O QUE OCUPA O CORAÇÃO DE NOSSOS FILHOS?
Este estudo é baseado no capítulo 11 — Deuses Falsos, do livro Desafio aos Pais, de Paul Tripp.
Decidi dar a esta apresentação o seguinte título:
O QUE OCUPA O CORAÇÃO DE NOSSOS FILHOS?
O autor utiliza o conceito de “formar um adorador”. Particularmente, creio que não existe a possibilidade de formar um verdadeiro adorador sem a regeneração. Portanto, o principal objetivo deste capítulo é refletir sobre a salvação de nossos filhos.
A partir desse ponto, precisamos compreender aquilo que governa o coração de nossos filhos.
E isso vale para cada um de nós.
Se sou filho de Deus, isso significa que fui regenerado, recebi a vida de Cristo. Já não vivo eu, mas Cristo vive em mim, e sei que o caráter de Cristo está sendo formado em minha vida.
Sendo essa uma realidade na minha vida e na sua como pais, vamos agora olhar para o coração de nossos filhos.
Filipenses 3:12-16
“Não que eu o tenha já recebido ou tenha já obtido a perfeição; mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus. Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus. Todos, pois, que somos perfeitos, tenhamos este sentimento; e, se, porventura, pensais doutro modo, também isto Deus vos esclarecerá. Todavia, andemos de acordo com o que já alcançamos.”
A primeira pergunta que precisamos fazer é:
1 – Ele ou ela é realmente uma nova criatura? Foi regenerado(a)?
Temos apenas duas respostas diante de nós.
Se a resposta for sim, o coração dele será ensinável.
Vamos, sim, enfrentar alguns conflitos, mas, sendo filho de Deus, o Espírito Santo tratará com ele nas questões do arrependimento, do perdão, do entendimento, do bom senso e do domínio próprio. Entretanto, tudo isso ainda está sendo formado em seu coração e em sua mente, e isso precisa ficar claro.
O caráter de Cristo está sendo formado no coração deles, assim como está sendo formado em nosso coração e em nossa mente.
2 – Se nossos filhos ainda não passaram por essa mudança de natureza, precisamos agir de maneira a apresentar-lhes o Evangelho de Cristo e viver esse Evangelho em nossos atos, em nossas palavras, na maneira como tratamos os assuntos com eles e até mesmo na correção. Tudo isso precisa ser administrado com amor, misericórdia, justiça e perdão.
O autor faz três perguntas aos pais:
1. Por que meus filhos agem da forma como agem?
2. Como acontece a mudança no coração e na vida de nossos filhos?
3. Como posso ser um instrumento de mudança no coração e na vida dos meus filhos?
Essas perguntas têm relação direta com a natureza deles.
Ou eles continuam com a natureza pecadora, ou foram regenerados e receberam uma natureza espiritual.
Se nossos filhos querem governar, não obedecem, são rebeldes e persistem nos mesmos erros, é um forte indício de que sua natureza ainda é pecadora.
Por outro lado, se, quando repreendidos, reconhecem seus erros, ainda que seja necessário explicar várias vezes e de maneiras diferentes para que consigam enxergar, e demonstram arrependimento, sem ressentimentos, isso evidencia que estão sendo conduzidos por Deus no processo da salvação.
A semente do pecado
Todo ser humano nasce com o desejo implícito de ser Deus.
“…como Deus sereis…”
Por isso, a natureza pecadora tem dificuldade em reconhecer seus erros, aceitar autoridade, admitir que não sabe tudo e reconhecer que precisa dos outros. Essa é a semente do pecado plantada no Jardim do Éden.
Às vezes, afastamos nossos filhos de atividades que julgamos importantes para eles. Entretanto, não podemos nos esquecer de que os adultos da relação somos nós.
Exemplos:
• A menina gosta de se maquiar, tirar selfies e vestir-se conforme a moda.
• Os meninos só querem saber de videogame e celular.
Precisamos entender que a geração deles é diferente da nossa e buscar um ponto de equilíbrio, para não provocarmos sua ira nem afastá-los cada vez mais.
O que a Bíblia ensina sobre os filhos
Pais, não irriteis os vossos filhos, para que não fiquem desanimados.
Colossenses 3:21
Beijai o Filho para que se não irrite, e não pereçais no caminho; porque dentro em pouco se lhe inflamará a ira. Bem-aventurados todos os que nele se refugiam.
Salmos 2:12
O que ouvimos e aprendemos, o que nos contaram nossos pais, não o encobriremos a seus filhos; contaremos à vindoura geração os louvores do SENHOR, o seu poder e as maravilhas que fez…
Salmos 78:3-7
Ensina a criança no caminho em que deve andar e, ainda quando for velho, não se desviará dele.
