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Estudos que edificam.

FALTA DE CONTENTAMENTO – POR QUE?

JONAS (3)

FALTA DE CONTENTAMENTO – POR QUE?

Marcos Peixoto

A NOVA VIDA EM CRISTO

NOVA VIDA

A NOVA VIDA EM CRISTO – Elsso Barbosa

Antes do novo nascimento, todos que nascem nesse mundo nascem separados de Deus, mortos espiritualmente em delitos e em pecados – em “pecado” porque não “creem” em Deus.

Um morto não tem a mínima condição para crer, para poder crer, precisa de um milagre de Deus, que vivifica e tira da morte para a vida, assim também como o Filho que da vida a quem Ele quer; “Pois, assim como o Pai ressuscita os mortos, e os vivifica, assim também o Filho vivifica aqueles que Ele quer” (Jo 5:21).

Como é uma pessoa antes de receber nova vida?
Antes de ter sido alcançada pela graça de Deus e receber Vida, sua condição era por natureza filho da ira. Todos num primeiro momento, estão nessa condição – fazem parte da família de Adão, e portanto, separados de Deus. Assim que, todos que veem a esse mundo pelo nascimento natural, são gerados pela semente corruptível dos nossos pais Adão e Eva. Mas, pela graça de Deus, todos os salvos são tirados de Adão e colocados na pessoa de Cristo, fazendo-nos “participantes da natureza divina” (2 Pe 1:4). A natureza divina é a Vida do Filho de Deus habitando nós, porquanto, o nosso velho homem ou, o velho Adão, foi morto com Ele na Cruz, despindo-nos do velho homem e revestindo-nos do novo homem, criado em verdadeira justiça e santidade. “E vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade” (Ef 4:24).

Em quem obtivemos a vitória sobre a morte?
Fomos colocados em Cristo, por isso, já não há mais condenação, e o pecado já não tem mais poder sobre os que estão em Cristo. “Quem tem o filho tem a vida” (1 Jo 5:12).

Como eu posso saber sobre tal condição?
O alcançado pela graça de Deus toma conhecimento desse fato pela Palavra de Deus que é viva, e que se revela ao alcançado pelo Espirito Santo no nosso espirito, que somos filhos de Deus, e que fazemos parte da família de Deus, para uma “viva esperança”, fomos gerados de novo (uma nova criação) por uma semente incorruptível que é a Palavra de Deus.

“Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo que, segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre” (1Pe 1:3 e 23).

O que éramos antes?
Éramos por natureza filhos descedentes de Adão; fomos gerados em pecado porque a nossa origem é de uma semente corruptível. Porém, agora, recebemos Vida, somos novas criaturas. E nessa condição o salvo foi habilitado pelo Espirito Santo que o leva a crer em Deus e na obra redentora de Cristo realizada na Cruz.

AGORA SALVO O QUE EU SOU?
Agora em Cristo e salvo, sou participante de uma nova natureza, isto porque, a Bíblia diz que nos tornamos participantes de uma nova natureza.Visto como, pelo seu divino poder, nos têm sido doadas as coisas que conduzem à vida e à piedade, pelo conhecimento completo daquele que nos chamou para a sua própria glória e virtude, pelas quais nos têm sido doadas as suas preciosas e mui grandes promessas, para que por elas vos torneis co-participantes da natureza divina, livrando-vos da corrupção das paixões que há no mundo (2 Pe 1: 3-4).
Lembrando que, a nossa natureza terrena foi determinada no nascimento natural. Todos os que nascem nesse mundo foram gerados pelo mesmo pai, Adão, o primeiro homem, e como descendentes dele, nos tornamos participante da carne e do sangue (matéria) e da natureza carnal (velho homem) – fazemos parte por nascimento do primeiro homem Adão.
Mas, quando cremos em Cristo, foi pelo fato de termos recebido de Deus a nova Vida e o poder. “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus” (Jo 1:12). Fomos recriados por Deus em Cristo, o segundo homem, o primeiro homem e da terra, ou terreno, o segundo é celestial. Veja 1 Coríntios 15: “O primeiro homem era do pó da terra; o segundo homem, dos céus” (1 Cos 15:47).

Quem tem poder de transformar uma pessoa em uma nova criatura?
Deus é quem tem todo o poder, e segundo a sua graça nos concede Vida, não o homem, se alguém recebe vida recebeu de Deus, não se trata de uma escolha humana, mas foi pela iniciativa e vontade soberana de Deus. Ele nos gerou de novo, de qual semente? Da semente incorruptível. E bom saber que mesmo possuindo ainda a carne e o sangue (matéria), fomos tornados segunda a Palavra uma nova criação, ou seja, fazemos parte do reino de Deus, somos novas criaturas.
É bom lembrar que, homem natural nunca poderia exercer controle sobre sua natureza; o homem não pode mudar tal realidade, ela foi determinada quando da sua concepção e no seu nascimento.

“Porventura pode o etíope mudar a sua pele, ou o leopardo as suas manchas? Então podereis vós fazer o bem, sendo ensinados a fazer o mal” (Jr 13:23).
Assim como o etíope não pode mudar a sua cor, da mesma forma todos os homens não têm poder sobre a sua natureza pecaminosa. É preciso ter recebido nova vida do alto, Daquele que tem todo o poder, caso seja essa a sua vontade que foi decidida desde a eternidade – salvar a pessoa para ser “participante da nova natureza divina”.

Voltando ao tempo ou, antes de ter sido regenerado:
Quando o homem foi gerado pelos seus pais humanos, o homem, (corpo) terreno, é carnal – por natureza filho de Adão (velha natureza). Quando o homem é gerado de novo pela vontade de Deus, ele é gerado por uma semente incorruptível, (a Palavra de Deus), veja: ele ainda continua corpo de carne e sangue, porém, agora pelo poder de Deus, faz a vontade de Deus. Assim, ele pode viver de forma agradável a Deus porque está em Cristo – foi revestido de um corpo espiritual. Pois assim está escrito: o primeiro homem, Adão, foi feito alma vivente. O último Adão, porém, é espirito vivificante. Mas não é primeiro o espiritual, e sim o natural; depois o espiritual. O primeiro homem, formado da terra, é terreno, o segundo homem é do céu. Como foi o primeiro homem, o terreno, tais são também, homens terrenos; e, como é o homem celestial, tais também os celestiais. E, assim como trouxemos a imagem do que é terreno, devemos trazer também a imagem do celestial. (1 Co 15: 45 49).
O primeiro homem, da terra, é terreno; o segundo homem, o Senhor, é do céu. Qual o terreno, tais são também os terrestres; e, qual o celestial, tais também os celestiais. E, assim como trouxemos a imagem do terreno, assim traremos também a imagem do celestial.
Aqui o primeiro homem é Adão, e o segundo homem é Cristo, um é terreno o outro e celestial. Se ao nascermos nos tornamos igual ao nosso Pai Adão, agora em Cristo somos levados à imagem de Cristo.

