NADA ME FALTARÁ

Marcos Peixoto

NADA ME FALTARÁ

O SENHOR é o meu pastor; nada me faltará. Salmos 23.1
Muitas pessoas, inclusive cristãos, acreditam que esse texto fala, simples e exclusivamente, de coisas materiais, como bênçãos, prosperidade, saúde, vitórias, porém o salmista conhecia pessoalmente O SENHOR e, então, afirma: nada me faltará.

Davi era um homem experiente. Até chegar a ser rei e, mesmo durante seus 40 anos de reinado, passou por inúmeras provações, perseguições, traições, decepções e derrotas. Foi perseguido por Saul e depois por seu próprio filho Absalão. Ainda assim, ele guardou essa confissão em seu coração com alegria e certeza. Se pararmos por alguns instantes e meditarmos na profundidade dessa afirmação, podemos imaginar Davi dizendo em alto e bom som: O SENHOR é o meu pastor, nada me faltará.

Que alegria, que confiança, que certeza, que intimidade Davi tinha com o SENHOR para fazer essa confissão. SENHOR com letra maiúscula, está falando de Javé, aquele que existe que não tem princípio nem fim, o criador de todas as coisas, O Nome impronunciável. Ele é o Alfa e o Ômega, está no princípio, no meio e no final da bíblia. Esse SENHOR é o próprio Jesus Cristo. Se estivermos unidos a Ele, temos pleno contentamento, satisfação e assim poderemos dizer como Davi: O SENHOR é o meu pastor, de nada terei falta (NVI).

Davi, como pastor de ovelhas dedicado e cuidadoso, sabia que Deus é zeloso para com seus filhos, seu rebanho. Porque desde a antiguidade não se ouviu, nem com ouvidos se percebeu, nem com os olhos se viu Deus além de ti, que trabalha para aquele que nele espera. Isaías 64.4.
Assim como as ovelhas de Davi estavam plenamente satisfeitas com seu dono, Davi também reconhecia que, por ser um filho de Deus, poderia alegrar-se, confiar, entregar-se, descansar e agradecer (Salmos 37). Por isso, ele declara: O SENHOR é o meu pastor, e nada me faltará.

Mesmo diante das inúmeras privações, Davi não retrata nesse texto, falta de bens materiais, carência emocional ou qualquer outro sentimento com base em valores deste mundo. O salmista fala de algo superior. Mesmo enfrentando escassez, traições e perseguições de pessoas que amava, ele tinha plena convicção de que não lhe faltava nada, pois possuía um tesouro: a certeza de que era amado pelo SENHOR.

Mas cuidado! Achar que a frase “nada me faltará” funciona como um mantra que elimina dificuldades é um erro. No dia a dia, enfrentamos momentos de seca espiritual, sentimo-nos vazios e, às vezes, até achamos que Deus está distante. Passamos por dores, doenças e cansaços, e Davi expressa sua dor no Salmo 6: “Até quando?” e “Estou cansado de gemer”. Mesmo em meio ao “caos”, Davi sabia (e os filhos sabem), que o Seu Pastor é socorro bem presente nas tribulações Salmo 46.1b.

Paulo, também, nos ensina que a vida cristã envolve altos e baixos, pois ele mesmo aprendeu na prática: Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez; tudo posso naquele que me fortalece. Filipenses 4.12-13.

Isso nos ensina que, mesmo nas dificuldades, podemos confiar que Deus nos dá força para seguir em frente e que Ele é o nosso sustento, por isso nada me faltará. Da mesma forma, é importante para nós, cristãos, mantermos uma visão equilibrada da vida cristã. O próprio Jesus afirmou que: No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo. João 16.33b.

Falsos mestres e suas teologias malignas ensinam que, se alguém frequentar a “sua igreja”, obedecer à “sua doutrina” e “entregar tudo que tem”, será abençoado, eles prometem riquezas, curas, libertação e ausência de problemas, mas essas afirmações são mentirosas e diabólicas. Jesus adverte severamente esses mestres: Vós sois do diabo, que é vosso pai, e quereis satisfazer-lhe os desejos. Ele foi homicida desde o princípio e jamais se firmou na verdade, porque nele não há verdade. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira. João 8.44.

Também existem aqueles que se bastam, acreditando não precisar de Deus por possuírem bens materiais. Esquecem-se do principal: as riquezas espirituais, que estão contidas somente na pessoa de Cristo, em quem todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos. Colossenses 2.3. Jesus adverte-os: Mas Deus lhe disse: Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? Lucas 12.20.

Há ainda os que se consideram ricos espiritualmente, mas colocam o Evangelho à margem de suas vidas, ouvindo e fazendo pregações humanistas. Também são advertidos: Assim, porque és morno e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca; pois dizes: Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu. Apocalipse 3.16-17.
Por esses motivos, necessitamos de uma análise do alto em nossas vidas. Encontramos, nas Escrituras, exemplos de homens santos que amavam a Deus e eram amados por Ele,

mas sofreram provações. Eles nos inspiram a olhar firmemente para Jesus, confiar, entregar, descansar e agradecer, mesmo em meio a tribulações: Em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco. 1 Tessalonicenses 5.18. Quando agimos assim, demonstramos para nós mesmos e para os que nos cercam que: O SENHOR é o meu pastor; nada me faltará.

