NÃO COMA A SEMENTE

Marcos Peixoto

NÃO COMA A SEMENTE

Em tempos de crise, não coma a semente.
O que isso significa? Muitos, ao enfrentarem dificuldades financeiras, decidem deixar de devolver o dízimo ao Senhor, imaginando que essa seja a solução. Porém, quem consome a semente nunca verá a colheita. Em Malaquias 3.10-11, Deus chama Seu povo à fidelidade e promete honrar aqueles que confiam n’Ele.

É triste ver cristãos que desejam obedecer apenas aos ensinamentos bíblicos que lhes agradam. O dízimo é um princípio presente nas Escrituras. Então, por que muitos deixam de devolvê-lo? A resposta quase sempre é a mesma: falta confiança na provisão de Deus. Entretanto, a Palavra declara E o meu Deus, segundo a sua riqueza em glória, há de suprir, em Cristo Jesus, cada uma de vossas necessidades. Filipenses 4:19.

Alguns afirmam que o dízimo pertence apenas ao Antigo Testamento. No entanto, o princípio da consagração da décima parte é anterior à Lei de Moisés. Abraão entregou espontaneamente o dízimo a Melquisedeque (Gn 14.20), e Jacó também consagrou ao Senhor a décima parte de tudo quanto recebesse (Gn 28.22). A Lei apenas regulamentou uma prática que já existia.

Outros dizem que Jesus nunca falou sobre o dízimo. Mas, em Mateus 23.23, o Senhor repreendeu os escribas e fariseus não porque dizimavam, e sim porque praticavam o dízimo enquanto negligenciavam a justiça, a misericórdia e a fidelidade. Ao concluir, afirmou que essas virtudes deveriam ser praticadas sem deixar de fazer aquelas. O problema nunca foi o dízimo, mas um coração religioso e sem transformação.
O escritor de Hebreus também relembra o encontro entre Abraão e Melquisedeque (Hb 7), mostrando a importância desse episódio ao apresentar a superioridade do sacerdócio de Cristo. Embora o objetivo do texto não seja ensinar sobre contribuições financeiras, ele demonstra que esse acontecimento continua relevante na argumentação do Novo Testamento.

Deus não precisa do nosso dinheiro. Ele é o Criador dos céus e da terra, o dono do ouro e da prata. Nada do que possuímos pode enriquecer Aquele que é Senhor de todas as coisas. O dízimo nunca existiu para suprir uma necessidade de Deus, mas para revelar um coração que reconhece que tudo pertence a Ele.
A fidelidade financeira não compra bênçãos nem garante prosperidade automática. Ela é uma expressão de gratidão, confiança e dependência do Senhor. Quem retém aquilo que Deus ordenou demonstra dificuldade em descansar na Sua provisão e em reconhecer Sua soberania.

Olhe para os pássaros do céu, para as flores do campo e para toda a criação. O mesmo Deus que sustenta todas as coisas continua cuidando dos Seus filhos. Se Ele alimenta as aves e veste os lírios, quanto mais cuidará daqueles que confiam n’Ele.

Não coma a semente que Deus colocou em suas mãos. Semeie com fé, reconhecendo que tudo vem do Senhor e tudo pertence a Ele. A verdadeira segurança do cristão nunca esteve naquilo que guarda, mas na fidelidade do Deus que prometeu sustentar o Seu povo.

Marcos Peixoto