A SOBERANIA DE DEUS SOBRE AS FINANÇAS – PARTE II
Porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração. Mateus 6:21
A Palavra nos apresenta Agur, um homem que enxergava com clareza o perigo tanto da falta quanto da abundância. Duas coisas te peço; não mas negues, antes que eu morra: afasta de mim a falsidade e a mentira; não me dês nem a pobreza nem a riqueza; dá-me o pão que me for necessário; para não suceder que, estando eu farto, te negue e diga: Quem é o SENHOR? Ou que, empobrecido, venha a furtar e profane o nome de Deus. Provérbios 30:7-9.
Isso confronta diretamente a nossa geração. Você realmente acredita que o maior perigo da sua vida é a escassez? Ou será que o maior risco é ter tanto que você deixe de depender de Deus? Seja honesto: em qual fase da vida você mais buscou a Deus — quando tinha pouco ou quando estava confortável?
Muitos também precisam aprender algo difícil: Deus governa inclusive através dos “nãos”. Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres. Tiago 4:3. O salmista também testifica sobre esse assunto quando diz: Porque o SENHOR Deus é sol e escudo; o SENHOR dá graça e glória; nenhum bem sonega aos que andam retamente. Salmos 84:11.
Quantas decisões impulsivas, quantas compras desnecessárias, quantos negócios mal pensados Deus já te livrou simplesmente não permitindo que acontecessem? Nem toda porta fechada é o diabo — muitas vezes é Deus te protegendo de você mesmo. Você consegue olhar para trás e agradecer por aquilo que não aconteceu?
Paulo nos leva ainda mais fundo ao dizer: Digo isto, não por causa da pobreza, porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez. Filipenses 4:11-12.
Contentamento não é natural — é aprendizado. E aqui está uma verdade dura, mas libertadora: quem não aprende a viver contente com pouco nunca estará satisfeito com muito. Você tem paz porque Deus é suficiente, ou porque suas contas estão pagas?
E então olhamos para a vida de José. Um homem que, aos olhos humanos, tinha tudo para dar errado: traído, vendido, preso. Financeiramente e socialmente, sua vida parecia um fracasso completo. Mas Deus nunca perdeu o controle.
No tempo certo, Deus o levanta como governador do Egito. E José passa a administrar tanto a abundância quanto a escassez de uma nação inteira. Quando ele finalmente entende o que aconteceu, ele declara: Agora, pois, não vos entristeçais, nem vos irriteis contra vós mesmos por me haverdes vendido para aqui; porque, para conservação da vida, Deus me enviou adiante de vós. Gênesis 45:5.
Isso muda completamente a perspectiva. José não viu apenas traição — ele viu propósito. E aqui cabe uma pergunta que talvez incomode: você consegue enxergar Deus na sua história financeira, ou só vê frustração? E se a sua escassez não for abandono, mas preparação?
E se Deus estiver te ensinando a administrar pouco antes de confiar muito? A própria Escritura confirma isso: Ele te humilhou, e te deixou ter fome, e te sustentou com o maná… para te dar a entender que não só de pão viverá o homem, mas de tudo o que procede da boca do SENHOR viverá o homem. Deuteronômio 8:3.
A SOBERANIA DE DEUS SOBRE AS FINANÇAS – PARTE I
Porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração. Mateus 6:21
Vivemos em uma geração que mede o valor do homem pelo que possui. O mundo ensina, ainda que de forma sutil: “você é o que você tem”. Mas a Palavra de Deus confronta essa lógica desde a raiz, mostrando que o verdadeiro problema nunca foi o dinheiro em si, mas o lugar que ele ocupa no coração.
Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores. 1 Timóteo 6:9-10.
Perceba: o texto não diz que o dinheiro é o mal, mas que o amor ao dinheiro corrompe o coração. Então vale a pergunta: se hoje Deus olhasse para dentro de você, o que Ele encontraria — um coração rendido ou um coração apegado? Você serve a Deus… ou, no fundo, espera que Deus sirva aos seus planos?
A base de tudo começa aqui: Deus é o dono de todas as coisas. Não é uma opinião teológica, é uma declaração divina. Minha é a prata, minha é o ouro, diz o SENHOR dos Exércitos. Ageu 2:8. Ao SENHOR pertence a terra e tudo o que nela se contém, o mundo e os que nele habitam. Salmos 24:1.
Pense nisso: Não existe “meu dinheiro” em sentido absoluto, existe apenas o que Deus confiou a você e a mim. Somos apenas mordomos das riquezas que o Senhor colocou em nossas mãos. Se isso é verdade — e é — então precisamos ajustar nossa mentalidade.
Mas pense com sinceridade: quando o salário/lucros entram na conta, qual é o seu primeiro pensamento? “Agora posso fazer o que eu quiser” ou “Senhor, como queres que eu administre isso?” Essa resposta revela muito mais sobre sua espiritualidade do que qualquer discurso.
Davi entendeu isso profundamente: Porque quem sou eu, e quem é o meu povo para que pudéssemos dar voluntariamente estas coisas? Porque tudo vem de ti, e das tuas mãos to damos. 1 Crônicas 29:14.
Dar, nesse contexto, não era perder — era reconhecer. E aqui entra um ponto delicado: muitos dizem que colocariam Deus em primeiro lugar se tivessem mais. Mas a verdade é que quem não honra a Deus com pouco dificilmente honrará com muito. Quantas pessoas você já viu dizendo: “quando eu melhorar financeiramente, eu vou ajudar mais”? E quando melhora, o padrão de vida sobe… e Deus continua com de lado…
A nossa vida financeira também é um assunto espiritual, e se somos filhos de Deus, Ele também governa nossas finanças. Charles Spurgeon disse: “Se Deus é o dono de toda a prata e de todo o ouro, como Ele mesmo declara, então o cristão não deve olhar para a sua carteira como um proprietário, mas como um tesoureiro que terá de prestar contas ao Rei. A sua prosperidade não é uma medalha de mérito, é uma responsabilidade de administração.” Continua…