Quando falamos que o salvo recebeu uma nova natureza, dizemos que a pessoa salva passa a ter habitando nele uma natureza divina, (Cristo). Embora haja uma luta entre a carne e o Espirito, a pessoa que recebeu essa Vida vai vencer porque, quem vence não é o que o homem faz, mas o que Cristo fez por aquele por quem Ele morreu.
Quem está em Cristo está tudo resolvido?
Espiritualmente sim, estamos salvos e em Cristo, mas por causa do nosso nascimento, nascemos com uma natureza terrena que continua em ação, que precisa morrer. Veja o que Paulo fala: “Fazei, pois, morrer a vossa natureza terrena”(Cl 3:5).

Então quem morreu na Cruz?
A nossa velha humanidade em Adão (Nosso velho homem). “Pois temos conhecimento de que a nossa velha humanidade em Adão foi crucificada com Ele, a fim de que o corpo sujeito ao pecado fosse destruído, para que nunca mais venhamos a servir ao pecado” (Rm 6:6).
Isso quer dizer que, a velha natureza herdade de Adão foi morta na Cruz em Cristo, agora o corpo do pecado precisa ser desfeito para que não servirmos ao pecado como escravo.
O homem precisa levar o morrer de Cristo diariamente; quem continua vivendo no pecado não tem ainda tal realidade na sua vida, está vivo para o pecado, ainda não morreu, portanto, é preciso ter convicção da morte com Cristo na Cruz, e só então, pelo poder soberano de Deus ressurge uma nova criatura participante da natureza divina (Rm 6:3-4 e Colossenses 3:1).
Todos que nasceram de novo tinham uma natureza pecaminosa e ela continua em ação, más os que estão em Cristo têm uma nova natureza exercendo poder sobre a sua vida, a velha natureza é e continua inimiga de Deus, quem continua assim está em inimizade com Deus. A velha natureza tem uma tendência de levar o homem ao erro e para morte eterna, más a tendência da nova natureza é vida e Paz, nesse aspecto elas são inimigas e se opõem: morte ou vida? (Rm 8: 6 e 7).

Você tem convicção de que já foi crucificado com Cristo; que o seu velho homem morreu e está sepultado?
Então se a resposta for sim, você está no “caminho” não tem mais vínculos quanto ao trato passado, lembrando que todos que receberam Vida, o seu homem velho foi morto na Cruz, porém sua natureza terrena precisa ser aniquilada, a Bíblia fala que devemos levar sempre o morrer de Cristo, para que a vida do filho se manifeste nos nossos corpos mortais.

Elsso Barbosa

AUTO-ESTIMA PARA CRISTÃOS? – PARTE 2

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AUTO-ESTIMA PARA CRISTÃOS? – PARTE 2

As pesquisas não apresentam justificativas em favor da autoestima:

Há alguns anos, o legislativo da Califórnia aprovou o projeto de criação da “Força-Tarefa Californiana para Desenvolver a Autoestima e a Responsabilidade Social e Pessoal”. O legislativo reservou para o projeto 245.000 dólares ao ano durante três anos, num total de 735.000 dólares. O duplo título da Força-Tarefa foi realmente muito pretencioso. Ninguém nunca conseguiu demonstrar que o estímulo à autoestima está, de algum modo, ligado com a responsabilidade social e pessoal. Nem se provou que todos aqueles que demonstram responsabilidade social e pessoal possuem autoestima elevada. Na verdade, a autoestima e a responsabilidade social e pessoal têm relação negativa e não positiva.

A Declaração do Objetivo da Força-Tarefa foi a seguinte:
Procurar determinar se a autoestima e a responsabilidade social e pessoal são as chaves para descobrir os segredos do desenvolvimento humano sadio, de modo que consigamos atingir as causas e desenvolver soluções eficazes para os principais problemas sociais, fornecendo a cada californiano as mais recentes experiências e práticas quanto à importância da autoestima e da responsabilidade social e pessoal. (1)

A Força-Tarefa acreditava que apreciar a si mesmo e fortalecer a autoestima reduziria “dramaticamente os níveis epidêmicos dos problemas sociais que enfrentamos atualmente”. (2)
Há uma relação positiva entre a alta ou baixa autoestima e a responsabilidade social e pessoal?
Com o objetivo de pesquisar esta relação, a Força-Tarefa estadual contratou oito professores da Universidade da Califórnia para examinar a pesquisa sobre a autoestima e sua relação com as seis áreas seguintes:

1. Crime, violência e reincidência;
2. Abuso de drogas e álcool;
3. Dependência da Previdência Social;
4. Gravidez na adolescência;
5. Abusos sofridos por crianças e esposas;
6. Deficiência infantil no aprendizado escolar.

Sete dos professores pesquisaram as áreas acima e o oitavo resumiu os resultados, que foram publicados num livro intitulado The Social Importance of Self-Esteem (A Importância Social da Autoestima).(3) Esta pesquisa confirmou a relação entre a autoestima e os problemas sociais?
David L. Kirk, colunista do jornal San Francisco Examiner, disse rudemente: “Esse volume erudito, The Social Importance of Self-Esteem, resume todas as pesquisas sobre o assunto numa ridícula abordagem maçante de cientistas pretensiosos. Economize seus 40 dólares que o livro custa e conclua: Há pouquíssima evidência de que a autoestima seja a causa de nossos males sociais”.

Mesmo tendo procurado uma conexão entre a baixa autoestima e o comportamento problemático, eles não puderam encontrar uma relação de causa e efeito. (Contudo, estudos mais recentes indicam uma clara relação entre o comportamento violento e a alta autoestima). Apesar disso, a fé na autoestima não morre, e as escolas continuam a trabalhar para elevar a autoestima.

