OS BENEFÍCIOS DO SOFRIMENTO

A. W. Tozer – (1897-1963)

OS BENEFÍCIOS DO SOFRIMENTO

E Não somente isto, mas também nos gloriamos nas próprias tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança; e a perseverança, experiência; e a experiência, esperança. Ora, a esperança não confunde, porque o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado (Romanos 5:3-5)

A Bíblia tem muito a dizer sobre o sofrimento, e a maioria é encorajador. A religiosidade prevalente não é favorável, mas uma doutrina que ocupa tanto espaço na Bíblia quanto à do sofrimento, por certo deve receber reverente tratamento por parte dos filhos da nova criação. Não podemos negligenciar porquanto, entendendo ou não, vamos experimentar algum sofrimento.
Como seres humanos não podemos escapar deles.

O primeiro choque que traz um grito de protesto alcança desde o recém-nascido de novo até ao homem idoso em seu último suspiro – dor e sofrimento seguem nossos passos na nossa jornada terrena. A dor vai nos tratar para que possamos aprender o que Deus quer dizer com ela e nos ensinar como esperar e agir quando ela vem.

O Cristianismo abrange tudo o que diz respeito à vida do homem e trata tudo de modo efetivo. O sofrimento faz parte da realidade da vida humana. O próprio Cristo dela participou e aprendeu obediência pelas coisas que sofreu. Não é possível ao santo sofrer uma pontinha de dor que Cristo não a tenha sofrido. Nosso Senhor não só sofreu uma vez na terra; Ele sofre agora com o Seu povo. Contemplai, exclama o santo idoso ao ver um jovem mártir morrer: Contemplai como nosso Senhor sofre no corpo da Sua criatura.

Há um tipo de sofrimento que não traz benefício para ninguém: é o amargo e desafiante sofrimento dos perdidos. O homem fora de Cristo pode suportar qualquer grau de aflição, mas não se torna melhor ou mais sábio. Para este, tudo é parte de uma trágica herança do pecado, uma espécie de penhor das dores do inferno. Para este homem pouco podemos dizer ou fazer, a não ser em nome de Cristo e da nossa humanidade comum tentar reduzir seus sofrimentos. Isso devemos fazer a todos os filhos do infortúnio, seja qual for sua cor raça ou credo.

Enquanto estamos no corpo estaremos sujeitos a sofrimentos comuns os quais devemos compartilhar com todos os filhos dos homens – perdas, luto, decepções, separações e tristezas de toda sorte. Estes são os tipos de sofrimentos menos proveitosos, mas inclusive estes podem servir aos seguidores de Cristo. Não há algo como tristezas consagradas, penas que podem ser comuns a todos, mas que podem assumir um caráter especial para o cristão quando aceitas inteligentemente e oferecidas a Deus em amável submissão. Devemos estar vigilantes para que não percamos qualquer benção que tais sofrimentos podem trazer.

Mas, há outro tipo de sofrimento conhecido apenas pelo cristão: ele é voluntariamente, deliberadamente, e propositalmente sofrido por amor a Cristo. Este é um tesouro de grande valor, uma fonte de riqueza que o poder da mente não pode conceber. É raro tanto quanto precioso, e poucos nestes tempos de decadência, por escolha própria, adentrarão a essa mina escura procurando por joias. Mas nós, por nossa própria escolha devemos fazê-lo, porque não há outro caminho para buscá-lo. Deus não vai nos forçar a este tipo de sofrimento.

Ele não vai lançar a Cruz sobre nós e nem nos embaraçar com riquezas que não queremos. Tais riquezas são reservadas para aqueles que se aplicam a servir até à morte; que se oferecem a sofrer por Cristo e cujas vidas desafiam o diabo e provocam a fúria do inferno. Estes são aqueles que deram adeus aos brinquedos deste mundo; eles escolheram ser maltratados com o povo de Deus; eles aceitaram a fadiga e o sofrimento como parte de sua existência terrena.

As marcas da Cruz estão sobre eles, e eles são conhecidos no céu e no inferno.

A. W. Tozer – (1897-1963)