A SALVAÇÃO ETERNA E A OBRA DE DEUS

Elsso J.BARBOSA

A SALVAÇÃO ETERNA E A OBRA DE DEUS

O homem “nasce nesse mundo morto espiritualmente”, separado de Deus, nessa condição ele pode, por decisão própria, viver dentro da sua vontade?
Não

O homem sem vida no seu espírito pode fazer alguma coisa por si mesmo e, assim, ganhar a salvação eterna?
Não.

A salvação e obra de exclusiva de Deus, que escolhe e destina para a eternidade todos os que Ele mesmo escolheu, os escolhidos serão separados para viverem eternamente em Sua presença. A escolha e exercida pela soberana vontade, que mediante a revelação da Sua Palavra, o salvo terá conhecimento que recebeu vida no seu espirito, e aos que Ele mesmo escolheu se tornarão capazes para ver e ouvir a voz do Senhor que os chama para viverem em santidade na Sua presença.

Por ação divina, todos os escolhidos receberão vida, foram tirados da morte em que se encontravam. Com essa nova vida, são habilitados entrar no reino de Deus, foram capacitados ouvir, ver e crer em Deus e mediante a ação do Espirito Santo, saberão que foram feitos, novas criaturas.

Os alcançados pela sua graça nasceram de novo, e esse acontecimento nunca foi e nunca será resultado da vontade humana. Sem a vivificação do espírito humano, o homem é incapaz de ver, ouvir e crer no Evangelho. Todo o esforço humano nunca poderá produzir a condição que para conduzi-lo à eternidade com Deus.

É Deus quem conduz os salvos à Cristo que é o caminho para a eternidade, pois foi Ele o Pai quem os escolheu para serem salvos na pessoa e obra de Cristo.

Só há uma maneira de ser salvo. Como está escrito:
Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. João 3.3

O homem morto espiritualmente é incapaz, de produzir fé nele mesmo, tão pouco o arrependimento ou qualquer condição que lhe permita um relacionamento com Deus. É necessário que primeiro seja vivificado ou receba nova vida no seu espirito. Somente depois de receber essa nova vida é que passa a ouvir espiritualmente a Palavra, que lhe dá condição para ver a sua verdadeira condição diante de Deus, e crer em Cristo e arrepender-se dos seus pecados.

Somente pela ação do Espírito Santo e por meio da Palavra, a pessoa passa compreender e ter convicção de sua união com Cristo em Sua morte e ressurreição. Todos que morrem juntamente com Cristo, também foi ressuscitado com Ele. A fé e o arrependimento e a conversão são resultado da nova vida concedida por Deus.
Hoje em dia, tornou-se comum ouvir pregadores estabelecendo padrões ou maneiras de viver a vida cristã. Entretanto, mesmo que alguém tente viver de maneira agradável a Deus, não conseguirá fazê-lo, se antes não nascer de novo. É necessário que a pessoa tenha recebido nova vida em Cristo. Somente aquele que foi vivificado ou regenerado poderá ver e entrar no Reino de Deus.

Por que é importante estarmos sempre nos lembrando disso?
Porque sempre haverá pessoas que precisam ouvir que Jesus Cristo é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. É Cristo quem transforma pecadores em filhos de Deus, e essa nova vida os torna adoradores do único Senhor.

Por que é necessária a pregação do Evangelho sobre a vida, morte e ressurreição de Cristo?
Porque, em uma pregação, estarão presentes pessoas em diferentes condições espirituais. Para facilitar nossa compreensão, podemos considerar três grupos:

O primeiro grupo
É formado por pessoas nascidas de novo, que têm convicção de que são novas criaturas e estão firmadas em suas convicções que são de fato filhos de Deus. Porém, pode haver nesse grupo pessoas que ainda passam por lutas e estão em processo de crescimento no conhecimento de Cristo, o que resultará em crescimento e maturidade espiritual.

O segundo grupo
É formado por pessoas que fazem parte do povo escolhido de Deus, mas que ainda serão alcançadas pela ação do Espírito Santo por meio da Palavra. Estando espiritualmente mortas, não podem, por si mesmas, compreender as coisas espirituais, crer ou produzir o próprio arrependimento, e ser convertida. É necessário que primeiro sejam vivificadas por Deus.
Na regeneração, Deus lhes concede nova vida e, então, passam a ouvir espiritualmente a Sua Palavra, enxergar sua condição de pecadoras diante de um Deus santo e reconhecer que não são capazes por si mesmas e necessitam viver totalmente dependentes da Sua graça. Essa nova vida produz seus frutos: o pecador é levado ao arrependimento e à fé em Cristo cada dia vai se fortalecendo e, assim, volta-se do seu antigo jeito de caminhar, e se firma no caminho do Senhor.

Não é o arrependimento que produz a regeneração; e sim o resultado dela, somente com a vida recebida de Deus que se torna possível o salvo se arrepender e viver crendo em Deus e na sua Palavra. A partir daí começa uma nova caminhada. Aquele que foi regenerado e convertido passa por um processo contínuo de transformação e de gloria em gloria o leva a santificação. O Espírito Santo, por meio da Palavra, vai conformando sua vida ao caráter de Cristo.

Essa transformação interior também se manifesta exteriormente. O bom testemunho, é resultado na vida daquele que foi alcançado, vive em obediência e o crescimento em santidade não são meios do ser humano conquistar a salvação, mas é os frutos da nova vida recebida de Deus. Esse processo é continuo e durante toda a vida na caminhada cristã, até a glorificação.