Pior do que a continuação nos ensinamentos da autoestima no mundo é a confiança que cristãos professos continuam a depositar nos ensinamentos da autovalorização e do amor a si próprios. Assim, o movimento secular da autoestima não é um ataque frontal contra a Bíblia com linhas de batalha claramente demarcadas. Em vez disso, é habilidosamente subversivo, e realmente não é obra de carne e sangue, mas dos principados e potestades, dos dominadores deste mundo tenebroso, das forças espirituais do mal nas regiões celestes, como Paulo diz em Efésios 6.12. Lamentável é que muitos cristãos não estão alertas para os perigos. Muitos mais do que podemos enumerar estão sendo sutilmente enganados por um outro evangelho: o evangelho do ego.

O amor bíblico

Jesus convida os seus para um relacionamento de amor com Ele e de um para com o outro. A alegria dos Seus deve ser encontrada nEle, não em si mesmos. O amor vem de Seu amor por eles. Assim o amor deles, de um para o outro, não vem do amor-próprio e da autoestima, tampouco aumenta a autoestima. A ênfase está na comunhão, na frutificação e na prontidão para ser rejeitado pelo mundo. A identificação do crente está em Jesus ao ponto de sofrer e segui-lO até a cruz. Somente através da semântica forçada, da lógica violentada e da exegese ultrajada alguém pode querer demonstrar que a autoestima é bíblica ou mesmo parte da tradição ou do ensino da igreja.
O foco do amor na Bíblia é para cima e para fora ao invés de ser para dentro. O amor é tanto uma atitude como uma ação de uma pessoa para com a outra. Embora o amor possa incluir sentimentos e emoções, ele é essencialmente uma ação determinada pela vontade para a glória de Deus e para o bem dos outros. Assim, quando Jesus disse: “Amarás, pois o Senhor, teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força” (Mc 12.30), Ele quis explicar que todo o nosso ser deve estar comprometido para amar e, portanto, agradar a Deus. O amor a Deus é expresso com um coração agradecido e determinado a fazer o que agrada a Ele de acordo com o que está revelado na Bíblia. Não se trata de um tipo de obediência mecânica, mas de um desejo para conformar-se à Sua graciosa vontade e de concordar que Deus é a fonte e o padrão para tudo que é certo e bom.

A segunda ordem é uma extensão ou expressão da primeira: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mc 12.31). João acrescentou detalhes a respeito. Ele descreveu a sequência do amor. Em contraste com os mestres do amor-próprio, que dizem que as pessoas não podem amar a Deus e aos outros até que amem a si mesmas, João diz que o amor começa em Deus e, então, se estende aos outros:”Nós amamos porque ele nos amou primeiro. Se alguém disser: Amo a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê. Ora, temos, da parte dele, este mandamento: que aquele que ama a Deus ame também a seu irmão” (1 Jo 4.19-21).
Deus nos amou primeiro, o que nos capacita a amá-Lo, o que se expressa, então, em amar uns aos outros.

Desde o primeiro fôlego de Adão, os homens foram destinados a viver em relacionamento com Deus, e não como egos autônomos. A Bíblia inteira está apoiada nesse relacionamento, porque após responder ao fariseu, afirmando que o grande mandamento é amar a Deus e o segundo é amar ao próximo como a si mesmo, Jesus acrescentou: “Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas ” (Mt 22.40). Jesus veio para nos livrar do ego e para restabelecer esse relacionamento de amor para o qual fomos criados. Durante séculos, foram escritos livros sobre amar a Deus e uns aos outros. Contudo, atualmente, cada vez mais, a igreja está sendo inundada por literatura ensinando-nos como amar-nos melhor, nos estimarmos mais, aceitar-nos como somos e desenvolvermos o nosso próprio valor.

Martin e Deidre Bobgan – 12/97 (Extraído e/ou adaptado das edições 3-4 e 5-6/96 da PsychoHeresy Awareness Letter)

Tradução: Dorival Zemuner

AUTO-ESTIMA PARA CRISTÃOS? – PARTE 1

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AUTO-ESTIMA PARA CRISTÃOS? – PARTE 1

Crianças e adultos precisam realmente de autoestima? A baixa autoestima conduz a sérios problemas na vida? Os pais deveriam se esforçar para desenvolver a autoestima em seus filhos? A Bíblia incentiva a autoestima? Muitos cristãos têm suposições sobre este assunto; mas, o que diz a Bíblia? O que dizem as pesquisas?

A gênese da autoestima

O movimento da autoestima tem seus fundamentos mais recentes na psicologia clínica, isto é, nas teorias da personalidade elaboradas por Wiliam James, Alfred Adler, Erich Fromm, Abraham Maslow e Carl Rogers, cujos seguidores popularizaram o movimento. Contudo, as raízes do movimento da autoestima retrocedem aos primórdios da história humana.
Tudo começou no terceiro capítulo de Gênesis. Inicialmente, Adão e Eva tinham consciência de Deus, consciência um do outro, das coisas à sua volta e não de si próprios. A percepção de si mesmos era incidental e secundária na sua focalização em Deus e um no outro. Adão compreendia que Eva era osso dos seus ossos e carne de sua carne (comp. Gn 2.23), mas não estava consciente de si do mesmo modo que seus descendentes seriam. O ego não era problema até a queda.
Comer da árvore do conhecimento do bem e do mal não trouxe a sabedoria divina. Resultou, sim, em culpa, medo e na separação de Deus. Assim, quando Adão e Eva ouviram que Deus se aproximava, esconderam-se entre as árvores. Mas Deus os viu e perguntou:” Quem te fez saber que estavas nu? Comeste da árvore de que te ordenei que não comesses?” (Gn 3.11).

O ego pecaminoso

Adão e Eva responderam dando-nos o primeiro exemplo de autojustificação. Primeiro Adão culpou Eva e Deus, e então Eva culpou a serpente. O fruto do conhecimento do bem e do mal gerou o ego pecaminoso representado pelo amor-próprio, autoestima, autoaceitação, autojustificação, hipocrisia, autorrealização, autodifamação, autopiedade, e outras formas de autofocalização e egocentrismo.
Desse modo, o atual movimento da auto-etc. tem suas raízes no pecado de Adão e Eva. Através dos séculos, a humanidade continua a se deleitar na árvore do conhecimento do bem e do mal, que tem disseminado seus ramos do saber mundano, incluindo as vãs filosofias humanas e, mais recentemente, as filosofias “científicas” e a metafísica da psicologia moderna.
As fórmulas religiosas do valor-próprio, do amor-próprio e da autoaceitação escorrem do tubo da televisão, fluem pelas ondas do rádio e seduzem através da publicidade. Do berço ao túmulo, os defensores do ego prometem a cura de todos os males da sociedade por meio de doses de autoestima, valor-próprio, autoaceitação e amor-próprio. E todo mundo, ou quase todos, repetem o refrão: “Você só precisa amar e aceitar a si próprio como você é. Você precisa se perdoar”, e: “Eu só tenho de aceitar-me como sou. Eu mereço. Eu sou uma pessoa digna de amor, de valorização, de perdão.”