Provérbios 22:6
Amarás, pois, o SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força…
Deuteronômio 6:5-9
Exemplo pessoal
Não me lembro de meu pai ser carinhoso comigo.
Lembro-me de muitas e muitas surras.
Abraçar, beijar e dizer que me amava… nunca.
Ele era pernambucano, criado em uma família desestruturada, sem amor e sem Deus. Como uma pessoa nessa condição poderia demonstrar amor?
A maneira dele era não deixar faltar nada em casa, comprar alguns brinquedos, bicicleta, roupas… Essa era a forma como demonstrava amor.
Fui pai aos 42 anos e já precisei pedir perdão à Talita e à Rúbia várias vezes. Depois que confessei, em uma quarta-feira, minha irritação diante da igreja, isso melhorou muito. Muitas pessoas, inclusive, comentaram comigo sobre essa mudança.
O que está em nosso coração é o que sairá por nossa boca e será refletido em nossas atitudes.
Há amor, paz, perdão, misericórdia, bondade, longanimidade e domínio próprio? Se sim, isso é fruto do Espírito. Se não, é porque ainda precisamos da vida de Cristo operando em nós.
O que os outros pensam de mim?
PREOCUPAR-SE COM O QUE OS OUTROS PENSAM É UM PROBLEMA
Necessitamos estar atentos aos sinais e às falas de nossos filhos.
Se eles sempre comentam:
“Fulano pensa assim…”
“Ciclano disse isso…”
“Beltrano age dessa maneira…”
isso pode ser um sinal de que estão sendo excessivamente influenciados pela opinião dos outros. Seu caráter ainda é instável, frágil e precisa ser trabalhado.
O coração deles deseja agradar aos outros, e não a Deus.
O que fazer?
Ensinar-lhes a Palavra de Deus.
Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.
Mateus 6:33
Um irmão costumava dizer:
“Quem está sentado na arquibancada da sua vida? Deus ou os homens?”
Se é Deus, a Ele seja toda a glória. Se são os homens, então a glória está sendo dada a eles.
Identidade
Esse tema já foi trabalhado com eles várias vezes, mas precisamos reforçar continuamente esses ensinamentos bíblicos sobre quem eles são, pois isso refletirá diretamente em seu caráter e em seu coração.
Eles são filhos amados do Pai, comprados pelo precioso sangue de Cristo, e agora o caráter de Cristo está sendo formado neles. Isso precisa estar muito claro em seus corações.
QUEM OCUPA O CORAÇÃO DELES?
SONHOS • AMIGOS • TRABALHO • NAMORADO(A) • MEDO DO FUTURO • JESUS CRISTO
Nossos filhos precisam aprender, por meio da Palavra, quem está no controle de suas vidas.
Pode ser:
1. Eles mesmos.
2. O pecado que os governa (essas duas opções, na prática, são a mesma coisa).
3. O Senhor.
“Seja a paz de Cristo o árbitro em vosso coração, à qual, também, fostes chamados em um só corpo; e sede agradecidos.”
Colossenses 3:15
Existe paz, de modo geral, no coração de nossos filhos?
Existe sede pela Palavra?
Existe gratidão?
Não temos como saber isso com absoluta certeza. Entretanto, podemos ensinar os princípios bíblicos e observar, por meio de conversas, atitudes, comportamentos, relacionamento com a família e com outras pessoas, além dos interesses que demonstram, para onde o coração deles está apontando.
O QUE OCUPA O CORAÇÃO DOS NOSSOS FILHOS?
“Amarás, pois, o SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força.”
Deuteronômio 6:5
Outras referências:
• Deuteronômio 11:16
• Deuteronômio 30:6
• 1 Samuel 12:21
• Salmos 4:2
• Salmos 115:4-8
• Isaías 42:8
• Isaías 44:6
• Ezequiel 14:4
• 1 Coríntios 10:14
• 1 João 2:15
• 1 João 2:17
Essas são apenas algumas passagens, entre tantas outras, que tratam desse assunto nas Escrituras.
O QUE NOS GOVERNA COMO PAIS?
O QUE GOVERNA OS NOSSOS FILHOS?
Tanto as nossas palavras quanto as nossas ações são pautadas por aquilo que nos governa.
Se é Cristo quem nos governa, quando cometemos pecados ou delitos, o Espírito Santo nos confronta.
Da mesma forma acontece com nossos filhos.
Toda desobediência tem sua origem no pecado e na rebeldia.
Essa luta para ser igual a Deus nos acompanha desde a queda. Contudo, ela também deve nos incomodar, para que apresentemos tudo diante de Deus e, pela ação do Espírito Santo, vamos nos despojando dessas práticas em nosso processo de santificação.