O terceiro grupo
É formado por aqueles que permanecem na incredulidade esses já não recebem os efeitos da graça de Deus em Cristo. Humanamente falando, não há nada que o homem possa fazer para produzir a própria regeneração ou salvar a si mesmo.

O Evangelho, porém, deve ser pregado a todos. O pregador não conhece quem são os escolhidos de Deus e não tem como identificar previamente quem será salvo. Sua responsabilidade é anunciar fielmente o Evangelho que é toda a obra e Cristo, deixando os resultados nas mãos soberanas do Senhor.

As três finalidades da mensagem pregada
A mensagem pregada cumpre os propósitos determinados por Deus: por meio dela, Deus busca e chama pecadores à salvação; edifica a sua Igreja, corrigindo, exortando e conduzindo os regenerados no crescimento e na santificação; e também torna indesculpável aquele que, ouvindo a verdade, permanece em sua incredulidade.
Portanto, podemos considerar três finalidades da mensagem pregada: salvação do pecador, edificação da Igreja e condenação do pecador que permanece em incredulidade.
Isso não significa que o pregador saiba a qual grupo pertence cada pessoa. Ele prega a mesma verdade a todos, e Deus cumpre soberanamente Seus propósitos por meio da Palavra.

Algumas situações quanto aos três grupos de pessoas:
No primeiro grupo, estão aqueles que já nasceram de novo. Uns estão mais maduros e, em sua caminhada, vivem pela fé; outros ainda são imaturos e imperfeitos, mas o Senhor está trabalhando na vida deles. A obra que Ele iniciou, Ele mesmo terminará. Por isso também há necessidade da pregação da Palavra: a Igreja precisa ser continuamente edificada, corrigida, exortada e conduzida ao crescimento na medida em que estão conhecendo a Cristo.

Também é necessário pregar o Evangelho porque Deus usa a pregação para chamar aqueles que Lhe pertencem. Foi assim no ministério do apóstolo Paulo. Quando ele estava em Corinto, o Senhor lhe disse:
Não temas; pelo contrário, fala e não te cales; porquanto eu estou contigo, e ninguém ousará fazer-te mal, pois tenho muito povo nesta cidade. Atos 18.9-10.

Observe a expressão: “tenho muito povo nesta cidade”. Deus disse “tenho”. Entretanto, muitas daquelas pessoas ainda precisavam ouvir a pregação do Evangelho. Elas ainda não sabiam, mas Deus conhecia os Seus. Assim também acontece nos lugares onde o Evangelho é pregado: Deus, por meio da Palavra, chama os Seus.

O pregador, entretanto, não conhece os decretos eternos de Deus. Ele não sabe quem será alcançado para a salvação nem quem permanecerá em incredulidade. Por isso, não deve selecionar a quem anunciar o Evangelho. Deve pregá-lo a todos, confiando que Deus conhece os Seus e cumprirá Sua vontade.

Deus não tem dois planos de salvação. Há um único plano: salvar pecadores por meio de Jesus Cristo. Os que foram predestinados para a salvação ouvirão a Sua voz por meio da pregação do Evangelho. Aqueles que fazem parte do Seu plano de redenção foram escolhidos antes da fundação do mundo.

Ao mesmo tempo, a mesma Palavra que é instrumento de salvação e edificação também testemunha contra aquele que a ouve e permanece em incredulidade. Assim, a condenação não acontece porque o pregador decidiu condenar alguém, mas porque o pecador permanece na incredulidade e por isso permanece rejeitando a verdade que lhe foi anunciada.
O homem não tem como promover a salvação de quem quer que seja. Podemos pregar, ensinar, aconselhar, exortar e anunciar o Evangelho, mas não podemos dar vida espiritual a uma pessoa morta. Somente Deus pode fazer isso.

Por essa razão, é um erro tentar impor simplesmente um padrão de comportamento cristão a quem ainda não nasceu de novo. É possível ensinar regras, costumes e comportamentos e até produzir mudanças exteriores, mas isso não produz vida espiritual. Um homem morto espiritualmente pode aprender a se comportar como religioso e, ainda assim, continuar morto espiritualmente.
Aos filhos de Deus cabe a exortação para que não vivam enganados pelo mundo. Aqueles que Deus escolheu e salvou são chamados a viver de acordo com a Sua vontade. Cabe aos pregadores ensinar e alertar os filhos de Deus quanto à necessidade de uma vida que agrade ao Senhor.

Essa vida de obediência, porém, não é a causa da salvação; é consequência da nova vida recebida de Deus. Na santificação, o cristão vai deixando para trás as práticas do pecado e, pela ação do Espírito Santo, sendo progressivamente conformado ao caráter de Cristo. Essa obra continuará durante toda a sua caminhada, até a glorificação.
O Antigo Testamento apresenta diversos exemplos de pessoas que presenciaram as obras de Deus e, ainda assim, permaneceram em incredulidade. Muitos ficaram pelo deserto. Tinham o coração endurecido e demonstraram sua incapacidade de confiar no Senhor.

Portanto, não são regras que ressuscitam um morto espiritual, nem o esforço humano que produz o novo nascimento. É Deus quem dá vida. Antes de tentarmos impor um padrão de vida cristã às pessoas, precisamos anunciar o Evangelho de Cristo.

Estar em Cristo é a única coisa que importa ao filho de Deus para a sua salvação eterna.

Elsso J.BARBOSA