A resposta cristã para o mundo

Como o cristão deve combater o pensamento do mundo, que exalta o ego e o coloca no centro como a essência da vida? Como o cristão deve ser fiel à ordem de nosso Senhor, de estar no mundo mas não ser do mundo? Ele pode adotar e adaptar-se à filosofia/psicologia popular de sua cultura, ou ele deve manter-se como quem foi separado por Deus e encarar sua cultura à luz da Palavra? Jesus disse:”Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve” (Mt 11.28-30).
Este é um convite para deixarmos o nosso próprio caminho, submetendo-nos a um jugo de humildade e servidão – com ênfase no jugo – num relacionamento de aprendizado e vida. Jesus fez Seu convite ao discipulado com palavras diferentes, mas para o mesmo relacionamento e o mesmo objetivo, quando disse: “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me. Porquanto, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por minha causa achá-la-á” (Mt 16.24-25).

Nenhum mandamento para amar a si próprio

Jesus não nos ordena que amemos a nós mesmos, mas que amemos a Deus e ao próximo. A Bíblia apresenta uma base para o amor completamente diferente daquilo que a psicologia humanista anuncia. Ao invés de promover o amor-próprio como a base para amarmos os outros, a Bíblia diz que o amor de Deus é a fonte verdadeira. O amor humano é misturado com o amor-próprio e, em última análise, pode estar em busca de seus próprios interesses. Mas o amor de Deus entrega a si mesmo. Portanto, quando Jesus convida Seus discípulos a negarem a si próprios e tomarem sobre si o Seu jugo e a Sua cruz, Ele os conclama a um amor que doa a si mesmo, não a um amor que satisfaz a si mesmo. Até o advento da psicologia humanista e de sua intensa influência na igreja, os cristãos geralmente consideravam a autoestima como uma atitude pecaminosa.
Apesar da Bíblia não ensinar o amor-próprio, a autoestima, o valor-próprio ou a autorrealização como virtudes, recursos ou objetivos, um grande número de cristãos de hoje tem sido enganado pelos ensinos pró-ego da psicologia humanista. Ao invés de resistirem à sedução do mundo, eles se submetem à cultura do mundo. Não somente eles não resistem à gigantesca onda do egocentrismo; como estão na crista da onda da autoestima, da autoaceitação e do amor-próprio. Na área do ego, dificilmente se pode perceber a diferença entre o cristão e o não-cristão, exceto que o cristão afirma ser Deus a fonte principal de sua autoestima, autoaceitação, autovalorização e amor-próprio.

Através de slogans, bordões e textos bíblicos deturpados, muitos crentes professos seguem a onda existencial da psicologia humanista e estabelecem seu próprio sistema motivacional. Desse modo, qualquer crítica contra os ensinamentos do valor-próprio, amor-próprio e autoestima é considerada, por isso mesmo, como prova de que se deseja que as pessoas sejam infelizes. Além do mais, qualquer crítica contra o movimento da autoestima é vista como um perigo para a sociedade, já que a autoestima é considerada como panaceia para seus males. Então se alguém, na igreja, não apoia completamente a teologia da autoestima, é acusado de promover uma teologia desprezível.

Se há algo que o mundo e muitos na igreja têm em comum nos dias atuais, é a psicologia da autoestima. Embora cristãos professos possam discordar em algumas das nuanças da autoestima, autovalorização, autoaceitação, e mesmo em alguns dos pontos mais delicados de suas definições e de como elas são alcançadas, muitos têm reunido forças contra o que acreditam ser um inimigo terrível – a baixa autoestima. Contudo, mesmo o mundo ainda não consegue justificar o incentivo da alta autoestima pelos seus próprios métodos de pesquisa.

Escrito por: Martin e Deidre Bobgan

Tradução Dorival Zemuner

ACHANDO-SE SÁBIOS, COMPORTAM-SE COMO LOUCOS

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ACHANDO-SE SÁBIOS, COMPORTAM-SE COMO LOUCOS

Quem já teve a curiosidade de fazer este interessante exercício: avaliar o seu próprio conhecimento. Eu tive. Sabem como? Procurei inventariar tudo o que não sei, e tudo o que nem sequer poderei saber. O resultado foi espetacular. O que não sei supera tudo o que sei numa tal proporção, que nunca vou conseguir mensurar. Este método permitiu que eu visse com clareza toda a extensão e a profundidade da minha ignorância. Esta foi mais uma bênção, entre muitas, que tenho gratuitamente recebido do Senhor.
Aqueles como eu, alcançados pelo Evangelho, mediante a Graça operada por Deus Pai em Cristo Jesus, por certo não estão imunizados contra todo tipo de tentação. Vez por outra, por exemplo, somos fustigados pela soberba do conhecimento e começamos a engenhar especulações. Confessamos que fomos crucificados, sepultados, ressuscitados e assentados nos lugares celestiais em Cristo Jesus, reconhecemos a onisciência, onipotência e a onipresença de Deus mas, mesmo assim, somos provocados a fiscalizar e até mesmo realizar auditorias na Soberania de Deus para nos certificar de que Ele está fazendo ‘tudo certinho’.

No passo seguinte, imitando o inventor do ponto de interrogação – a antiga serpente, chamada o Diabo e Satanás (Ap 12:9) – começamos a perguntar para Deus: O Senhor realmente criou os céus e a terra do nada? Como? Por que o Senhor chamou somente Abrão de Ur dos caldeus e lhe fez promessas? Por que o Senhor escolheu Saulo de Tarso, um religioso homicida, para ser Paulo o apóstolo dos gentios? Como e por que Noé encontrou graça aos olhos de Iahweh?

