NÃO HÁ REGENERAÇÃO SEM MJDANÇA DE CARÁTER
Produzi, pois fruto digno do arrependimento (Mateus 3:8)
Na Bíblia, a oferta de perdão da parte de Deus é condicionada à intenção de reforma da parte do homem. Não pode haver regeneração espiritual sem reforma moral. Que esta declaração requeira defesa apenas demonstra quão longe da verdade nos distanciamos.
Em nossa atual teologia popular, o perdão depende somente da fé. Até mesmo o uso da palavra reforma foi banido pelos filhos da Reforma!
(Obs. Pelo contexto entende-se perfeitamente que o autor usa a palavra Reforma com o significa de Mudança de Vida).
Muitas vezes ouvimos esta declaração: Eu não prego reforma; eu prego regeneração. Agora reconhecemos isso como sendo uma expressão de revolta contra a insipida e anti bíblica doutrina da salvação pelo esforço humano. Mas a declaração como está formulada contém erro, visto que ela estabelece uma oposição entre reforma e regeneração. Na verdade as duas nunca são opostas pela sã teologia bíblica.
A doutrina da regeneração sem renovação moral é incorretamente apresentada como: ou uma ou a outra; ou a reforma ou a regeneração. Isto é inexato. O fato é que esse assunto deve ser apresentado de modo concomitante. O homem convertido é reformado e regenerado. E, a menos que o pecador seja reformado em sua maneira de viver, ele nunca vai conhecer a experiência da regeneração. Esta é a verdade fundamental que ficou perdida nas sob as páginas do evangelismo popular.
A ideia de que Deus vai perdoar um rebelde que não desistiu de sua rebelião contraria as Escrituras e do senso comum. Como é horrível contemplar uma igreja cheia de pessoas que foram perdoadas, mas que ainda amam o pecado e odeiam os caminhos da retidão. E ainda mais horrível é pensar o céu cheio de pecadores que não se arrependeram e não mudaram sua maneira de vier.
Uma história muito conhecida pode ilustrar este fato. O governador de um dos nossos Estados foi incógnito visitar uma prisão estadual. Ele iniciou um conversa com um jovem presidiário e sentiu um desejo interior de perdoá-lo, e então perguntou: O que você fará se for perdoado?
O condenado, não sabendo com quem estava falando, resmungou esta resposta: Se eu sair deste lugar a primeira coisa que vou fazer será cortar a garganta do juiz que me condenou. O governador interrompeu a conversa e retirou-se da cela. O condenado permaneceu na prisão. Perdoar um homem que não havia sido mudado interiormente, seria mais um assassino solto na sociedade. Esse tipo de perdão não seria apenas uma tolice; seria absolutamente imoral.
A promessa de perdão e purificação nas Escrituras é sempre associada à ordem de arrependimento. O texto de Isaias 1:18 amplamente usado, ainda que os vossos pecados são como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que são vermelhos como o carmesim, se tornarão como a lã, é organicamente unido com os versos precedentes – Lavai-vos, purificai-vos, tirai a maldade de vossos atos diante dos meus olhos: cessai de fazer o mal.
Aprendam a fazer o bem; atendei à justiça, repreendei ao opressor; defendei o direito do órfão, pleiteai a causa das viúvas (1-16-17). Isto ensina uma radical transformação de vida antes que possa haver qualquer esperança de perdão. Separar as palavras é violentar as Escrituras e nos levar ao manuseio enganoso da verdade.
Penso que há pouca dúvida de que o ensino da salvação sem o arrependimento tem rebaixado o padrão moral da Igreja e produzido inúmeros religiosos iludidos que acreditam erroneamente serem salvos, quando na verdade eles ainda estão em fel de amargura e laço de iniquidade. Ver essas pessoas buscando a vida mais profunda é realmente uma amarga e enganosa visão.
Mas, muitas vezes vemos nossos altares cheios de buscadores que reivindicam como Simão: Dai-me também a mim esse poder, quando as bases morais não foram ainda estabelecidas. A coisa toda deve ser vista como uma clara vitória do diabo, uma vitória que jamais poderia ser ‘celebrada’, se professores imprudentes não tivessem tornado isso possível pregando a doutrina maligna da regeneração dissociada da Metanoia.
A. W. Tozer – (1897-1963)