assunto nas Escrituras.
O QUE NOS GOVERNA COMO PAIS?
O QUE GOVERNA OS NOSSOS FILHOS?
Tanto as nossas palavras quanto as nossas ações são pautadas por aquilo que nos governa.
Se é Cristo quem nos governa, quando cometemos pecados ou delitos, o Espírito Santo nos confronta.
Da mesma forma acontece com nossos filhos.
Toda desobediência tem sua origem no pecado e na rebeldia.
Essa luta para ser igual a Deus nos acompanha desde a queda. Contudo, ela também deve nos incomodar, para que apresentemos tudo diante de Deus e, pela ação do Espírito Santo, vamos nos despojando dessas práticas em nosso processo de santificação.
“Rogo igualmente aos jovens: sede submissos aos que são mais velhos; outrossim, no trato de uns com os outros, cingi-vos todos de humildade, porque Deus resiste aos soberbos; contudo, aos humildes concede a sua graça.”
1 Pedro 5:5
Toda complacência, toda submissão, todo respeito, toda responsabilidade, toda honra, todo espírito pacificador e toda boa escolha nossa, inclusive em relação aos nossos filhos, devem ser pautados pela submissão a Cristo.
Tudo deve ser para a glória de Cristo.
1 Coríntios 10:31
O FIM PRINCIPAL DO HOMEM
Pergunta 1
Qual é o fim principal do homem?
Resposta: O fim principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre.
Referências: Romanos 11:36; 1 Coríntios 10:31; Salmos 73:25-26; Isaías 43:7; Romanos 14:7-8; Efésios 1:5-6; Isaías 60:21; Isaías 61:3.
Nossos filhos não devem ser criados apenas para receber educação, ter sucesso profissional, conquistar uma boa casa, um bom casamento ou tornar-se bons cidadãos.
Tudo isso é importante, e devemos lutar para que alcancem essas bênçãos.
Mas o fim principal do homem — tanto deles quanto o nosso — é glorificar a Cristo.
Isso precisa estar muito claro em nossa mente e também na mente deles.
NOSSO COMPROMISSO COMO PAIS
Somos instrumentos pelos quais nossos filhos formam sua percepção a respeito de Deus.
O pecado impede que Cristo seja visto, contemplado e adorado.
Precisamos buscar, diariamente, oportunidades para sermos esses instrumentos na vida de nossos filhos, para que aprendam a confessar seus pecados e a arrepender-se de suas práticas pecaminosas.
Isaías 42:16
“Guiarei os cegos por um caminho que não conhecem, fá-los-ei andar por veredas desconhecidas; tornarei as trevas em luz perante eles e os caminhos escabrosos, planos. Estas coisas lhes farei e jamais os desampararei.”
Quando ajudamos nossos filhos a enxergar e identificar o que motiva o coração deles, seus desejos e suas ações, estamos cooperando com a obra de Cristo.
Criar filhos tem muito mais a ver com iluminar sua mente e seu coração para que enxerguem quem realmente são do que permitir que a cultura deste mundo molde sua identidade.
NOSSOS FILHOS SÃO SEMELHANTES A NÓS
Quando observamos as dificuldades de nossos filhos, é como se estivéssemos olhando para nós mesmos, pois muitas vezes agimos da mesma maneira diante do nosso Pai celestial.
Cada dia é uma nova oportunidade para sermos tratados por Deus e, ao mesmo tempo, tratarmos nossos filhos.
Eles estão passando, ou ainda passarão, por problemas emocionais, financeiros, políticos e espirituais. Enfrentarão inúmeras tentações, sofrerão boas e más influências e terão muitos caminhos diante de si.
Por isso, precisamos auxiliá-los a enxergar todas essas situações à luz da Palavra de Deus, pois somente ela pode lhes dar verdadeira esperança.
PERGUNTAS IMPORTANTES
• O que Deus deseja que meu filho enxergue neste momento?
• Como posso ajudá-lo a enxergar?
Não por meio de ameaças.
Não por meio de punições.
Não com palavras que desanimam.
Não levantando a voz.
Agindo assim, eles apenas se fecharão e procurarão fugir dos pais na primeira oportunidade.
CONDUZINDO-OS À CONFISSÃO
Conduzir nossos filhos à confissão significa ter conversas ternas, pacientes e compreensivas, que produzam discernimento, para que eles possam identificar aquilo que ainda não reconhecem e não conseguem enxergar.
Essa confissão não deve ser como um julgamento, com promotor, juiz, júri e advogado de defesa.
Ela deve ser espontânea, marcada pelo reconhecimento do pecado e pelo desejo sincero de não permanecer naquele caminho.
Eles precisam compreender a confissão no sentido bíblico: aceitação, perdão, cura e amor.
A única esperança verdadeira deles deve estar depositada na pessoa de Jesus Cristo.
Vamos confrontá-los?
Sim.
Mas em amor.
Vamos questionar suas ações e reações?
Sim.
Mas em amor.
Eles precisam enxergar em nós o amor e o perdão de Deus, da mesma forma que fomos perdoados por Ele em Cristo Jesus.
“Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.”
1 João 1:9
Que o Senhor nos conceda sabedoria e discernimento para agirmos de maneira construtiva e sermos instrumentos para a salvação de nossos filhos.
Somos totalmente dependentes da graça de Deus para criar nossos filhos e para vivermos nossos relacionamentos familiares.
Cada dificuldade é uma oportunidade para dependermos ainda mais do Senhor e nos achegarmos, com confiança, ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e socorro em tempo oportuno.
Marcos Peixoto
24/03/2024