Quando lemos nas Escrituras: e nos predestinou para ele, para a adoção de filhos e, predestinados segundo o propósito daquele que faz todas as coisas conforme o conselho da Sua vontade (Ef 1:5-11), parece que ficamos incomodados com Deus porque Ele nos chamou e nos elegeu para sermos salvos e então, continuamos a perguntar: como Deus consegue fazer essas coisas?
Confesso que já mandei muitos E-mails e Whatsapps para Deus pedindo para Ele me explicar o que realmente significa ‘predestinar’, ‘escolher’, ‘eleger’ e como Ele opera essas coisas. Obviamente, até hoje não recebi qualquer resposta. E o motivo me parece muito simples: Deus não está de plantão para satisfazer minhas curiosidades pseudoteológicas.
“Na Bíblia não existem contradições a não ser aquelas produzidas por nossas interpretações”. Essa frase atribuída a Lutero despertou-me para observar como aqueles que, seguindo as trilhas deixadas por Calvino e Arminius se gastam com esses assuntos, fazendo um enorme esforço para explicar o inexplicável através da vã racionalidade humana. O contorcionismo retórico que fazem é admirável: tentam a todo custo harmonizar paradoxos decorrentes de suas próprias limitações cognitivas. Eles precisam saber de algo muito simples. A Bíblia é autoridade, e não um sistema teológico concebido pelo homem.

Deus tem os seus eleitos? Sim. Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz (1 Pe 2:9). Isto não significa que Deus está trazendo à existência dois grupos de pessoas, ambos exibindo em suas respectivas embalagens duas inscrições distintas: “Destinados ao inferno” e “Destinados para o céu”. Se isto fosse verdade, Jesus não teria ordenado: Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura (Mc16:15). Esta seria uma ordem duplamente desnecessária – pregar para quem já está no inferno e pregar para quem já está no céu! Portanto, a evangelização deve ser levada a todos, uma vez que a Escritura diz: Quem nele crê não será confundido . . .Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo . . .Mas, como poderiam crer naquele que não ouviram? E como poderiam ouvir sem pregador? (Rm 10: 11-14). Sabemos que Deus nosso Salvador … deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade (2 Tm 2:3-4). Nesta última declaração já está implícito o fato de que nem todos serão salvos: Entrai pela porta estreita, porque largo e espaçoso é o caminho que conduz a perdição. E muitos são os que entram por ele (Mt 7:13). Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! Entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade do meu Pai que está nos céus (Mt 7:21).

Entretanto, ninguém irá para o inferno porque Deus mandou, e tampouco alguém será levado ao céu por condução coercitiva. Aquele que não creu no Nome do Filho único de Deus já está julgado. E o julgamento é que a luz veio ao mundo, mas os homens preferiram as trevas à luz (Jo 3:17-19).
Mas, será que podemos confessar com a nossa boca que Jesus é Senhor, e crer em nosso coração que Deus ressuscitou Jesus dentre os mortos e sermos salvos (Rm 10:9) com o coração que herdamos de Adão? O que vemos nas Escrituras, da primeira à última página, é Deus buscando o homem e este, fugindo de Deus. O Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido (Lc 19:10) porque: Não há justo, nem sequer um, não há quem entenda, não há quem busque a Deus (Rm 3:10-11). George Campbell Morgan em sua obra “As Crises de Cristo” diz que o homem no pecado é um “Ignorant of God”. Concluí que a melhor opção em português seria fazer uma tradução literal: ‘Ignorante de Deus’. Em outras palavras: impossibilitado de conhecer a Deus. O mesmo autor prossegue dizendo: Na queda do homem, este, pela afirmação de sua própria vontade, destronou Deus e entronizou a si próprio. Sua inteligência tornou-se limitada por estar separada do conhecimento infinito. De igual modo, a sua emoção por certo tornou-se diminuida e impedida de crescer em sua capacidade, por haver perdido o seu perfeito objeto ao perder-se de Deus. Sua vontade tornou-se uma completa ruína. Indefinidamente o homem tentará assegurar a sua própria superioridade, contudo, não poderá fazê-lo por haver perdido a sua própria e verdadeira fonte de ação – o seu próprio Mestre. A sua vontade degradada está sempre tentando ser autoritária e dominante, mas se verá frustrada, deixada para trás e vencida.

Estar separado de Deus significa o obscurecimento da inteligência, a adulteração da emoção, e a seguir, o aviltamento da vontade. Que possibilidade esse homem natural tem de alcançar comunhão com Deus por seus próprios meios? Esse homem natural, destituído da glória de Deus, com sua vontade desesperadamente corrupta, vitalmente insubmissa e rebelde, pode fazer-se aceitável a Deus? A resposta é um rotundo ‘Não’. Esta possibilidade é a mesma que o homem tem de retroceder ao Jardim do Eden, ‘desengolir’ o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, cumprir o mandamento de Deus, comer da árvore da Vida e exonerar a morte! Pode o etíope mudar a sua pele ou o leopardo suas manchas? Se eles puderem, então vocês poderão fazer o bem, mesmo estando acostumados a praticar o mal (Jr 13:23).

Sabemos que pela graça somos salvos, mediante a fé, e isso não vem de nós, é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se encha de orgulho (Ef 2:8-9). Sabemos também que Deus amou tanto o mundo, que entregou o seu Filho único, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna (Jo 3:16). E esta inigualável revelação dada ao apóstolo João é a mais ampla descrição de fé que poderíamos ter porque, através do homem Jesus é que recebemos a experiência da regeneração, sem a qual não há fé. Crer Nele, neste caso, não pode ser apenas a compreensão racional de um enunciado, porquanto isto não seria suficiente para alguém ser agraciado com a vida imperecível. Na verdade, crer Nele, não perecer e ter a vida eterna, não pode estar dissociado da fé, e esta é uma nova esfera de existência – em Cristo. A obra de Deus é esta: que creiais naquele que por ele foi enviado.
O espírito é o que vivifica; as palavras que eu vos tenho dito são espírito e são vida. Contudo, há descrentes entre vós. Pois Jesus sabia, desde o princípio, quais eram os que não criam e quem o havia de trair. E prosseguiu: Por causa disto, é que vos tenho dito: ninguém poderá vir a mim, se, pelo Pai, não lhe foi concedido (Jo 6: 29 e 63 a 6).