“Rogo igualmente aos jovens: sede submissos aos que são mais velhos; outrossim, no trato de uns com os outros, cingi-vos todos de humildade, porque Deus resiste aos soberbos; contudo, aos humildes concede a sua graça.”
1 Pedro 5:5
Toda complacência, toda submissão, todo respeito, toda responsabilidade, toda honra, todo espírito pacificador e toda boa escolha nossa, inclusive em relação aos nossos filhos, devem ser pautados pela submissão a Cristo.
Tudo deve ser para a glória de Cristo.
1 Coríntios 10:31
O FIM PRINCIPAL DO HOMEM
Pergunta 1
Qual é o fim principal do homem?
Resposta: O fim principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre.
Referências: Romanos 11:36; 1 Coríntios 10:31; Salmos 73:25-26; Isaías 43:7; Romanos 14:7-8; Efésios 1:5-6; Isaías 60:21; Isaías 61:3.
Nossos filhos não devem ser criados apenas para receber educação, ter sucesso profissional, conquistar uma boa casa, um bom casamento ou tornar-se bons cidadãos.
Tudo isso é importante, e devemos lutar para que alcancem essas bênçãos.
Mas o fim principal do homem — tanto deles quanto o nosso — é glorificar a Cristo.
Isso precisa estar muito claro em nossa mente e também na mente deles.
NOSSO COMPROMISSO COMO PAIS
Somos instrumentos pelos quais nossos filhos formam sua percepção a respeito de Deus.
O pecado impede que Cristo seja visto, contemplado e adorado.
Precisamos buscar, diariamente, oportunidades para sermos esses instrumentos na vida de nossos filhos, para que aprendam a confessar seus pecados e a arrepender-se de suas práticas pecaminosas.
Isaías 42:16
“Guiarei os cegos por um caminho que não conhecem, fá-los-ei andar por veredas desconhecidas; tornarei as trevas em luz perante eles e os caminhos escabrosos, planos. Estas coisas lhes farei e jamais os desampararei.”
Quando ajudamos nossos filhos a enxergar e identificar o que motiva o coração deles, seus desejos e suas ações, estamos cooperando com a obra de Cristo.
Criar filhos tem muito mais a ver com iluminar sua mente e seu coração para que enxerguem quem realmente são do que permitir que a cultura deste mundo molde sua identidade.
NOSSOS FILHOS SÃO SEMELHANTES A NÓS
Quando observamos as dificuldades de nossos filhos, é como se estivéssemos olhando para nós mesmos, pois muitas vezes agimos da mesma maneira diante do nosso Pai celestial.
Cada dia é uma nova oportunidade para sermos tratados por Deus e, ao mesmo tempo, tratarmos nossos filhos.
Eles estão passando, ou ainda passarão, por problemas emocionais, financeiros, políticos e espirituais. Enfrentarão inúmeras tentações, sofrerão boas e más influências e terão muitos caminhos diante de si.
Por isso, precisamos auxiliá-los a enxergar todas essas situações à luz da Palavra de Deus, pois somente ela pode lhes dar verdadeira esperança.
PERGUNTAS IMPORTANTES
• O que Deus deseja que meu filho enxergue neste momento?
• Como posso ajudá-lo a enxergar?
Não por meio de ameaças.
Não por meio de punições.
Não com palavras que desanimam.
Não levantando a voz.
Agindo assim, eles apenas se fecharão e procurarão fugir dos pais na primeira oportunidade.
CONDUZINDO-OS À CONFISSÃO
Conduzir nossos filhos à confissão significa ter conversas ternas, pacientes e compreensivas, que produzam discernimento, para que eles possam identificar aquilo que ainda não reconhecem e não conseguem enxergar.
Essa confissão não deve ser como um julgamento, com promotor, juiz, júri e advogado de defesa.
Ela deve ser espontânea, marcada pelo reconhecimento do pecado e pelo desejo sincero de não permanecer naquele caminho.
Eles precisam compreender a confissão no sentido bíblico: aceitação, perdão, cura e amor.
A única esperança verdadeira deles deve estar depositada na pessoa de Jesus Cristo.
Vamos confrontá-los?
Sim.
Mas em amor.
Vamos questionar suas ações e reações?
Sim.
Mas em amor.
Eles precisam enxergar em nós o amor e o perdão de Deus, da mesma forma que fomos perdoados por Ele em Cristo Jesus.
“Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.”
1 João 1:9
Que o Senhor nos conceda sabedoria e discernimento para agirmos de maneira construtiva e sermos instrumentos para a salvação de nossos filhos.
Somos totalmente dependentes da graça de Deus para criar nossos filhos e para vivermos nossos relacionamentos familiares.
Cada dificuldade é uma oportunidade para dependermos ainda mais do Senhor e nos achegarmos, com confiança, ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e socorro em tempo oportuno.
Marcos Peixoto
24/03/2024