A grande diferença está em pertencer ao pastor certo, pois existe o Bom Pastor e o mercenário. Por isso mesmo, Jesus afirmou: Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem a mim, João 10.14. Aqueles que pertencem ao Bom Pastor sabem que são cuidados. Em oposição, estão aqueles que pertencem ao mercenário.

Esse impostor deixa faltar o básico para seu rebanho. Eles não têm pastagem verde, mas uma relva seca. Seus abrigos são vulneráveis ao ataque de predadores. Sua água é suja, contaminada e cheia de parasitas. Suas ovelhas têm carência em todas as áreas, semelhantemente estão aqueles que não estão unidos a Cristo, não pertencem ao Bom Pastor e, por consequência, estão mortos espiritualmente.

O fim dessas ovelhas, desses homens, é a doença, a fraqueza e um quadro de tristeza e sofrimento, pois não possuem esperança e não têm condição alguma de saírem de tal situação. Mas, as ovelhas do Bom Pastor não têm essa preocupação, pois confiam no que Jesus disse: Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas. João 10.11. Jesus disse essas palavras há um “rebanho perdido”, mas eles não ouviram sua voz e continuaram a seguir o impostor. As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. João 10.27.

A satisfação e o contentamento são marcas do verdadeiro cristão. Entretanto, muitos têm andado cabisbaixos e tristes, com tantas aflições. Não devemos nos esquecer das palavras de Jesus: E eis que estou convosco todos os dias até a consumação do século. Mateus 28:20b. Ler, meditar na Palavra, ter uma vida de oração e comunhão com os santos ajudam nesses momentos de angústia. Somos membros do mesmo corpo (rebanho), temos uma identidade em Cristo: somos filhos de Deus comprados pelo sangue precioso de Jesus, portanto somos amados do Pai.

Nessa caminhada cristã, estamos sendo moldados ao caráter de Cristo, não podemos tirar nossos olhos do Senhor e confiar nas coisas materiais: status, poder, amizades, ou proximidade e reconhecimento de pessoas importantes. Isso nos leva à inquietude, à insatisfação, à insegurança e a ambição. Irmãos, não esqueçam o que realmente importa: algo simples, mas com uma profundidade e riqueza imensuráveis, e que traz grande contentamento: O SENHOR é o meu pastor; nada me faltará.

Assim como Davi dedicava tempo, atenção, carinho e estava interessado no bem-estar do seu rebanho para estivessem sempre fortes e saudáveis, ele sabia que o Senhor não pouparia “esforços” em favor dos seus. Se fosse preciso, Ele daria sua vida por elas. E esse entendimento de Davi foi confirmado por Cristo: Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão. João 10.28.

Foi justamente isso que Cristo fez na cruz em nosso favor. Éramos ovelhas perdidas, carentes, doentes e fracas. O mercenário, o mau pastor, não cuida do seu rebanho, não tem qualquer amor pelas ovelhas, permitindo que elas sejam devastadas por todo tipo de pestes e predadores. Mas o Bom Pastor, Jesus Cristo, vem ao encontro de todas aquelas ovelhas que o Pai lhe deu. Ele não poupou sua própria vida para resgatá-las das mãos do impostor, a ponto de se entregar por elas, sofrer o dano, a dor, a humilhação e receber sobre si toda a maldição que estava colocada sobre o pobre rebanho.

Foi nessas condições que Cristo, O Bom Pastor, se entregou para pagar o preço do resgate por suas ovelhas. E foi um alto preço: seu sangue puro e sem pecado foi derramado em favor de muitos. Ninguém a tira de mim; pelo contrário, eu espontaneamente a dou. Tenho autoridade para a entregar e também para reavê-la. Este mandato recebi de meu Pai. João 10.18.

Cristo Jesus foi à cruz voluntariamente. Sua morte não foi solitária. Ele nos atraiu em sua morte e, assim como Ele foi ressuscitado pelo Pai, também nos deu a Sua própria vida. Ora, o Deus da paz, que tornou a trazer dentre os mortos a Jesus, nosso Senhor, o grande Pastor das ovelhas, pelo sangue da eterna aliança, Hebreus 13.20.

Essa tão grande salvação é um milagre, e cada um de nós necessita desse milagre, o Novo Nascimento, que só pode vir do alto. Não posso julgar sua vida simplesmente por um olhar externo, mas alertá-lo sobre a necessidade de estar unido a Cristo. O que digo a você é: clame ao Senhor. Peça revelação dessa maravilhosa obra realizada na cruz. Peça revelação de quem você é, em quem você está e onde você passará a eternidade.
Aqueles que estão em Cristo terão, sim, aflições e dores nesta vida. Sofrerão traições e perdas e serão perseguidos por causa de Cristo. Mas eles possuem uma certeza, uma esperança inabalável e podem confessar em alto e bom som: O SENHOR é o meu pastor; de nada terei falta.

Marcos Peixoto – (02/03/2025)