Assim, que contribuição o homem dá para ter fé? Paulo de Tarso vivia pela fé? O relato da conversão de Paulo de Tarso é a mais perfeita revelação da nossa morte e ressurreição juntamente com Cristo. Caindo por terra ele esteve três dias sem ver, durante os quais nada comeu, nem bebeu (Atos 9:9). Decorridos esses três dias ele tornou a ver, mas agora, já não mais era Paulo de Tarso, mas sim, Paulo o apóstolo dos gentios. Paulo de Tarso, com todo o orgulho judaico que o caracterizava, foi extinto. Agora quem vive é Paulo, uma nova criatura, nascida de novo, nascida do Espírito. Agora Paulo está pronto para afirmar: Porque nele (o evangelho) a justiça de Deus se revela da fé para a fé. Porque, mediante as boas-novas, revela-se como Deus torna as pessoas justas à sua vista (Rm 1:17). Agora Paulo também está pronto para afirmar: A vida que eu agora vivo na carne vivo-a na fé Do Filho de Deus que me amou e Se entregou a si mesmo por mim (Versão King James – 1611). Y lo que ahora vivo em la carne, lo vivo em la fé Del Hijo de Dios, el cual me amó, y se entrego a si mismo por mi (Versão Casiodoro de Reina – 1569). E a vida que agora vivo em meu corpo, vivo-a pela mesma fidelidade decorrente da confiança demonstrada pelo Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim (Versão Bíblia Judaica Completa – 1998) – (Gl 2:20)
E o que dizer do ladrão acolhido por Jesus? Ele e seu companheiro há pouco faziam parte do sinistro coral de blasfemos que vociferava insultos contra o Senhor. Jesus: lembra-te de mim quando vieres com o teu reino (Lc 23:42). De que Reino ele estava falando? Considerando que a fé é a convicção de fatos que não se veem, onde e quando o ladrão achou fé para ver esta realidade invisível?

Ainda sobre o ladrão na Cruz, Calvino escreveu: Como era clara a visão dos olhos que puderam ver a vida na morte, a majestade na ruína, a glória na vergonha, a vitória na derrota e a realeza na escravidão! Duvido se já houve, desde o princípio do mundo, um tão brilhante exemplo de fé. Como essa faísca de fé nasceu no coração dele?
A verdade é que tanto Saulo de Tarso quanto aquele ladrão foram igualmente eleitos por Deus antes da fundação do mundo para serem salvos. Ambos foram nascidos de novo e por isso, pela fé, viram o Reino de Deus. O novo nascimento é ‘de cima’ e, portanto, está fora do alcance do aparato cognitivo das criaturas. Jesus explicou direitinho para Nicodemos: O vento sopra onde quer e ouves o seu ruído, mas não sabes de onde vem nem para onde vai (Jo 3:8).
A verdade Divina não está condicionada à soberba racional do homem, mas somente pela própria Palavra infalível de Deus. Nossa submissão incondicional ao Logos Divino é parte indissociável da fé singela como a das crianças. O Deus da eleição, da graça e do amor inextinguível convida todo pecador para a salvação. O Seu amoroso chamamento através do Evangelho é o mesmo para aqueles que o rejeitam.
Charles Haddon Spurgeon (1834-1892) em um sermão sobre 2 Tess. 13:14 afirma: Deus escolhe certos homens para receber a graça especial do Seu Espírito e assim se tornarem participantes voluntários da salvação em Cristo. A eleição é aquela determinação de Deus conduzir o homem às circunstâncias e debaixo de influências que certamente farão com que ele seja salvo.

Os inquiridores deste século podem continuar especulando, os teólogos e interpretes da Bíblia podem produzir livros que vão preencher temporariamente espaços nas estantes das bibliotecas, mas as coisas escondidas pertencem ao Senhor nosso Deus; as coisas reveladas, porém, pertencem a nós e a nossos filhos para sempre, para que ponhamos em prática todas as palavras desta lei (Dt 29:28). O que pode parecer paradoxo para a lógica humana é verdade absoluta na experiência dos salvos. Deus opera no caráter dos seus eleitos o querer e o realizar, segundo a Sua vontade (Fp 2:13), sem destruir a responsabilidade humana, e isso é um milagre que só Ele pode operar. Deus concede a disposição e a realização do que Lhe agrada.

Nada podemos fazer se o Senhor não nos capacitar. Somos nascidos de novo, não somos mais escravos do pecado, vivemos a Vida ressurreta de Cristo em nós, e então percebemos que foi o Senhor quem operou em nós o querer e o realizar, segundo a sua vontade. Algumas verdades que são difíceis de serem explicadas pela retórica dos sábios deste mundo, são a simples experiência daqueles que quando estavam mortos em delitos foram vivificados juntamente com Cristo, e pela graça foram salvos! E com Ele foram ressuscitados e assentados nos céus, em Cristo Jesus (Ef 2: 5:6). Para estes não há dúvidas ou questionamentos; eles foram nascidos de novo e, em sua nova vida, não há tempo, espaço e tampouco qualquer necessidade de ‘compreender’ os métodos pelos quais Deus exercita a Sua soberania sobre tudo e todos.

Os nascidos do Espírito não precisam de esforços para andar em novidade de vida. Eles simplesmente vivem a Vida de Cristo porque foram abençoados com toda sorte de bênçãos nos lugares celestiais em Cristo . . . e escolhidos Nele desde a fundação do mundo, segundo a riqueza da sua graça que ele derramou profusamente . . . conforme decisão prévia que lhe aprouve tomar . . . Nele, predestinados pelo propósito daquele que tudo opera segundo o conselho da sua vontade (Ef 1: 1 a 11). Deus governa a história e as nossas vidas desde o começo, passando pelos meios e até o seu final. Os especuladores deste mundo são aqueles que estão sempre aprendendo, mas que por si mesmos nunca podem chegar ao conhecimento da Verdade. Deus não necessita pedir autorização para realizar a Sua vontade. Deus nunca pediu autorização para começar a boa obra em mim – a qual há de levá-la a perfeição até o dia de Cristo Jesus (Fp 1:6).

Em Atos dos apóstolos lemos sobre a pregação de Paulo aos judeus na Sinagoga de Antioquia. Convidado a pregar mais um sábado, quase toda a cidade reuniu-se para ouvir a palavra de Deus. Os judeus encheram-se de inveja e promoveram perseguição contra Paulo e Barnabé. No final da narrativa, Lucas registra que ao ouvir a proclamação das
boas Novas em Cristo os gentios se alegravam e glorificavam a palavra do Senhor, e todos os que eram destinados à vida eterna abraçaram a fé (Atos 13:48).

