O ENGANO DA SALVAÇÃO PELA AUTOAJUDA
Digo isto para que ninguém vos engane com raciocínios falazes. Colossenses 2.4
Estamos vivendo um tempo de muita confusão na área espiritual. Enganadores, mentirosos e ministros de si mesmos estão infiltrados em diferentes ambientes religiosos. Eles mesmos não entram no Reino de Deus e ainda atrapalham aqueles que desejam entrar. São instrumentos utilizados pelo inimigo de nossas almas para confundir, provocar divisões e impedir que as pessoas ouçam, compreendam e vivam o verdadeiro Evangelho de Jesus Cristo.
Entretanto, não devemos nos surpreender, pois o engano tem sido uma das armas de Satanás desde o princípio. No Éden, ele enganou a mulher. No Egito, o povo de Israel acostumou-se com aquilo que recebia e, posteriormente, chegou a sentir saudades dos alimentos daquela terra de escravidão. No deserto, o povo construiu um bezerro de ouro e desprezou o alimento enviado por Deus, chamando-o de “pão vil”.
Na vida de Saul, o inimigo encontrou espaço por meio da desobediência; na vida de Davi, por meio da cobiça; e, na vida de Salomão, por meio do acúmulo de ouro, cavalos e mulheres — práticas sobre as quais Deus já havia advertido em Deuteronômio 17.16-17. Tudo isso afastou o coração de Salomão do Senhor e o levou a tolerar e construir altares dedicados a deuses estranhos.
O rei Acabe, por sua vez, entregou-se à influência de Jezabel e conduziu Israel à idolatria. No tempo de Cristo, a soberba e a arrogância de muitos religiosos transformaram a obediência à Lei de Moisés em um meio de exaltação pessoal. Em vez de reconhecerem sua necessidade da misericórdia de Deus, acreditavam que poderiam conquistar a salvação pelos próprios méritos. Era uma espécie de religião da autoajuda: o homem confiando em si mesmo para alcançar aquilo que somente Deus pode conceder.
Mas cuidado: todas as verdades necessárias à nossa salvação foram estabelecidas por Deus. O caminho pelo qual nos aproximamos dele já foi aberto, e a obra necessária para nossa redenção foi consumada por Jesus Cristo. Em seu Filho, Deus revelou plenamente a Sua vontade e realizou tudo o que era necessário para nos reconciliar consigo mesmo: Havendo Deus, outrora, falado muitas vezes e de muitas maneiras aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias, nos falou pelo Filho. Hebreus 1.1-2
Como temos acesso à Palavra de Deus, devemos conferir aquilo que ouvimos, buscar diretamente na fonte e beber da água limpa. Ministros mentirosos e enganadores tentam reinventar aquilo que Deus já estabeleceu. Colocam peso onde Cristo colocou graça; estabelecem exigências humanas onde Cristo oferece descanso; e exaltam o esforço do homem onde as Escrituras anunciam a suficiência do Salvador.
A graça não é negociável. A graça não tem preço para aquele que a recebe, embora tenha custado o precioso sangue de Cristo. A graça não aceita suborno nem faz acordos com a religiosidade humana. Ela é oferecida gratuitamente por Deus: Ah! Todos vós, os que tendes sede, vinde às águas; e vós, os que não tendes dinheiro, vinde, comprai e comei; sim, vinde e comprai, sem dinheiro e sem preço, vinho e leite. Isaías 55.1
A verdade do Evangelho está em Cristo. A salvação pela autoajuda é um engano antigo, nascido no Éden, quando o homem desejou tornar-se independente de Deus e determinar por si mesmo o que era bom ou mau. A autoajuda afirma: “Você consegue por suas próprias forças.” O Evangelho declara: “Sem Cristo, nada podeis fazer.”
A autoajuda coloca o homem no centro. O Evangelho coloca Cristo no centro. A autoajuda ensina o homem a confiar em si mesmo. O Evangelho leva o pecador a renunciar à autoconfiança e descansar inteiramente na pessoa e na obra de Jesus Cristo.
Desconfie de toda mensagem que coloca o homem no centro. A salvação não nasce da força interior, do pensamento positivo, da religiosidade ou do aperfeiçoamento pessoal. Ela é totalmente de graça na pessoa e obra de Jesus Cristo na cruz do Calvário, ao morrer e nos atrair em seu corpo e na sua ressurreição nos dar uma nova vida.
O verdadeiro Evangelho não anuncia a capacidade do homem de salvar a si mesmo. Ele anuncia a incapacidade do pecador, a suficiência de Cristo e a maravilhosa graça de Deus.
Marcos Peixoto