O TEMPO PARA CONHECER A DEUS
Não cesses de falar deste Livro da Lei; antes, medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer segundo tudo quanto nele está escrito; então, farás prosperar o teu caminho e serás bem-sucedido (Josué 1:8).
Provavelmente o mais conhecido e persistente problema entre os cristãos é o problema da lentidão no progresso espiritual. Por que, depois de tantos anos como cristãos professos, muitas pessoas encontram-se não muito distantes do lugar onde estavam quando creram?
Muitos tentariam dar resposta à questão afirmando que essas pessoas nunca foram salvas; que elas nunca foram regeneradas. São simplesmente professos enganados os quais não experimentaram a verdadeira conversão.
Para alguns esta pode ser a resposta, e a aceitariam como final. Porém, sabemos que professos enganados nunca lamentam sua falta de crescimento espiritual, mas sim verdadeiros cristãos que tiveram uma real experiência de conversão e que estão certos de sua salvação em Cristo. Incontáveis crentes estão entre os desapontados, que deploram seu fracasso em fazer progresso na vida espiritual.
As causas do baixo crescimento são muitas. Não seria correto atribuir o problema a uma única falha. Entretanto há uma, que é tão universal que pode ser considerada a principal: Não dar o devido tempo para o cultivo do conhecimento de Deus.
A tentação de fazer a nossa relação com Deus ser judicial em vez de pessoal é muito forte. Aceitar a salvação, atualmente, foi reduzido a um ato único e que não requer mais atenção; o jovem crente torna-se consciente de um Salvador vivo a ser seguido e adorado. O cristão é mais forte ou fraco, dependendo de quão estreitamente ele cultivou o conhecimento de Deus. Paulo era tudo, menos advogado da escola automática de cristianismo. Ele devotou toda a sua vida à arte de conhecer a Cristo.
Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo; para o conhecer, e o poder da sua ressurreição, e a comunhão dos seus sofrimentos, conformando-me com ele na sua morte; prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus. (Filipenses 3: 8-10-14).
O progresso na vida cristã é exatamente igual ao crescente conhecimento que ganhamos de Deus em nossa experiência pessoal. E essa experiência requer uma vida inteira, e abundância de tempo dedicado à tarefa de cultivar o Espírito de Deus. Deus pode ser conhecido satisfatoriamente somente quando devotamos tempo a Ele. Sem intenção de fazê-lo, registramos as nossas falhas graves nos títulos de muitos livros de musicas evangélicas: “um pouco de conversa com Jesus”. “Minuto com Deus” e outros, são reveladores. O cristão que está satisfeito em dar a Deus o Seu “minuto” e em ter “um pouco de conversa com Jesus” é o mesmo que aparece no serviço evangelístico chorando sobre seu ‘tardo’ crescimento espiritual e implorando para que lhe seja indicado o caminho para se livrar da dificuldade.
Mil distrações podem nos distanciar de Deus, mas se formos sábios podemos definitivamente deixá-las muito distantes de nós, e ao mesmo tempo estaremos construindo espaço para o Rei, e o tempo necessário à Sua permanência. Algumas coisas podem ser negligenciadas com pouca perda para a vida espiritual, mas negligenciar a comunhão com Deus é ferir a nós mesmos onde não podemos curar. Deus responde nossos esforços para conhecê-Lo. A Bíblia nos diz que é totalmente uma questão de ‘quanta determinação dispomos a essa sagrada tarefa’.
A. W. Tozer – (1897-1963)