A eleição e a responsabilidade humana são dois elementos componentes de uma realidade divina muito mais ampla, que não pode ser discernida por meras especulações humanas. Lembro-me da antiga historinha dos três cegos que foram ao zoológico para conhecer o elefante. O primeiro apalpou a tromba do elefante, e disse que o elefante era como uma grande cobra. O segundo apalpou o rabo, e disse que o elefante era como uma cobra pequena. O terceiro apalpou a barriga, e disse que o elefante era como um enorme barril. Os três saíram do zoológico com um conhecimento parcial do elefante. Assim é a mente humana sobre as operações realizadas pelos desígnios Daquele que é onisciente, onipresente e onipotente; Daquele que nunca foi criado e que nunca terá fim. Para Deus o passado e o futuro são um eterno presente.

A teologia está sujeita a explicações formuladas pela nossa lógica? Racionalizações acabam produzindo extremismos. Os inquiridores podem continuar exercitando suas pretensões soberbas contra Deus, mas exatamente, quem és tu, ó homem, para discutires com Deus? Acaso a obra dirá ao artífice: Por que me fizeste assim?
Por que as nações se amotinam, e os povos planejam em vão? Os reis da terra se insurgem, e unidos, os príncipes enfrentam Iahweh e seu Messias: Rebentemos seus grilhões, sacudamos de nós suas algemas! O que habita nos céus ri – o Senhor se diverte à custa deles. (Sl 2: 1-4).
Tranquilizai-vos e reconhecei: Eu sou Deus (Sl 46:10)

Onde está o argumentador deste século? Deus não tornou louca a sabedoria deste século? Com efeito, visto que o mundo por meio da sabedoria não reconheceu a Deus na sabedoria de Deus, aprouve a Deus pela loucura da pregação salvar aqueles que creem (1 Co 1: 20-21).
E então? Se achar necessário, você pode continuar consumindo o seu tempo e esforço para ‘entender’ plenamente o que a predestinação e a eleição significam na mente de Deus, e como Ele opera essas coisas. Lembre-se que saber explicar o que a eleição e a predestinação significam não é pré-requisito para alguém ser nascido de novo. Na verdade, a Eleição de Deus é a última pá de concreto que definitivamente sepulta qualquer pretensão dos que ainda acham que podem contribuir com seus méritos para que Deus os salve. Nascemos doentes e a cura está na Cruz porque, eram os nossos sofrimentos que ele levava sobre si, nossas dores que ele carregava. Mas nós o tínhamos como vítima do castigo, ferido por Deus e humilhado. Mas ele foi traspassado por causa das nossas transgressões, esmagado por causa das nossas iniquidades. O castigo que havia de trazer-nos a paz caiu sobre ele, sim, por suas feridas fomos curados. Os tempos verbais destas verdades reveladas no capítulo 53 de Isaias estão no pretérito perfeito, expressando uma ação que já foi realizada integralmente. ESTÁ CONSUMADO!
Farão guerra contra o Cordeiro, mas o Cordeiro os vencerá, porque ele é Senhor dos senhores e Rei dos reis, e com ele vencerão também os chamados, os escolhidos, os fiéis (Ap 17: 14).

O que o homem pode fazer para alcançar a redenção em Cristo Jesus?

Pode o homem, com sua vontade irremediavelmente corrupta, voluntariamente voltar-se para Deus?

“O Senhor é o nosso Pastor, e não precisamos de mais nada”.

A Graça do Senhor Jesus esteja com todos! Amém.

Dorival Zemuner

A VISÃO DE DEUS PARA O PROFETA EZEQUIEL

OFENSA da cruz (1)

A VISÃO DE DEUS PARA O PROFETA EZEQUIEL

CONTEXTO
A visão do Profeta Ezequiel está registrada no capítulo 8 do livro que leva o seu nome – quando o povo era escravo no exilio na Babilônia. Esse fato nos faz lembrar o cuidado que Deus sempre teve com o seu povo, em mostrar sua vontade e seus propósitos. Nessa visão, Deus fala para o profeta sobre as abominações (pecado) que estavam sendo praticadas diante Dele no templo. O que podemos aprender com os fatos narrados pelo profeta?

Só quero lembrar que estamos usando essa visão, porém, hoje Deus nos fala através do seu Filho, ou mediante a Sua obra realizada na Cruz, Sua ressureição e nossa inclusão nesse fato. Não existem mais visões, tudo que precisava ser revelado nos foi revelado, pela Palavra encarnada que é Cristo: Podemos confirmar isso: “Havendo Deus, desde a antiguidade, falado, em várias ocasiões e de muitas formas, aos nossos pais, por intermédio dos profetas, nestes últimos tempos, nos falou mediante seu Filho, a quem constituiu herdeiro de tudo o que existe e por meio de quem criou o Universo” (Hebreus 1:1-2). É bom ver os fatos narrados nas Escrituras, como Deus falou, e qual foi a resposta do povo.

Sobre a revelação ao Profeta Ezequiel:
Quando Deus falou, era para mostrar os pecados cometidos, pois o povo estava se prostituindo, indo diante de outros deuses, e o que estava acontecendo nos remete ao momento que vivemos hoje. Muitos dos que se dizem cristãos, podem sem perceber estar diante de outros deuses, vivendo como cativos, ou sendo cativados por situações que desagradam a Deus. E estas coisas têm ocupado o lugar de Deus nas suas vidas.

Vamos à visão dada por Deus ao Profeta:
“No quinto dia do sexto mês do sexto ano do exílio, eu e as autoridades de Judá estávamos sentados em minha casa quando a mão do Soberano Senhor veio ali sobre mim. Olhei e vi uma figura como a de um homem. Do que parecia ser a sua cintura para baixo, ele era como fogo, e dali para cima sua aparência era tão brilhante como metal reluzente. Ele estendeu o que parecia um braço e pegou-me pelo cabelo. O Espírito levantou-me entre a terra e o céu e, em visões de Deus, ele me levou a Jerusalém, à entrada da porta do norte do pátio interno, onde estava colocado o ídolo que desperta o zelo de Deus. E ali, diante de mim, estava a glória do Deus de Israel, como na visão que eu havia tido na planície. Então ele me disse: Filho do homem, olhe para o norte. Olhei e, no lado norte, à porta do altar, vi o ídolo que desperta o zelo de Deus. E ele me disse: Filho do homem, vê você o que estão fazendo? As grandes práticas repugnantes da nação de Israel, coisas que me levarão para longe do meu santuário? Mas você verá práticas ainda piores que estas. Então ele me levou para a entrada do pátio. Olhei e vi um buraco no muro. Ele me disse: Filho do homem, agora escave o muro. Escavei o muro e vi a abertura de uma porta ali. E ele me disse: Entre e veja as coisas repugnantes e más que estão fazendo. Eu entrei e olhei. Lá eu vi, desenhadas por todas as paredes, todo tipo de criaturas rastejantes e animais impuros e todos os ídolos da nação de Israel. Na frente deles estavam setenta autoridades da nação de Israel, e Jazanias, filho de Safã, estava no meio deles. Cada um tinha um incensário na mão, e se elevava uma nuvem aromática de incenso (Ezequiel 8:1-11).

O Espirito o levou a ver nessa visão, que os anciões estavam envolvidos na corrupção que estava acontecendo na casa de Deus. Aqueles lideres entre o povo que deveriam cuidar e administrar bem a casa de Deus, para que Ela não fosse contaminada, esses líderes são os principais corruptores dessa casa.
Esses acontecimentos são diferentes hoje, nesse tempo em que vivemos?: Não. Paulo, escrevendo a primeira carta a Timóteo faz algumas orientações, e escreve, de como ele deveria se portar na casa de Deus: “contudo, se eu demorar, fiques ciente de como as pessoas devem comportar-se na casa de Deus, que é a Igreja do Deus vivo, coluna e fundamento da verdade”(ITimóteo 3:15). Nós cremos que o meio para dar um bom testemunho de vida Cristã no mundo e na comunidade é a sua própria vida.

Mas, Paulo, fala como que se lamentando quanto a pessoas (utensílios) que estão sendo usados hoje nessa casa, e de como está sendo este testemunho: “Numa grande casa há vasos não somente de ouro e prata, mas também de madeira e barro; alguns para nobres finalidades, outros para fins desonrosos” (2 Timóteo 2:20).
Voltando ao contexto, da Visão do Profeta, quais eram as características, qualidades que deveria ter um ancião (ou presbíteros Ou bispo), cuja função era zelar pela ordem na casa de Deus? O Apostolo Paulo insiste para essas qualidades que são fundamentais: “Alguém, que governe bem a sua própria casa, criando os filhos sob disciplina, com todo o respeito, pois se alguém não sabe governar a própria casa, como cuidará da Igreja de Deus?” (1 Timóteo 3:4-5).

Assim como acontecia no meio do povo Judeu, que profanaram a casa de Deus, eles foram tirados da sua habitação e sofreram o desterro. “Foram expulsos das suas terras, o lugar de habitação” – por causa do que os seus anciões faziam em oculto. Assim pode acontecer hoje, (não estou afirmando que está acontecendo).
Más, devemos sim, chamar a atenção quanto ao testemunho de cada cristão que está servindo na comunidade, no meio do povo, e, havendo alguma situação igual à que Deus fala ao profeta, o que resta É causar náuseas no Senhor que está prestes a vomita-los de sua boca. “Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca. Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu.” (Apocalipse 3:16-17).

Vivemos um momento na história da igreja que se pode quase tudo, e que Deus não leva em conta – quem sabe Ele nem está vendo? Muitos têm um comportamento aparente impecável, mas no coração guarda rancor, não tem amor para com o outro, e assim vive negando o seu Senhor.
Devemos atentar para o que está escrito: “Porque se introduziram alguns, que já antes estavam escritos para este mesmo juízo, homens ímpios, que convertem em dissolução a graça de Deus, e negam a Deus, único dominador e Senhor nosso, Jesus Cristo” (Judas 1:4). A pessoa pode até confessar, ser uma Nova criatura, mas O nega com suas atitudes, e o Senhor os chama de: “Cumplices nas obras infrutíferas das trevas”. (Efésios 5:11).

Será de quem o Senhor estava falando, quando previu que viriam aqueles que profetizariam, expulsariam demônios e fariam muitos milagres em nome Jesus? Ele não estava falando de pagãos ou feiticeiros, Não! Aqui Ele fala de pessoas que assumiriam um papel de “Apóstolos”, “Profetas” nesse tempo, e fariam tudo usando o nome de “Jesus Cristo”.
Essas palavras são do próprio Senhor Jesus: Elas estão registradas no Evangelho de Mateus capitulo 7:15 a 23 – Texto que faz parte do sermão do monte:

Que diz:
Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores. Por seus frutos os conhecereis. Porventura colhem-se uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos? Assim, toda a árvore boa produz bons frutos, e toda a árvore má produz frutos maus. Não pode a árvore boa dar maus frutos; nem a árvore má dar frutos bons. Toda a árvore que não dá bom fruto corta-se e lança-se no fogo. Portanto, pelos seus frutos os conhecereis. Nem tudo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade.
O conselho de Paulo, “na carta aos Efesios”, para todos os cristãos, é para que não sejam cúmplices dessa gente, para que saiam para luz, para fora dessas câmaras ocultas da corrupção, onde se produz um falso testemunho: Como, conversações torpes, palavras vãs, chocarrices, idolatria, e o pior como: “a cobiça e a avareza”, estes estão buscando alcançar as melhores posições na comunidade.

Então, Paulo por revelação do Espirito, escreve a igreja de Éfeso, mostrando o lugar desses: “Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados; E andai em amor, como também Cristo vos amou, e se entregou a si mesmo por nós, em oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave. Mas a fornicação, e toda a impureza ou avareza, nem ainda se nomeie entre vós, como convém a santos; Nem torpezas, nem parvoíces, nem chocarrices, que não convêm; mas antes, ações de graças. Porque bem sabeis isto: que nenhum devasso, ou impuro, ou avarento, o qual é idólatra, tem herança no reino de Cristo e de Deus.” (Efésios 5:1-5).

Talvez Paulo poderia dizer hoje: “Não digam que eu não avisei!”. E ele continua: “Ninguém vos engane com palavras vãs; porque por estas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência. Portanto, não sejais seus companheiros. Porque noutro tempo éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor; andai como filhos da luz (Porque o fruto do Espírito está em toda a bondade, e justiça e verdade); Aprovando o que é agradável ao Senhor.” (Efésios 5:6-10).

E não sejam cumplices com as obras infrutíferas das trevas:

“E não comuniqueis com as obras infrutuosas das trevas, mas antes condenai-as. Porque o que eles fazem em oculto até dizê-lo é torpe. Mas todas estas coisas se manifestam, sendo condenadas pela luz, porque a luz tudo manifesta. Por isso diz: Desperta, tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te esclarecerá. Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, mas como sábios, remindo o tempo; porquanto os dias são maus. Por isso não sejais insensatos, mas entendei qual seja a vontade do Senhor (Efésios 5: 11-17).

Elsso Barbosa